quinta-feira, janeiro 24, 2013


  
Em Novos tempos, novas "categorias" de Pecado, Informa PESQUISA


Para os judeus existem centenas de pecados. Tradicionalmente, o catolicismo aponta os sete pecados “capitais”: inveja, gula, ira, soberba, luxúria, avareza e preguiça.  Essa preocupação em estabelecer uma lista surgiu durante o Concílio de Trento (1545-1563), convocado por Felipe II, rei da Espanha, e coordenado pelo papa Paulo IV. O objetivo do concílio era fixar com clareza os dogmas da Igreja Católica.

Os tempos mudaram e parece que hoje em dia a lista de pecados é bem diferente. Um novo estudo do Instituto Barna examinou quais as tentações as pessoas parecem enfrentar mais comumente e como conseguem lidar com essas “iscas” morais e éticas.  A pesquisa foi realizada em conjunto com um projeto de livro de Todd Hunter, chamado “Nossos Pecados Favoritos”.

Curiosamente, parece que a tecnologia tem gerado uma nova categoria de pecados. A pesquisa mostra quase metade dos entrevistados (44%) dizem que são tentados a gastar muito tempo com isso, incluindo vídeo games, internet, televisão e vídeo. Outra “nova” tentação relacionada à mídia é expressar raiva ou “detonar” alguém por mensagem de texto ou e-mail. Em geral, uma em cada nove pessoas (11%) diz que se sente tentado a fazer isso às vezes ou frequentemente.

Embora os pecados sexuais não sejam novos, ver pornografia online continua a crescer e assumir um papel de destaque. Cerca de um em cada cinco entrevistados (18%) diz que são tentados seguidamente a ver pornografia ou conteúdo sexual na internet. Os homens (28%)  confessam sentirem-se mais tentados a ver pornografia que as mulheres (8%).

Não é de estranhar que os mais jovens, que nasceram em um mundo mais voltado à tecnologia, são mais propensos que a média a lidarem com essas tentações modernas. Mais da metade dos entrevistados com menos de 20 anos (53%) dizem que ser fortemente tentados a passar tempo demais online e um quarto (25%) diz sentir vontade de usar a tecnologia para expressar sua raiva contra as outras pessoas.

Pecados mais antigos como “comer muito” (gula) continua sendo um dos primeiros nas listas de tentações (55%). Já a conduta sexual imprópria é admitida por menos de um em cada dez pessoas (9%). Como era de se esperar, as pessoas mais velhas tem menos problemas com tentações relacionadas ao sexo (3%).

Por outro lado, cerca de um terço dos entrevistados admitem que gastam mais do que deviam  (35%), um em cada quatro (26%), diz que fazer fofoca ou dizer coisas negativas sobre os outros é uma tentação comum. Inveja ou ciúme (24%) ainda é um pecado mais corriqueiro que  mentir ou trapacear (12%) e logo após vem a tentação a usar álcool ou drogas (11%).



Enquanto as pessoas que viveram séculos atrás não considerariam a procrastinação e a ansiedade como atitudes pecaminosas, essas parecem ser as tentações que as pessoas estão mais propensas a admitir.

Três em cada cinco (60%) dizem que são tentados a se preocupar ou ficar ansiosos o tempo todo. O mesmo número diz que procrastinação é um grave tentação para eles. Na mesma linha, 41% admitem que são tentados a ser preguiçosos e não se dedicar tanto ao trabalho quanto deveriam.  Curiosamente, nas tentações relacionadas com o trabalho, os evangélicos são mais propensos que os católicos a vê-las assim (57% dos protestantes acreditam que a procrastinação é uma tentação e 40% admitem ser preguiçosos os números de católicos são, respectivamente, 51% e 28%)



FONTE: www.gospelprime.com.br

 

"Platão do século XXI" afirma que Bento XVI é um Papa maravilhoso

 
Robert Spaemann é um dos filósofos mais reconhecidos deste tempo e foi chamado "o Platão do século XX". Em uma visita a Roma, assegurou que o Papa Bento XVI reconcilia a fé e a razão. O filósofo visitou Roma recentemente para apresentar na Universidade da Santa Croce seu livro "Fins Naturais: história e redescobrimento do pensamento teleológico", publicado pela editorial Ares.

Spaemann nasceu em Berlim (Alemanha), no ano de 1927 e é autor de diversas obras em 12 idiomas. É Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Friburgo (Suíça), Navarra (Espanha) e Pontifícia Universidade Católica do Chile. Além disso, é membro da Pontifícia Academia para a Vida e da Academia Chilena de Ciências Sociais, Políticas e Morais, do Instituto do Chile.

Em uma entrevista concedida ao portal EWTN News, Spaemann afirmou que a principal característica filosófica de Bento XVI "é que ele reconcilia a crença e a razão. Algo difícil de encontrar atualmente".

