sábado, outubro 01, 2011


 
Não vás à minha frente,
que não te posso acompanhar.
Não vás atrás de mim,
que não me poderás guiar.
Caminha apenas junto de mim
para, simplesmente, seres meu amigo.

Albert Camus, escritor francês (1913-1960)


Nenhum ser humano se afasta tanto de ti
que não possa encontrar-te de novo...
Quando alguém vem a ti,
não importa a idade, o dia
nem a sua condição humana.
Se vier com o espírito sincero,
descobriá o teu Amor
como uma fonte de frescura inalterável.

Soren Kierkegaard (1813-1855)


Belíssimo texto do Papa João XXIII

Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, sem querer resolver de uma só vez todos os problemas da minha vida.

Hoje, apenas hoje, terei o máximo cuidado na minha convivência: afável nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar, nem corrigir ninguém à força se não a mim mesmo.

Hoje, apenas hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo mas também já neste.

Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias sem pretender que sejam todas as circunstâncias a adaptarem-se aos meus desejos.

Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura. Assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, assim a boa leitura é necessária para a vida do espírito.

Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custa fazer; e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não o direi a ninguém.

Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.

Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente - embora as circunstâncias mostrem o contrário - que Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo.

Hoje, apenas hoje, não terei qualquer medo. De modo especial não terei medo de apreciar o que é belo e de crer na bondade.

[João XXIII, Papa]

Em 31 de Outubro de 1999, Luteranos e Católicos assinam a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação

 


No dia 31 de Outubro de 1999, o bispo luterano Christian Krause, pela Federação Luterana Mundial, e o cardeal Edward I. Cassidy, pela Santa Sé, assinaram a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação.

O documento, um passo fundamental no diálogo ecuménico entre luteranos e católicos, vem dizer que ambos professam a mesa fé na doutrina da salvação (é isso que quer dizer “justificação”), embora com nuances diferentes. Unidos no fundamental.

O documento afirma sete vezes “confessamos juntos”.

Este primeiro “confessamos juntos” põe em concordância o essencial do luteranismo (sola gratia, sola fides) sem deixar que os católicos percam a face (a defesa das obras):
"Confessamos juntos: somente pela graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa dos nossos méritos, somos aceites por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para as boas obras".

Apesar de, no essencial, o documento representar a aceitação da doutrina da justificação luterana por parte dos católicos (no fundo, é dizer: “Lutero é católico”; ou “somos todos luteranos, como santo Agostinho, por exemplo”), houve luteranos que não aceitaram a declaração. Alguns defenderam que a Igreja Católica devia, na sequência da declaração, retractar-se em relação ao Concílio de Trento.
 
Bento XVI em sua Terra Natal: A Alemanha
 Texto de Anselmo Borges publicado no http://www.dn.pt/inicio/default.aspx
 
A relação com a religião na Alemanha é diferente. Por exemplo, nas universidades públicas, há Faculdades de Teologia (católica e protestante), com o mesmo estatuto das outras faculdades, e é natural a religião e o seu debate estarem no espaço público.

Percebe-se, assim, por exemplo, o apelo de Angela Merkel à união dos cristãos frente ao abandono da religião: "A religião é a base sobre a qual eu e muitos outros contemporâneos contemplamos a dignidade sagrada do ser humano. Vemo-nos como a criação de Deus, e isso guia as nossas acções políticas." A visita do Papa fará lembrar as raízes cristãs da Alemanha e da Europa. E, filha de um pastor protestante, rezou e cantou na missa celebrada pelo Papa em Berlim.

Também houve protestos por causa do carácter oficial da visita, ainda que com menos participantes do que o previsto. Apoiada por vários deputados que boicotaram o discurso do Papa no Bundestag (uns cem em 620), a manifestação juntou pouco mais de 5000 pessoas, e foi pacífica e com algum humor. O Papa declarou que todos têm o direito de se manifestar: "Tomo nota e não há nada a dizer quando a manifestação se exprime de modo civilizado."

Mesmo que a sua atitude fosse apenas no sentido de fazer da necessidade virtude, é bom que Bento XVI reconheça a pluralidade de posições e o direito à crítica. Neste sentido, foi, mais uma vez, contundente quanto à condenação da pedofilia: "É um crime" e de tal modo grave que afirmou: "Posso compreender que sobretudo quem está próximo de pessoas atingidas diga: 'Já não é a minha Igreja, a Igreja era para mim a humanização do amor. Se os representantes da Igreja fazem o contrário, não quero estar mais nesta Igreja.'"

