quinta-feira, março 12, 2015


PLATÃO E A SELFIE

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A relação entre o mundo sensível de Platão e o mundo sélfico moderno, caracteriza-se pela predominância de uma existência fundamentada e explicada a partir da imagem. O uso da imagem tanto em mundo com em outro, se configura como um novo tipo de identidade antropológica e de novas estruturas simbólicas. A imagem de si é o ponto de partida para o conhecimento da pessoa que a imagem representa. A tentativa de tal conhecimento a partir de um “não-eu” representado, determina a morte simbólica do “eu mesmo” escondido sob a aparência de invólucro humano.  O homem e a mulher modernos buscam a si mesmos na imagem selficada e tentam reconquistar sua autonomia até então alienada pela instrumentalidade dos sentidos, onde imagens personalizadas produzem sujeitos individualizados sob texturas religiosas. Em tempos modernos, poderíamos afirmar que o indivíduo platônico está aprisionado em um novo mundo cavernoso: no mundo da selfie. Esse termo totalmente moderno significa a junção do substantivo self (em inglês "eu", "a própria pessoa”) e o sufixo ieou. Portanto, Selfie é um tipo de autorretrato produzido a partir de mim mesmo. Acredito que o selfie está muito mais relacionado à uma visão e compreensão de mundo do que simplesmente representando um comportamento isolado ou individualizado. Mesmo que carreguem em si estas características: O isolamento e o individualismo. A Atitude do selfie traz em si um significado antropológico mais profundo. Na nossa era digital, esses rápidos autorretratos são numerosos e florescentes, e não são só o espelho ou o braço erguido que caracterizam as selfie como um gênero, mas também como uma estética particular. O selfie é sobre reflexão, identidade e reconhecimento – seres humanos querem controlar a forma como eles são vistos.


 





PRECISAMOS DAS UTOPIAS


A palavra “Utopia” chega ao conhecimento do homem ocidental, graças ao escritor inglês, estadista e santo católico, Thomas Morus. Em sua obra utopia, More utilizando-se de uma fábula, retrata a possibilidade da existência de uma sociedade perfeita que se auto regula contra os males, as injustiças e a exclusão. O escritor inglês, sonha com uma sociedade onde a igualdade e a solidariedade entre os homens estão além de questões econômicas, religiosas ou étnicas. Em More, o homem é um irmão para todos. Por isso, a palavra utopia é tradicionalmente compreendida pelo senso comum como aquela ideia que só é possível pensar, mas que nunca terá existência concreta. Por causa disso, utópicos são todas aquelas pessoas que “voam na maionese”, que só pensam quimeras ou fantasias e residem o tempo todo “no mundo da lua”.

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O mundo sofre de excesso de realidade. Como luz muito intensa, a realidade clareia até à cegueira. Quem vive de muita realidade, acaba por instantes a ficar cego, pois lhe falta a beleza dos olhos que somente vem pela insistência do sonho, da poesia e da utopia. É verdade ou não é que pessoas sonhadoras e utópicas – não no sentido negativo do termo - possuem um olhar muito mais brilhoso e cativante? Por outro lado, as pessoas realistas em demasiado, expressam no olhar uma desilusão tal qual um olhar “de peixe morto”.  Realidade em excesso pode matar, enquanto que uma vida cheia de sonhos e de boas utopias nos garantem no mínimo um olhar alegre e saltitante e no máximo, uma esperança constante durante todo o trajeto da vida percorrido. 

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