 |
| Encontro entre “BENEDICTO XVI & HABERMAS” - Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) e Jürgen Habermas em 2004 |
Algumas reflexões sobre o pensamento de Bento XVI
O Instituto Acton entregou o prêmio Novak de2012 aGiovanni Patriarca.
O prêmio em homenagem ao sociólogo e teólogo americano Michael Novak é
destinado a novas pesquisas acadêmicas realizadas por alunos no início
de suas carreiras acadêmicas que demonstram mérito intelectual de
destaque no avanço da compreensão da relação entre a teologia e a
dignidade humana, a importância de um governo limitado, a liberdade
religiosa e a liberdade econômica.
Os candidatos ao Prêmio Novak apresentam publicamente um relatório sobre essas questões em uma conferência chamada Calihan Lecture. Ao vencedor o prêmio de 10.000 dólares.
O Prêmio Novak faz parte de uma série de bolsas de estudo, de viagens
e prêmios disponibilizados pela Acton Institute que sustentam futuros
líderes religiosos e intelectuais que desejam estudar a ligação
essencial entre a teologia, os mercados livres, a liberdade econômica e a
importância do Estado de Direito.
Em 2012 o prêmio foi atribuído ao Prof. Giovanni Patriarca que
leciona em instituições e projetos culturais italianos em Nuremberg na
Alemanha. Ele é mestreem Gestão Escolarpela Universidade de Macerata
(Itália), formadoem Estudos Islâmicospelo Pontifício Instituto de
Estudos Árabes e Islâmicos (PISAI) e obteve seu doutorado em filosofia
na Pontifícia Universidade Regina Apostolorum de Roma. Ele dedicou-se em
grande parte ao pensamento econômico pré-clássico, e sua tese de
doutorado foi baseada nas teorias sociais e monetárias de Nicolas
Oresme, matemático e filósofo do século XIV.
O prof. Patriarca trabalhou como pesquisador externo da Universidade
Humboldt, em Berlim, e realizou pesquisas e estudos em diversas
instituições acadêmicas na França, Hungria, Eslováquia, Polônia,
República Checa e Estados Unidos. Ele escreveu artigos sobre sua
pesquisa em várias línguas, argumentos que vão desde a história das
doutrinas políticas e econômicas aos estudos islâmicos e a filosofia da
ciência. ZENIT o entrevistou.
***
ZENIT: O senhor recentemente recebeu o prêmio Novak. Que contribuições do filósofo e teólogo americano poderia nos apresentar?
Giovanni: O trabalho do professor Michael Novak é tão rico que não é
fácil colocá-lo em qualquer reflexão. Além das famosas obras de natureza
econômica, seria necessário uma maior compreensão de alguns dos
artigos publicados nos últimos anos, especialmente pela revista First Things,
em que, com uma prosa articulada, mas muito útil, explora as raízes das
contradições da modernidade caracterizada pela crise da
responsabilidade individual e social, bem como uma turvação dos valores
tradicionais compartilhados por gerações anteriores. A perda de uma
perspectiva metafísica, como já advertiu Tocqueville, nos condena à
matéria e ao mundo, aprisionando-nos pelo niilismo.
ZENIT: Que aspectos neste contexto de crise econômica parecem alarmantes, especialmente para as jovens gerações?
Giovanni: A crise do indivíduo é, sem dúvida, uma crise moral
coletiva. Os jovens já no turbilhão das dificuldades econômicas e de
trabalho, foram, talvez, atraídos por mitos e promessas vazias. Parece
que uma espécie de "narcose materialista", resultado também da sociedade
da informação, mudou o curso natural do tempo adiando continuamente
"questões fundamentais" e imobilizando a natural predisposição para o
planejamento e para compromissos duradouros com uma ‘auto-redução’ da
liberdade, aparentemente delegada ao mundo.
ZENIT: Existem sinais de esperança?
Giovanni: Claro! No momento em que o indivíduo tenta analisar, no
segredo do próprio silêncio, sua jornada humana, muitas vezes,
experimenta um sentimento de desorientação e ansiedade que às vezes é
relacionado a certa agressividade ou raiva . Em um artigo recente do
Pe.Giovanni Cucci, s.j, apareceu na civilização católica, ele fala sobre
a relação entre a "raiva positiva" e a esperança.
Se a preocupação é metabolizada de forma correta pode ser o estímulo
para a construção de um novo caminho. No desejo de renascer se abriga um
profundo sentimento de esperança, que alimenta uma série de outras
virtudes em um movimento gradual para a partilha dos deveres, o perdão e
o respeito mútuo.
ZENIT: O magistério de Bento XVI nos oferece muitas idéias de
inspiração filosófica profunda. O que pode tocar profundamente o homem
moderno confuso e às vezes indiferente?
Giovanni: Sem entrar em âmbitos estritamente teológicos, poderia
apresentar alguns aspectos tanto de fácil compreensão como portadores de
futuras reflexões individuais. A Secularização mudou profundamente as
relações humanas e interpessoais. A indiferença e o hedonismo têm
substituído a busca natural de soluções propositivas sob a ‘estrela da
sorte’ da responsabilidade mútua.
Isso pode ser visto, especialmente em pequenas comunidades que são a
base da convivência civil. Bento XVI convida-nos a não deixar-nos
engolir pela areia movediça do nada, mas a sermos criativos, ativos,
prontos para assumir - de cabeça erguida – novos desafios num contexto
de uma "minoria".
O véu da indiferença pode ser rasgado no momento em que a pessoa
parando por um momento diante da beleza da criação ou de uma obra de
arte, reconsidera, com o olhar contemplativo e aberto à maravilha, o seu
papel no mundo, questionando-se sobre seu destino e olhando para o
alto. A recuperação, em diversas situações, da Via Pulchritudinis é um aspecto essencial do magistério de Bento XVI.
(Trad.MEM)