No Parlamento, afirmou que "servir o direito e combater o domínio da injustiça é e continua a ser o dever fundamental dos políticos", advertindo que precisamente a aplicação do direito distingue o Estado de "uma grande quadrilha de bandidos" que pode ameaçar o mundo inteiro e empurrá-lo para a beira do abismo, como aconteceu na Alemanha nazi. Assegurou que o cristianismo, "ao contrário de outras grandes religiões", nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado. Defendeu fortemente a ecologia e os movimentos ecologistas, afirmando que é urgente escutar a mensagem da natureza e o respeito por ela, pois "a terra tem em si mesma a sua dignidade e devemos seguir as suas indicações". Assegurou que a cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, "do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos gregos e o pensamento jurídico de Roma" e que esse encontro configura a identidade da Europa e fixou os critérios do direito, "sendo nosso dever neste momento histórico defendê-los".

Com o Holocausto e Ratisbona em fundo, assegurou que a amizade entre católicos e judeus é "irrevogável", e, num encontro com líderes islâmicos, pediu aos políticos que "reconheçam a dimensão pública da religião" e exortou cristãos e muçulmanos a conhecerem-se melhor para melhor se entenderem, numa "colaboração fecunda".

"Quando o Papa visita a Alemanha, visita também o país da Reforma", declarou a chanceler Merkel. Bento XVI visitou em Erfurt o mosteiro onde Lutero viveu e a quem prestou homenagem, sublinhando a sua "paixão profunda" pela questão de Deus: "O pensamento de Lutero e a sua profunda espiritualidade estavam totalmente centrados em Cristo" e a grande pergunta de toda a sua investigação teológica e de toda a sua luta interior foi "como ter um Deus misericordioso".

Mas a grande frustração desta viagem foi precisamente a falta de um gesto concreto. Podia, por exemplo, levantar a excomunhão a Lutero, declarar a possibilidade da intercomunhão entre católicos e protestantes, proclamar a celebração em conjunto dos 500 anos da Reforma, em 2012. Também não pode ser indiferente à pergunta do Presidente Christian Wulff, católico praticante, divorciado e recasado: "Até que ponto a Igreja deve ser misericordiosa a lidar com os falhanços nas vidas privadas das pessoas?"
 
Os Mestres Medievais por Bento XVI

Desde o início do seu pontificado, Bento XVI dedicou as catequeses das quartas-feiras a mestres do cristianismo, começando pelos apóstolos, passando pelos padres apostólicos (aqueles que lidaram com os apóstolos), os apologetas (primeiros defensores do cristianismo), os Padres da Igreja (grandes teólogos dos primeiros séculos), etc. Pelo meio houve catequeses sobre São Paulo, no Ano Paulino.

Todas as catequeses beneditinas, geralmente de quatro ou cinco páginas, deram origem a livros. Agora chega às livrarias o volume que reúne “padres escritores do primeiro milénio” (após os Padres da Igreja), mais os “padres e escritores da Idade Média”, mais os “franciscanos e dominicanos”. As denominações não são exactas, porque na realidade são todos medievais, mas compreende-se a arrumação. E a seguir, espera-se, virá o volume dedicado às místicas deste período da história, como Ângela de Foligno, Hildegarda ou Juliana de Norwich.

Estas catequeses leves constituem excelentes introduções ao pensamento dos autores abordados. Alguns deste período são verdadeiros monstros sagrados da teologia e da espiritualidade, como João Damasceno, Anselmo de Aosta, Bernardo de Claraval, António de Lisboa, Boaventura e Tomás de Aquino.
 

A coisa perdida

Maravilhosa história sobre a amizade, a indiferença, a atenção ao diferente. Ganhou o Oscar de curta metragem em 2011. O autor, Shuan Tan, australiano de origem chinesa, tem publicados em português pelo menos dois livros: "Contos dos subúrbios" e "A árvore vermelha".


 
Julian Barnes começa “Nada a temer” (Quetzal) assim:
“Não acredito em Deus, mas sinto a Sua falta. É o que digo quando o tema é aborda. Perguntei ao meu irmão, que ensinou Filosofia em Oxford, em Genebra e na Sorbonne, o que pensava desta afirmação, mas sem revelar que era minha. Ele respondeu com uma palavra: «Lamechiche».”
O livro, todas as revistas o dizem, é sobre a morte. Eu acrescento que é também sobre Deus. E sobre a ausência dele – outra variante do mesmo assunto. A expressão “romance que não se pode largar desde a primeira página”, de que tanto se abusa, foi feita para livros como este, segundo as minhas categorias. Mas são raros. Por outro lado, até na capa se diz que é um romance, mas estou a lê-lo mais como memórias e reflexões.



