PLATÃO E A SELFIE
(...)
A
relação entre o mundo sensível de Platão e o mundo sélfico moderno,
caracteriza-se pela predominância de uma existência fundamentada e explicada a
partir da imagem. O uso da imagem tanto em mundo com em outro, se configura
como um novo tipo de identidade antropológica e de novas estruturas simbólicas.
A imagem de si é o ponto de partida para o conhecimento da pessoa que a imagem
representa. A tentativa de tal conhecimento a partir de um “não-eu” representado,
determina a morte simbólica do “eu mesmo” escondido sob a aparência de invólucro humano. O homem e a mulher modernos buscam a si mesmos na
imagem selficada e tentam reconquistar sua autonomia até então alienada pela
instrumentalidade dos sentidos, onde imagens personalizadas produzem sujeitos
individualizados sob texturas religiosas. Em tempos modernos,
poderíamos afirmar que o indivíduo platônico está aprisionado em um novo mundo
cavernoso: no mundo da selfie. Esse termo totalmente moderno significa a junção
do substantivo self (em
inglês "eu", "a própria pessoa”) e o
sufixo ie – ou. Portanto, Selfie é um tipo de
autorretrato produzido a partir de mim mesmo. Acredito que o selfie está muito mais relacionado à
uma visão e compreensão de mundo do que simplesmente representando um
comportamento isolado ou individualizado. Mesmo que carreguem em si estas
características: O isolamento e o individualismo. A Atitude do selfie traz em
si um significado antropológico mais profundo. Na nossa era digital, esses
rápidos autorretratos são numerosos e florescentes, e não são só o espelho ou o
braço erguido que caracterizam as selfie como um gênero, mas também como uma
estética particular. O selfie é sobre reflexão, identidade e reconhecimento –
seres humanos querem controlar a forma como eles são vistos.