"Antes, a crença e a razão se opunham uma à outra… mas agora é ao contrário, porque muitos acadêmicos não acreditam na razão. Os cristãos acreditam que devem sustentar-se em razões, confiar nela e não deixar que sejam afastados com as palavras".

Neste sentido, Bento XVI "é um Papa maravilhoso. Um homem razoável, pio e inteligente… é alguém que enlaçou a crença tradicional cristã com a razão. Ele diz que necessitamos um termo que não limite os cientistas que não trabalham com a teologia. Enquanto que os cientistas estão interessados em saber como eles podem manipular as coisas", acrescentou.

Por último o estudioso assinalou que o Santo Padre dá resposta ao filósofo Thomas Hobbes, "ele disse 'reconhecer algo, é saber que podemos fazê-lo sem tê-lo'. Mas esse é um raciocínio limitado. A razão correta e estendida seria perguntar 'o que é isso?' 'aonde se deseja ir?' 'o que é tudo esto?'".

"O Papa é alguém que defende esta perspectiva, assim é um grande amigo da filosofia", concluiu.

Ao evento estiveram presentes centenas de pessoas, acadêmicos e também o vigário emérito da diocese de Roma, cardeal Camillo Ruini, quem escreveu o prefácio da obra.

Em entrevista com o EWTN Notícias, Ruini explicou que Spaemann "reintroduz ao pensamento contemporâneo a grande pergunta sobre a finalidade, o âmbito final, assinalando os assuntos que a modernidade tendeu a rechaçar e a considerar como irrelevantes".

"O debate com a ciência e a cultura de hoje, mostrando que a finalidade é um elemento que não pode ser eliminado não só em termos de vida humana mas também no sentido maior da biologia e do destino de toda vida", concluiu. 

Fonte: ACI Digital

 

 

Dom Casaldáliga: Bispo ameaçado de morte é homenageado em São Paulo

 
Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, será homenageado no próximo dia 7 de fevereiro no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo. Desde novembro de 2012, dom Pedro vem recebendo ameaças de morte devido à sua luta pela devolução das terras batizadas como Marãiwatsédé aos índios da etnia Xavante.

No início de dezembro, após a Justiça derrubar dois recursos que tentavam adiar a retirada dos não índios da região, agora chamada Gleba Suiá Missú, ele teve de se transferir, contra sua própria vontade, para uma localidade não revelada. Na ocasião, 15 organizações da sociedade civil e da Igreja Católica, incluindo o Conselho Indigenista Missionário e a Comissão Pastoral da Terra, divulgaram nota de apoio ao religioso.

Dom Pedro retornou em 29 de dezembro a São Félix, onde se encontra sob proteção policial. Desde que o Incra iniciou o processo de desintrusão da região, diversas lideranças indígenas e agentes da pastoral também estão sendo ameaçados.

Como informa o site da revista 'Missões', editada pelos missionários da Consolata, a homenagem ao bispo, que completa 85 anos no próximo dia 16 de fevereiro, é promovida pelo Comitê de Solidariedade a dom Pedro Casaldáliga e ao Povo Xavante.

Fonte: Rádio Vaticano

 

"Redes sociais: portais de verdade e de fé": leia Mensagem de Bento XVI


No dia em que a Igreja celebra S. Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, a Sala de Imprensa da Santa Sé apresentou na manhã desta quinta-feira a Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado em 12 de maio.

“Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização” é o título da Mensagem, que publicamos a seguir:

Amados irmãos e irmãs,

Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam atualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.

Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contatos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma.

O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.

A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está envolvido no processo de comunicação. Tal diálogo e debate podem florescer e crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas. «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza» (Discurso no Encontro com o mundo da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).


O desafio, que as redes sociais têm de enfrentar, é o de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interação humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo.

A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se não tanto para estar em sintonia com os tempos, como sobretudo para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afetiva daqueles que queremos convidar para um encontro com o mistério do amor de Deus. Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte consistente do património artístico da humanidade foi realizado por artistas e músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.

A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no testemunho, isto é, no modo como se comunicam «escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social.

Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tacto, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso. A confiança no poder da ação de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça, somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de terra ou no fogo, mas no «murmúrio de uma brisa suave» (1 Rs 19, 11-12). 

Devemos confiar no facto de que os anseios fundamentais que a pessoa humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o Beato Cardeal Newman chamava a «luz gentil» da fé.

As redes sociais, para além de instrumento de evangelização, podem ser um fator de desenvolvimento humano. Por exemplo, em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados, as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efetiva com a comunidade universal dos fiéis. As redes facilitam a partilha dos recursos espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O envolvimento autêntico e interativo com as questões e as dúvidas daqueles que estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade operante: «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).

No ambiente digital, existem redes sociais que oferecem ao homem atual oportunidades de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contato inicial feito on line – a importância do encontro direto, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé. Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra.

Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15).

Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – do ano 2013.