O “nós” que não faz de nós mesmos o critério absoluto

 
Uma coisa é estar pessoalmente com Cristo, com o Deus vivo; a outra é que temos possibilidade de acreditar sempre e só no “nós”. Às vezes, digo que São Paulo escreveu: “A fé vem da escuta”, não da leitura. Há necessidade também de ler, mas a fé vem da escuta, isto é, da palavra viva, das palavras que os outros me dirigem a mim e que posso ouvir; das palavras da Igreja através de todos os tempos, da palavra que atualmente me dirige por meio dos sacerdotes, dos bispos e dos irmãos e das irmãs. Faz parte da fé o “tu” do próximo, e faz parte da fé o “nós”. E precisamente a exercitação no suportar-se mutuamente é muito importante; aprender a acolher o outro enquanto tal na sua diferença, e aprender que ele também deve suportar-me a mim na minha diferença, para nos tornarmos um “nós”, a fim de podermos um dia também na paróquia formar uma comunidade, chamar as pessoas para entrarem na comunhão da Palavra e caminharem juntas para o Deus vivo. Faz parte disto o “nós” muito concreto que é o Seminário, como o será a paróquia, mas sempre também o olhar para mais além do “nós” concreto e limitado, ou seja, para o grande “nós” da Igreja de todo o lugar e de todo o tempo, a fim de não fazermos de nós mesmos o critério absoluto. Quando dizemos “nós somos Igreja”, dizemos certamente a verdade: somos nós, não uma pessoa qualquer. Mas o “nós” é mais amplo do que o grupo que o está dizendo. O “nós” é a comunidade inteira dos fiéis: os de hoje e os de todos os lugares e de todos os tempos. E não me canso de repetir ainda: é verdade que, na comunidade dos fiéis, existe por assim dizer o juízo da maioria efetiva, mas não pode jamais haver uma maioria contra os Apóstolos e contra os Santos: isso seria uma maioria falsa. Nós somos Igreja. Pois bem, sejamo-lo! Sejamo-lo precisamente no abrirmo-nos ultrapassando-nos a nós mesmos e no estarmos juntos com os outros.

Bento XVI, em sua recente viagem à Alemanha.

sexta-feira, setembro 30, 2011

Você conhece o Carmelo de Lisieux, onde viveu Santa Terezinha do Menino Jesus? Então veja o vídeo:



De 21 a a 29 de setembro, una-se em oração com toda a Canção Nova e a família dos devotos de Santa Teresinha.
Comece hoje mesmo a Novena das Rosas e alcance graças especiais nesses dias que se seguem.

É bem simples...

Reza-se durante os nove dias a seguinte oração abaixo:

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, eu vos agradeço todos os favores, todas as graças com que enriquecestes a alma de vossa serva Teresa do Menino Jesus, durante os 24 anos que passou na terra e pelos méritos de tão querida Santinha, concedei-me a graça que ardentemente vos peço (pedir a graça...), se for conforme a vossa santíssima vontade e para salvação de minha alma.

Ajudai minha fé e minha esperança, ó Santa Teresinha, cumprindo mais uma vez vossa promessa de que ninguém vos invocaria em vão, fazendo-me ganhar uma rosa, sinal de que alcançarei a graça pedida.

 
Glória ao Pai... (24 vezes)
Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!
Ave-Maria...
...
Pai Nosso...

 
 
"Não quero ser Santa pela metade, escolho tudo".

Francesinha, que nasceu em Aliçon 1873, e morreu no ano de 1897. Santa Terezinha não só descobriu no coração da Igreja que sua vocação era o amor, mas sabia que o seu coração - e o de todos nós - foi feito para amar. Terezinha entrou com 15 anos no Mosteiro das Carmelitas, com a autorização do Papa e sua vida passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus.

Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, oferecia a Deus, pela salvação das almas, e na intenção da Igreja. Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face esteve como criança para o pai, livre igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus, e tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou a pequena via da infância espiritual.

O mais profundo desejo do coração de Terezinha era ter sido missionária "desde a criação do mundo, até a consumação dos séculos". Sua vida nos deixou como proposta, selada na autobiografia "História de uma alma", e como intercessora dos missionários sacerdotes e pecadores que não conheciam Jesus, continua ainda hoje, vivendo o Céu, fazendo o bem aos da terra.

Proclamada principal padroeira das missões em 1927, padroeira secundária da França em 1944, e Doutora da Igreja, que nos ensina o caminho da santidade pela humildade em 1997, na data do seu centenário. ela mesma testemunha que a primeira palavra que leu sozinha foi: " céus "; agora a última sua entrada nesta morada, pois exclamou : " meu Deus, eu vos amo...eu vos amo ".