quinta-feira, março 07, 2013


17 fontes de informações seguras sobre a a renúncia de Bento XVI e o Conclave

O anúncio da renúncia do Papa Bento XVI gerou um verdadeiro alvoroço e se multiplica na imprensa internacional teorias conspiratórias contra a figura do papa, do Vaticano, da Igreja em geral. Criticar, analisar, até especular é papel da imprensa, contudo, isto não dispensa conhecimento sobre a instituição sobre a qual se fala. E é o que menos vemos.

Eis aqui a lista algumas fontes onde você pode obter e checar informações sobre este fato histórico.

- CNBB
- Jovens Conectados 
- Rádio Vaticana
- AciDigital
- Canção Nova Notícias, especial Papa
- News.Va
- GaudiumPress
- Agência Ecclesia 
- Zenit 
- Fides
- Católica Net
- Arquidiocese de São Paulo
- Portal UM
- L’oorservatore Romano
- Rio 2013
-AciPrensa
- Rede Milícia SAT

segunda-feira, março 04, 2013

 

Realizada primeira Congregação Geral: presentes 142 cardeais, 103 dos quais eleitores 


Realizou-se na manhã desta segunda-feira, na Sala nova do Sínodo, no Vaticano, a primeira Congregação Geral do Colégio cardinalício. Às 17h locais tem início a segunda Congregação Geral. Trata-se dos primeiros passos que levarão os purpurados a definir, nos próximos dias, a data do início do Conclave para eleger o novo Papa. Na coletiva com os jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, informou que estavam presentes 142 cardeais, 103 dos quais eleitores.

Portanto, devem chegar a Roma (daqui até amanhã, terça-feira) ainda 12 cardeais eleitores: de fato, são esperados 115 purpurados para o Conclave. A Congregação Geral teve início com a oração do Veni Sancte Spiritus. Em sua saudação, o cardeal decano Angelo Sodano falou sobre o significado deste evento. Em seguida, realizou-se a cerimônia de juramento de cada cardeal. O cardeal camerlengo Tarcisio Bertone lançou a proposta, aprovada, de que a primeira meditação da Congregação Geral desta tarde seja feita pelo Pregador da Casa Pontifícia, o frade capuchinho Pe. Raniero Cantalamessa.


Ademais, o Colégio dos cardeais aprovou a proposta do cardeal decano de enviar uma mensagem ao Papa emérito. Outra realização da Congregação Geral da manhã desta segunda-feira foi a eleição, por sorteio, dos três assistentes do camerlengo – disse Pe. Lombardi. Na Constituição fala-se da Congregação Particular, que trata de questões de caráter mais prático, conduzida pelo camerlengo, constituída também de mais três cardeais, seus assistentes, que são sorteados entre os eleitores presentes. Foram sorteados e, em seguida, nomeados assistentes os seguintes cardeais: Giovanni Battista Re pela Ordem dos Bispos; Crescezio Sepe pela Ordem dos Presbíteros; e Franc Rodé pela Ordem dos Diáconos. Portanto, por três dias estes purpurados serão os três assistentes do camerlengo na Congregação Particular. Após três dias deverão ser sorteados outros três a fim de que haja uma rotatividade. Pela manhã intervieram 13 cardeais com reflexões breves, mas intensas.


Deputado homossexual Jean Wyllys insulta parlamentar cristão nomeado presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Na última quarta-feira, 27 de fevereiro, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados passou a ser liderada pelo  deputado Marco Feliciano-PSC (Partido Social Cristão), pastor protestant e conhecido por lutar pela defesa da vida e da família no Congresso. Por sua parte, o deputado homossexual Jean Wyllys (protagonista de recentes ofensas ao Papa emérito Bento XVI em sua conta de twitter) publicou um artigo em seu site afirmado que Feliciano era o “pastor e deputado do ódio e da mentira” e que o discurso dele era “fundamentalista e fascista”.