CRÔNICA| Sobre Marcelo, Juliana e a decepção
 by Damião Fernandes
 
Marcelo sempre foi um jovem de grandes amizades e sempre gostava de gastar tempo conversando, passeando, vendo filmes ou simplesmente rindo das piadas que eram contadas pelos seus amigos e irmãos do seu círculo de amizades do qual a muitos anos, ele era membro fiel. Marcelo dificilmente faltava ás reuniões com seu grupo de amigos. Entre eles, Marcelo sentia-se verdadeiramente amado e aceito, mesmo com todas as suas diferenças e seu temperamento forte. Para Marcelo, definitivamente, seus amigos eram muito mais que amigos, poderíamos dizer sua segunda família.

Mas um certo dia, algo inesperado aconteceu. Juliana, uma aluna do 4º período de psicologia, jovem sensível, inteligente e assim como dizia ela “não conseguia suportar injustiças com ninguém”, entra sala adentro desesperada e afônica pelo cansaço da grande corrida que vez da faculdade que ficava a três quarteirões da casa de Marcelo. Juliana assim com Marcelo era profundamente religiosa. Só um detalhe, desde a infância que era vizinha e amigos cúmplices. Sempre que podiam conversavam e tentavam se ajudar com palavras de otimismo e revelações de Deus que buscavam juntos nos escritos sagrados. Tentavam ser apoio um para o outro.

 - Marcelo, Marcelo... [entra Juliana sala adentro gritando!]

- O que aconteceu Juliana? Calma, respira... Uh! , ah! Respira...

_ Você não vai acreditar no que acabo de escutar no caminho quando eu vinha da Faculdade!

- O que houve? – [Marcelo nesse momento já estava também quase entrando pânico, visto o suspense exposto nos olhos esbugalhado de Juliana]

Lembra-se de Renata? Ela espalhou para todo mundo que você com esse seu jeitinho meio calado, meio sonso, metido a intelectual, mas que não passa de um vaidoso soberbo. Que aparenta ser um homem prudente, virtuoso, atencioso, mas que no fundo você é sarcástico moralmente inescrupuloso. Que você quer transparecer esse homem transcendente, mas você não passa de um sepulcro caiado e de paixões torpes. E inventa metiras, ainda mais.

[Marcelo, escutava tudo atento e profundamente decepcionado com tudo que ouvia. Nas lágrimas que caiam de seus olhos revelava todo o seu desapontamento para com aqueles que até então eram seus amigos, irmãos de longas datas. Sua segunda família]  

_ Sei! [afirmava Marcelo, nos intervalos de frases ditas por Juliana]

_ E tem mais! Se prepare! Que ainda estar por vir o pior!

_ Ainda vem o pior?! [Disse Marcelo, esboçando um sorriso amarelado e desconcertante]

_ Lembra-se do Matias, né? Aquele que carrega numa mochila, sua Bíblia “surrada” de tanto que ele a lê? O que sempre é o primeiro a chegar às nossas reuniões de turma e o ultimo a se despedir?

_ Sei demais... [Disse Marcelo] Matias, o comilão! Sempre que ele vinha comer aqui em casa, era um dos primeiros a sentar-se na mesa e quase sempre o ultimo a levantar-se. Amo demais aquele cara! Um grande irmão.

_ Pois é! Era justamente esse teu “irmãozão” que afirmou para a Renata e para todos os outros, que o seu maior sonho era ser um cantor de sucesso e um escritor renomado e que não media consequências para isso. Sim! E o seu intuito era ser aplaudido e afamado por todos. E quanto a isso, você não admite contrariedades. Você gosta mesmo é de aparecer, custe o  que custar.

_ Juliana, depois de lhe ouvir atentamente, não nego que meu coração está profundamente despedaçado e ao mesmo tempo decepcionado ouvindo todas essas coisas. E justamente daqueles que sinceramente mais amo... Não contive as lágrimas... Mas preciso lhe dizer algo!

Terão dias que nada e nem mesmo ninguém será capaz de ser motivo suficiente para fazer você voltar a crer ou voltar a amar. Terão dias que tudo estará escuro, confuso e sem sentido. Virão dias! Ah se virão! em que serão justamente aqueles que você mais ama que lhe decepcionarão e sem nenhum escrúpulo dirão coisas que você NÃO FEZ e NÃO É. Quando esses dias chegarem é a prova inconteste que também chegou o dia e a hora de olhar somente pra Deus e n'Ele fixar morada. Pois quando tudo se vai, resta Deus e só. Pois só Ele tem sensibilidade e amor suficiente para te olhar demoradamente sem censuras ou exclusões; Só Deus é o teu bastante!

- Juliana o olhou demoradamente e os dois se abraçaram chorando... E daquele dia em diante, algo ficou bastante claro para Juliana e Marcelo: Que quando tudo e todos se vão, só resta Deus e só.