COMO OS LÍDERES DA AMÉRICA LATINA USAM O TWITTER
Apesar do tom de piada do comentário feito pelo presidente americano,
de fato, líderes mundiais vêm cada vez mais usando a ferramenta para
incrementar suas relações diplomáticas e se comunicar com a população.
Três anos após a brincadeira de
Obama, 77% dos líderes globais ─ ou seus governos ─ usam o Twitter,
segundo dados do estudo "Twiplomacy 2013", que analisou o uso da
ferramenta por parte de líderes globais e de seus governos.
A análise levou em conta 505 perfis ─ entre
presidentes, premiês e chancelarias ─ de 153 países e incluiu
comentários e críticas sobre a maneira como tuítam os líderes
latino-americanos.
Quase todos os países da região, exceto Suriname
e Nicarágua, têm contas oficiais na rede social e o uso
do espanhol nos
perfis analisados passou de 15% em 2012 para 31% neste ano, justamente
pela participação dos líderes da região.
"O Twitter se consolidou como uma ferramenta de
integração na diplomacia, inclusive na América Latina. É uma ferramenta
rápida e muito útil nesse sentido", diz a consultora Paula Bakaj, da
agência Burson-Marsteller Brasil, responsável pelo estudo, à BBC Brasil.
Mas se o Twitter é popular entre os líderes da
região, o modo como eles usam a ferramenta varia bastante e vai dos que
postam em grande quantidade aos que abandonaram seus perfis, passando
por outros que usam a mídia social apenas para divulgar sua agenda
oficial.
Confira abaixo alguns destaques do Twiplomacy
sobre o comportamento na rede social dos líderes e governos da região e
algumas comparações com seus pares mundo afora.
A mais popular
A presidente argentina Cristina Kirchner tem o maior número de seguidores de Twitter. "Vale lembrar que a Argentina é um país com um perfil de população muito politizada, que participa mais e há mais tempo", avalia Paula Bakaj.
- Cristina Kirchner (@CFKArgentina): mais de 2,1 milhões de seguidores
- Enrique Peña Nieto, presidente do México (@EPN): 1,9 milhões
- Juan Manuel Santos (@JuanManSantos), presidente da Colômbia: 1,9 milhões
- Dilma Rousseff (@dilmabr): 1,8 milhões, mesmo sem atualizar desde 2010
- Nicolas Maduro (@NicolasMaduro): 1,2 milhões, sendo que entrou no Twitter neste ano e conquistou 1,1 milhão de seguidores em menos de 3 meses
O perfil com mais atualizações
A presidência da Venezuela é o perfil que mais posta - e não apenas na América Latina, mas também entre todos os 505 perfis analisados no estudo.
- Presidência da Venezuela (@PresidencialVen): média de 41,9 tweets por dia.
- Presidência da República Dominicana (@PresidenciaRD): 35,3 tweets pr dia
- Presidência da Colômbia (@infopresidencia): 30,7 tweets por dia
- Presidência do México (@PresidenciaMX): 24,9 tweets por dia
O mais bem conectado
Neste quesito, leva-se em conta o número de
conexões mútuas, ou seja, quantos perfis a pessoa ou órgão segue e é
seguido de volta. "Esse dado é importante porque mostra quem está
interessado em receber e compartilhar notícias de outras países, ou
seja, mostra que quer entender o que está acontecendo com outras
nações", afirma Paula Bakaj.
- Ministério das Relações Exteriores do Brasil (@MREBrasil): 15 conexões mútuas com outros órgãos ou líderes mundiais
- Laurent Lamothe (@LaurentLamothe), primeiro-ministro do Haiti: 14
- Ministério das Relações Exteriores do Peru (CancilleriaPeru): 12
- Presidente da Colômbia (@JuanManSantos): 10
O mais 'conversador'
De nada adianta ter milhões de seguidores ou ter
boas conexões, se não houver interação com os usuários. Por isso,
responder a um tweet em que foi marcado é um item relevante para se
medir o bom uso da ferramenta. E autoridades do Equador lideram nesse
quesito, com altas porcentagens de respostas.
- Rafael Correa (@MashiRafael), presidente do Equador : 83%
- Ricardo Patino (@RicardoPatinoEC), chanceler do Equador: 43%
- Laura Chinchilla (@Laura_Ch), presidente da Costa Rica: 39%
- Presidência do Panamá (@SecComunicacion): 15%
- Sebastián Piñera (@sebastianpinera), presidente do Chile: 15%
O 'caso Dilma'
Ao lado do colega francês François Hollande
(@FHollande), a presidente do Brasil é citada como exemplo de "aventura
no Twitter" - ou seja, líderes que descobriram a ferramente durante suas
campanhas eleitorais e, após eleitos, abandonaram seus perfis.
O último tweet de Dilma (@DilmaBR) foi ao ar
assim que foi eleita, em dezembro de 2010: "Amigos, muito legal ser tão
lembrada no twitter em 2010, Logo eu, que tive tão pouco tempo p/ estar
aqui c/ vcs. Vamos conversar mais em 2011."
"Os mais de 1,8 milhão de seguidores da
presidente ainda estão esperando pela continuação dessas conversas",
disse Paula, lembrando que a ferramenta poderia ter sido bem usada
durante os protestos para conversar com os brasileiros. "O custo de
governantes não usarem ou usarem mal o Twitter é o de deixar a população
desinformada, um grande risco."
Apesar do perfil inativo de Dilma, a Presidência
da República também mantém no Twitter um perfil do Blog do Planalto
(@blogplanalto), que não aparece entre os perfis analisados pelo estudo.
Tweets que ficaram famosos (tradução livre)
"Isso o deixaria feliz. Máximo, nosso filho, vai ser papai! Vou ter um neto! CFK avó! Deus te tira..., Deus te dá", tweet da presidente argentina, Cristina Kirchner (@CFKArgentina), aparentemente dirigida ao seu marido, Néstor Kirchner, morto em 2010.
"Olá a todos, estou em uma reunião, mais chata do que dançar com a sogra. Logo escrevo mais, adoro vocês!", tweet bastante irônico de Rafael Correa (@MashiRafael).
"No Estreito de Magalhães, olhando a Terra do
Fogo e a Antártida, junto a minha mulher Cecília", tweet 'em falso' do
presidente chileno, Sebastián Piñera
(@sebastianpinera), que logo foi corrigido pelos usuários, que disseram
que era algo impossível, já que a Antártida estava a 1,3 mil km de onde
ele estava.