Em um recente artigo enviado a ACI Digital, o sacerdote católico Pe. Pedro Stepien, ativo defensor da vida e da família em Brasília, afirma a atitude de Wyllys não é de causar surpresa: “Não é a primeira nem será a última vez que a troca de partidos na liderança das comissões acontece. Porém, o deputado Jean Wyllys - que deseja ser conhecido por defender “o direito das minorias” e ser contra a “intolerância” -  reagiu de forma anormalmente agressiva contra um fato tão corriqueiro. Por quê? Porque o pastor Marco Feliciano é um cristão praticante”.

“Se você, leitor, não aceitar a conduta homossexual como sendo a coisa mais normal e saudável do mundo, você é um “homofóbico” (ou pelo menos assim querem nos rotular), mas, não há problema nenhum se você vociferar contra uma pessoa somente pelo fato dela ser cristã convicta. Pelo menos, é desta forma distorcida que pensa nosso deputado Jean Wyllys”, denunciou o sacerdote pró-vida.

Vale recordar que em dezembro de 2012 o deputado também insultou o Papa emérito Bento XVI com os rótulos semelhantes. “Essa atitude deixa às claras uma verdade evidente e perigosa: para a militância gay o cristianismo deve ser perseguido, xingado, vilipendiado. Se existe algo que contrarie a agenda gay, deve ser odiado”, afirma o sacerdote.

Ora, mas e o respeito e a “tolerância” pela diversidade, onde estão? Onde está o direito à liberdade de pensamento e expressão? Será que tais direitos só devem ser aplicados a algumas “castas”?

“Percebo cada vez mais claramente, que tanto católicos como protestantes precisam unir-se para enfrentar os verdadeiros inimigos da civilização cristã. Apóio a nomeação do pastor Marco Feliciano porque ele é um cristão convicto e que luta admiravelmente contra a militância gay e abortista no Planalto”.

O Pe. Stepien conclui sua denúncia dando apoio ao Deputado Marco Feliciano: “este sacerdote católico, como cidadão e fiel cristão, lhe deseja fortaleza e sabedoria para que possa atuar como um político consciente de que o genuíno bem comum jamais pode ser conseguido dando-se as costas para a Verdade à qual se refere o Evangelho”.

domingo, março 03, 2013

Encontro entre “BENEDICTO XVI & HABERMAS” - Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) e Jürgen Habermas em 2004

Algumas reflexões sobre o pensamento de Bento XVI

O Instituto Acton entregou o prêmio Novak de2012 aGiovanni Patriarca. O prêmio em homenagem ao sociólogo e teólogo americano Michael Novak é destinado a novas pesquisas acadêmicas realizadas por alunos no início de suas carreiras acadêmicas que demonstram mérito intelectual de destaque no avanço da compreensão da relação entre a teologia e a dignidade humana, a importância de um governo limitado, a liberdade religiosa e a liberdade econômica.

Os candidatos ao Prêmio Novak apresentam publicamente um relatório sobre essas questões em uma conferência chamada Calihan Lecture. Ao vencedor o prêmio de 10.000 dólares.

O Prêmio Novak faz parte de uma série de bolsas de estudo, de viagens e prêmios disponibilizados pela Acton Institute que sustentam futuros líderes religiosos e intelectuais que desejam estudar a ligação essencial entre a teologia, os mercados livres, a liberdade econômica e a importância do Estado de Direito.

Maiores informações sobre estas bolsas podem ser encontradas em:  http://www.acton.org/programs/students/

Em 2012 o prêmio foi atribuído ao Prof. Giovanni Patriarca que leciona em instituições e projetos culturais italianos em Nuremberg na Alemanha. Ele é mestreem Gestão Escolarpela Universidade de Macerata (Itália), formadoem Estudos Islâmicospelo Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos (PISAI) e obteve seu doutorado em filosofia na Pontifícia Universidade Regina Apostolorum de Roma. Ele dedicou-se em grande parte ao pensamento econômico pré-clássico, e sua tese de doutorado foi baseada nas teorias sociais e monetárias de Nicolas Oresme, matemático e filósofo do século XIV.

