sábado, março 13, 2010

ANIVERsariar
Meus amigos me visitaram e deixaram suas impressões digitais em meus ombros,
em minhas mãos, em meus olhos.

Em meu coração, as impressões foram mais que digitas. Foram temporais, fraternais, sobrenaturais.
Eles estiveram aqui.

Tornaram este lugar um pouco mais sagrado que de costume.
Os amigos têm este poder: de salvar o que estava perdido ou de redimir o que estava ferido.
Eles estiveram aqui.

Recordaram-me, que aniversário é tempo de celebrar.
Celebrar não sentimentos, mas celebrar presença.
Pois num certo dia, os sentimentos não suportaram as exigências da verdade,
Mas os amigos sempre estarão lá ou aqui.

Ontem foi meu aniversário.

Aniversariei a vida, o tempo que usei e o tempo que me resta.

Aniversariei o amor mais recebido que doado.

Aniversariei a fragilidade cotidiana mais doada que o amor.

Aniversariei eu mesmo, sem máscara ou rebeldia,
pois os mansos possuirão a terra.

Aniversariei a cumplicidade sentida á dois.
Eu e ela: A fidelidade. Fidelidade das almas fortes, das "almas magnas."

sexta-feira, março 12, 2010


Queria ser Poeta

Queria ser poeta e encantar-me com os instantes
Com os in-significantes momentos acontecidos na vida
Queria ser poeta para fazer poesia, construir pontes, anivelar estradas, refazer vilas existenciais. Queria ser poeta para entrar no interior de mim e cantar a um passado que me gerou.

Queria poeta e com minha poesia ser cristão, irmão, ser amigo da verdade, da saudade, da fragilidade, da divindade. Da eternidade e da ressurreição.
Queria ser poeta e como os poetas transcender o imaginável, o lógico, o absoleto, o perto, o quieto e o inquieto. Como poeta descobrir o tesouro escondido em cada cotidiano. Queria ser poeta do dia-a-dia.

Queria ser poeta e sendo poeta aliviar a existência dos que sofrem
dos que nascem
dos que morrem
dos que choram,
dos que riem
dos que pedem,
dos que doam...

Daquele que tudo tem e também daqueles que vivem sem.
Queria poeta e transformar o mundo, amar a todos, pertencer a todos, sem ser pertencido por ninguém. Ser sensível a existência do outro, a presença do outro a miséria do outro; ao outro sem definição.

Queria ser poeta, e sendo, pudesse EU ENTRAR pela porta estreita.

quinta-feira, março 11, 2010



Aqui dentro, ainda não

A luz caminha em direção dos olhos
Claridade que se ascende nos anseios humanos e perpassa as vontades longínquas
Sou silêncio e sou quietude
Sou instante em turbilhão
Que se acalmam quando encontro
Minha metade na solidão
E as horas continuam a passar..., passar... passar...
E aqui dentro, ainda não.

reprise

Mais um dia, mais um som do ventilador, mais uma voz humana, insana, prudente.
Mais um sol a brilhar, a aquecer as estrelas ausentes e nuvens perambulantes.
Mais um dia.

Tudo parece tão normal, uma normalidade tão cheia de reprises.
Mais um telefone que toca, mais um alô que dado e outro que respondido.
Mais um radio, uma TV, uma luz, todos ligados numa mesma estação: Outono e Verão.
Não há transubstanciação, já há revelação. Tudo acontece na costumeirice.

Não sei. Mais um a mais é algo a mais que vem e se vai.
Sempre algo que transborda na minha exaustiva tentativa de entender as coisas únicas e singulares.

A repetição me fere.