O prof. Patriarca trabalhou como pesquisador externo da Universidade Humboldt, em Berlim, e realizou pesquisas e estudos em diversas instituições acadêmicas na França, Hungria, Eslováquia, Polônia, República Checa e Estados Unidos. Ele escreveu artigos sobre sua pesquisa em várias línguas, argumentos que vão desde a história das doutrinas políticas e econômicas aos estudos islâmicos e a filosofia da ciência. ZENIT o entrevistou.

***

ZENIT: O senhor recentemente recebeu o prêmio Novak. Que contribuições do filósofo e teólogo americano poderia nos apresentar?

Giovanni: O trabalho do professor Michael Novak é tão rico que não é fácil colocá-lo em qualquer reflexão. Além das famosas obras de natureza econômica, seria necessário  uma maior compreensão de alguns dos artigos publicados nos últimos anos, especialmente pela revista First Things, em que, com uma prosa articulada, mas muito útil, explora as raízes das contradições da modernidade caracterizada pela crise da responsabilidade individual e social, bem como uma turvação dos valores tradicionais compartilhados por gerações anteriores. A perda de uma perspectiva metafísica, como já advertiu Tocqueville, nos condena à matéria e ao mundo, aprisionando-nos pelo niilismo.

ZENIT: Que aspectos neste contexto de crise econômica parecem alarmantes, especialmente para as jovens gerações?

Giovanni: A crise do indivíduo é, sem dúvida, uma crise moral coletiva. Os jovens já no turbilhão das dificuldades econômicas e de trabalho, foram, talvez, atraídos por mitos e promessas vazias. Parece que uma espécie de "narcose materialista", resultado também da sociedade da informação, mudou o curso natural do tempo adiando continuamente "questões fundamentais" e imobilizando a natural predisposição para o planejamento e para compromissos duradouros com uma ‘auto-redução’ da liberdade, aparentemente delegada ao mundo.

ZENIT: Existem sinais de esperança?

Giovanni: Claro! No momento em que o indivíduo tenta analisar, no segredo do próprio silêncio, sua jornada humana, muitas vezes, experimenta um sentimento de desorientação e ansiedade que às vezes é relacionado a certa agressividade ou raiva . Em um artigo recente do Pe.Giovanni Cucci, s.j, apareceu na civilização católica, ele fala sobre a relação entre a "raiva positiva" e a esperança.
Se a preocupação é metabolizada de forma correta pode ser o estímulo para a construção de um novo caminho. No desejo de renascer se abriga um profundo sentimento de esperança, que alimenta uma série de outras virtudes em um movimento gradual para a partilha dos deveres, o perdão e o respeito mútuo.

ZENIT: O magistério de Bento XVI nos oferece muitas idéias de inspiração filosófica profunda. O que pode tocar profundamente o homem moderno confuso e às vezes indiferente?

Giovanni: Sem entrar em âmbitos estritamente teológicos, poderia apresentar alguns aspectos tanto de fácil compreensão como portadores de futuras reflexões individuais. A Secularização mudou profundamente as relações humanas e interpessoais. A indiferença e o hedonismo têm substituído a busca natural de soluções propositivas sob a ‘estrela da sorte’ da responsabilidade mútua.

Isso pode ser visto, especialmente em pequenas comunidades que são a base da convivência civil. Bento XVI convida-nos a não deixar-nos engolir pela areia movediça do nada, mas a sermos criativos, ativos, prontos para assumir - de cabeça erguida – novos desafios num contexto de uma "minoria".

O véu da indiferença pode ser rasgado no momento em que a pessoa parando por um momento diante da beleza da criação ou de uma obra de arte, reconsidera, com o olhar contemplativo e aberto à maravilha, o seu papel no mundo, questionando-se sobre seu destino e olhando para o alto. A recuperação, em diversas situações, da Via Pulchritudinis é um aspecto essencial do magistério de Bento XVI.

(Trad.MEM)

O Ateísmo é uma escolha racional?

 

 

"A pergunta que colocamos aqui deve ser bem entendida: não perguntamos se os ateus são racionais, coisa que seria absurda; nem mesmo perguntamos se os ateus são inferiores aos teístas, ou se a crença em Deus “não necessariamente torna uma pessoa melhor”, como apareceu numa recente pesquisa no Brasil[1]. O que questionamos agora é se o ateísmo, enquanto sistema de pensamento seja coerente. Mais precisamente, nos perguntamos se é sensato afirmar a não existência de Deus e contemporaneamente o relativismo. Poderia ser verdade que não haja nenhuma verdade e, ao mesmo tempo, ser verdade que Deus não existe?


Talvez haja quem pense que a questão aqui proposta seja absurda. E pode vir à mente do leitor a recordação do jovem Ivan, personagem de Irmãos Karamázov, que defendia que se Deus e as religiões não existissem, tudo passaria a estar permitido. Aquele personagem manifestava assim o desejo de uma liberação: ao livrar-se da crença em Deus, o homem ficaria livre de todo dogmatismo, tanto teórico, quanto moral. A negação de Deus traria o fim da “lei natural” e do dever de amar o mundo e ao próximo. A mesma liberação quis experimentar F. Nietzsche ao declarar a morte de Deus, ou melhor, ao dizer que os homens o haviam assassinado. De modo que para eles a negação ou “morte” de Deus não estaria fundamentada no relativismo, mas seria a origem mesma do relativismo. A afirmação da não existência de Deus seria uma escolha, algo indiscutível e impossível de ser demonstrado a partir de verdades anteriores. E aceitá-lo seria assumir a crença num novo dogma que faria desmoronar todos os demais dogmas. O ateísmo fundaria assim o relativismo na moral e no conhecimento humano.

Embora isso seja claro, é comum pensar que o relativismo funde o ateísmo; que as pessoas que não aceitam Deus, fazem-no porque não querem aceitar a existência da verdade, à qual deveriam se submeter. Isso é um absurdo. O ateísmo parte de uma afirmação que tem valor de verdade absoluta: Deus não existe. Se essa afirmação não fosse tomada pelos ateus como verdade, eles simplesmente deixariam de ser ateus. O relativismo para eles se dá somente nas “verdades” inferiores e todos deveriam se submeter ao imperativo único da nova moral: é proibido estabelecer regras morais.

O interessante é que F. Nietzsche e outros conhecidos filósofos ateus reconheceram que afirmar o relativismo cognoscitivo e o ateísmo é em si mesmo contraditório. O motivo seria que o relativismo implica a afirmação da não existência de verdades absolutas; mas isso se funda, por sua vez, numa verdade absoluta: a não existência de Deus.

Sendo assim, a afirmação da não existência de Deus implica a afirmação da sua existência. Outros pensadores ateus que perceberam bem as contradições do ateísmo contemporâneo foram M. Horkheimer e Th. Adorno. De fato, eles diziam numa obra conjunta, A Dialética do Iluminismo, citando a Nietzsche: «Percebemos “que também os não conhecedores de hoje, nós, ateus e antimetafísicos, alimentamos ainda o nosso fogo no incêndio de uma fé antiga dois milênios, aquela fé cristã que era já a fé de Platão: ser Deus a verdade e a verdade divina”. Sendo assim, a ciência cai na crítica feita à metafísica. A negação de Deus implica em si uma contradição insuperável, enquanto nega o saber mesmo»[2].

Esses autores, ateus e relativistas, que se reconhecem como “não conhecedores e antimetafísicos” alimentam a verdade de sua fé ateia naquela cristã, já presente em Platão: a fé na existência da verdade divina. De modo que só pode afirmar a não existência de Deus, quem aceita que há uma verdade absoluta, divina. Em outras palavras, só pode negar a Deus quem previamente o afirma. Por isso, o ateísmo, ao negar a Deus e a verdade das coisas (que é sempre relativa ao sujeito que a conhece e é progressiva), reinvindica para si mesmo o caráter absoluto, próprio do mesmo Deus[3], estabelecendo assim um novo dogmatismo. Portanto, o ateísmo não existe; nada mais é do que uma espécie de idolatria que consiste no colocar-se a si mesmo e as próprias convicções pessoais, por mais contraditórias que possam ser, no lugar de Deus, o único que garante toda a verdade. 

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.
[1] Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1206138-tendencia-conservadora-e-forte-no-pais-diz-datafolha.shtml[2] Cfr. F. NIETZSCHE, La gaia scienza, Mondadori, Milano 1971, p. 197; M. HORKHEIMER e Th.ADORNO, Dialettica dell’illuminismo, Einaudi, Torino 1966, p. 125.[3] Para a elaboração do presente texto me foram úteis as reflexões presentes em: U. GALEAZZI, Il coraggio della ragione. Tommaso d’Aquino e l’odierno dibatitto filosofico, Armando, Roma 2012, pp. 22-38.

A falsa "Rainha africana"


Ao pintar de negro o corpo da modelo branca americana Ondria Hardin, no editorial de moda intitulado “Rainha Africana”, na edição deste mês, a revista francesa “Numéro” caiu em uma armadilha que ela própria montou. Se a imagem foi publicada sem a intenção de causar polêmica para auto-promoção, e tão somente para “homenagear a beleza africana” e valorizar o “trabalho artístico” do fotógrafo Sebastian Kim, que pretendia miscigenar democraticamente duas culturas, como os próprios responsáveis pelo editorial garantem, eles poderiam ter contratado uma modelo de fato negra para a realização do ensaio ou avisado o leitor sobre o artifício da pintura de Ondria. A revista preferiu, no entanto, omitir essa informação, e aí tornou-se vulnerável às acusações de racismo que partiram do mundo da moda na Europa e, sobretudo, nos EUA. Pesa a favor dessa hipótese a reincidência de “Numéro”: há três anos ela valeu-se do mesmo truque e apresentou como negra a também branca modelo Constance Jablonski.

 

As palavras de um santo na iminência do conclave


Recentemente, pequenos trechos de uma carta escrita por Santo Afonso Maria de Ligório com considerações acerca dos males que afligiam a Igreja e que diante da iminência do conclave de 1774/1775 deveriam ser levados em conta na escolha do novo Pontífice, vêm sendo reproduzidos em vários sites. Ante o momento vivido pela Igreja, publicamos a tradução da carta na íntegra: 

Escreve o Padre Tannoia, o primeiro biógrafo e contemporâneo de Santo Afonso: "O Cardeal Castelli, conhecedor do grande crédito de que Afonso gozava junto a todos pelo espírito de Deus que o animava e o peso que a sua autoridade tinha junto aos Cardeais, - sendo iminente o tempo em que eles deviam encerrar-se no Conclave – quis que ele, como se respondesse a uma pessoa zelosa e amiga que lhe tivesse pedido, indicasse em uma carta os principais abusos que deviam ser extirpados da Igreja e da hierarquia eclesiástica, e outras coisas que se deviam levar em consideração na eleição do novo Papa. Assim pediu o Cardeal, querendo fazer presente a carta no Conclave, para que se elegesse um papa adequado às circunstâncias. Afonso, diante desta ordem, enrubesceu. Todavia, tanto pelo zelo pela glória divina, como para obedecer a um eminentíssimo cardeal que ele tanto estimava, recomendou-se antes a Deus, e assim lhe respondeu no dia 23 de outubro de 1774" (Tannoia, Da vida e instituto do Ven. Servo de Deus Afonso Maria de Ligório, Napoles 1798-1802, lib. III, cap. 55)


Carta 773. A Padre Traiano Trabisonda
Viva Jesus, Maria e José!

Arienzo, 24 de outubro de 1774
Ilustríssimo Senhor meu estimadíssimo,

Meu amigo e senhor, acerca do sentimento que se me pede sobre os assuntos atuais da Igreja e a eleição do Papa, que pensamento posso apresentar, eu um miserável ignorante e de tão pouco espírito, como sou?

Digo apenas que são necessárias orações e grandes orações; já que, para levantar a Igreja do estado de relaxamento e de confusão em que se encontram universalmente todos os níveis, nem toda a ciência e prudência humana conseguem remediar, mas é preciso o braço onipotente de Deus.

Entre os bispos, poucos são os que têm verdadeiro zelo pelas almas.

As comunidades religiosas, quase todas e mesmo sem o quase, estão relaxadas, porque nas congregações, na presente confusão das coisas, falta a observância e a obediência se perdeu.
No clero secular as coisas estão piores e, por isso, faz-se necessária aí uma reforma geral para todos os eclesiásticos, de maneira a reparar a grande corrupção dos costumes, que existe entre os seculares.

Por isso é preciso rezar a Jesus Cristo que nos dê um Chefe da Igreja que, mais do que de doutrina e de prudência humana, seja dotado de espírito e de zelo pela honra de Deus, e seja totalmente alheio a qualquer partido e respeito humano, porque se, por nossa desgraça, acontecesse um Papa que não tem apenas a glória de Deus diante dos olhos, o Senhor pouco o assistirá e as coisas, como estão nas presentes circunstâncias, irão de mal a pior.

Assim que as orações podem trazer remédio a tanto mal, ao obter de Deus que ele mesmo ponha a sua mão e conserte.

Por isso, não somente impus a todas as casas da minha mínima Congregação que rezem a Deus, com atenção maior do que habitualmente, pela eleição deste novo Pontífice; mas na minha diocese ordenei a todos os sacerdotes seculares e regulares que, na missa, recitem a coleta pro electione pontificis; desejaria que o Senhor inspirasse ao Sacro Colégio para escrever a todos os Núncios dos reinos cristãos, para que ordenassem esta coleta, por parte do Sacro Colégio, a todos os sacerdotes.

É este o sentimento que eu, miserável, posso apresentar.

Para esta eleição do Papa, não deixo de rezar mais vezes ao dia, mas o que podem minhas frias orações? Contudo, confio nos méritos de Jesus Cristo e de Maria Santíssima, que antes que a morte me atinja, que me está muito perto pela idade tão decadente e pela doença em que me encontro, o Senhor possa consolar-me fazendo-me ver a Igreja reconstituída.

Acrescento, amigo, que também eu desejaria, como Vossa Senhoria ilustríssima, ver reformados tantos desarranjos presentes; e saiba que, nesta matéria, giram-me pela mente mil pensamentos, que gostaria de fazê-los presentes a todos. Mas, olhando para a minha mesquinhez, não tenho ânimo de torna-los públicos, para não parecer que eu quero reformar o mundo. Comunico-lhe, porém, em confiança e como um desabafo, estes meus desejos.

Em primeiro lugar, gostaria que o próximo Papa (já que faltam muitos Cardeais, que deverão ser nomeados) escolhesse, entre aqueles que lhe serão propostos, os mais doutos e zelosos pelo bem da Igreja e que intimasse preventivamente aos Príncipes, na primeira carta em que lhes comunicará a sua eleição, que, quando pedirem o cardinalato para algum favorito seu, não proponham senão pessoas de comprovada piedade e doutas, porque, caso contrário, não poderá admiti-los em boa consciência.

Gostaria ainda que usasse toda a sua força em negar mais benefícios àqueles que já estão de posse dos bens da Igreja que lhes bastam para a sua manutenção, segundo o conveniente ao seu estado. E nisso usasse toda a fortaleza contra os compromissos que poderão aparecer.

Gostaria, além disso, que se impedisse o luxo nos prelados e, por isso, se determinasse para todos (caso contrário, a nada se porá remédio), se determinasse, digo, o numero dos empregados, exatamente o que compete a cada categoria de prelados: tantos camareiros e não mais; tantos servos e não mais; tantos cavalos e não mais; para não dar mais o que falar aos hereges.

Mais ainda! Que se usasse diligência ao escolher os bispos (dos quais, principalmente, depende o culto divino e a salvação das almas), solicitando informações a mais pessoas sobre a sua vida digna e doutrina necessária para governar as dioceses. E que, também para aqueles que já estão em suas igrejas, se exigisse dos metropolitanos e de outros, secretamente, a informação sobre aqueles bispos que pouco atendem o bem de suas ovelhas.

Gostaria ainda que se fizesse perceber, por toda a parte, que bispos descuidados e faltosos ou na residência ou no luxo das pessoas que mantêm ao seu serviço, ou nas enormes despesas com mobílias, banquetes e coisas semelhantes, serão punidos com a suspensão ou com o envio de vigários apostólicos que consertem os seus defeitos, dando o exemplo, de quando em vez, conforme a necessidade.

Todo exemplo desse tipo faria com que estivessem mais atentos a se controlar os demais prelados descuidados.

Gostaria ainda que o futuro Papa fosse muito reservado em conceder certas graças que prejudicam a boa disciplina, como, por exemplo, permitir às monjas saírem da clausura por mera curiosidade de ver as coisas do século, o conceder facilmente aos religiosos a licença de se secularizar, pelos inconvenientes mis que daí decorrem.

Sobretudo, desejaria que o Papa reconduzisse universalmente todos os religiosos à observância do seu primeiro Instituto, pelo menos nas coisas mais principais.

Basta, não desejo mais causar-lhe tédio. Nada podemos fazer, a não ser rezar ao Senhor, que nos dê um Pastor pleno do seu espírito, que saiba estabelecer estas coisas que acenei brevemente, conforme for mais conveniente à glória de Jesus Cristo.

E com isso, apresento-lhe minha humilíssima reverência, enquanto com todo o obséquio me confesso.

De Vossa Senhoria Ilustríssima obrigadíssimo servo verdadeiro
AFONSO MARIA, bispo de Santa Águeda dos Godos

Adoração eucarística permanente em São Pedro pelo conclave

Três religiosas mexicanas fazem turnos na capela do Santíssimo na Basílica de São Pedro onde se realiza a Adoração Eucarística permanente, em vistas ao conclave que escolherá o novo Papa.

Assim comunicou hoje o Padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, na coletiva realizada na Sala de Imprensa da Santa Sé.O sacerdote explicou que antes da Missa da tarde se recita uma oração especial pelo Colégio de Cardeais e pela preparação da eleição do Santo Padre.

O Padre Lombardi explicou que ainda não foram iniciados os trabalhos preparatórios na Capela Sistina, o lugar onde se realiza o conclave uma vez concluídas as congregações gerais.O sacerdote disse além que o Anel do Pescador de Bento XVI não foi ainda anulado e que a Secretaria de Estado dispôs que os selos com os quais se marcava as cartas de Sua Santidade já não sejam utilizáveis.

O Padre Lombardi se referiu ainda a uma variação na celebração da Eucaristia durante o período de Sede vacante especialmente na diocese de Roma: "no canon da Missa, na prece eucarística, normalmente se menciona a oração pelo Santo Padre. Neste período de Sede vacante esta menção não se faz em Roma e tampouco se menciona ao Bispo, porque o Papa é o Bispo de Roma".