sábado, junho 12, 2010

"Porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer correr arroios pela estepe."
[Isaías 43,19]



O ROSTO DO OUTRO

A contemporaneidade nos permite contemplar uma brutal postura individualista do homem e um anti-humanismo corrosivo na sociedade. Inserido nesta contextualidade temos o pensador Emannuel Lévinas com a sua proposta ética acerca da Alteridade voltada para o Outro como prioridade sobre o eu. Emmanuel Lévinas (foi um filósofo francês nascido numa família judaica na Lituânia).

Bastante influenciado pela fenomenologia de Edmund Husserl, de quem foi tradutor, assim como pelas obras de Martin Heidegger e Franz Rosenzweig, o pensamento de Lévinas parte da idéia de que a Ética, e não a Ontologia, é a Filosofia primeira. É no face-a-face humano que se irrompe todo sentido. Diante do rosto do Outro, o sujeito se descobre responsável e lhe vem à idéia o Infinito.
 Nascido Emanuelis Levinas no seio de uma família judaica, o pai um livreiro, Lévinas logo teve contato com os clássicos da literatura russa, como Dostoiévski – tão citado em suas obras. Aos doze anos, na Ucrânia, assiste à revolução de Outubro (1917).

Mais tarde, estabelece-se na França (1923) e inicia seus estudos de filosofia em Strasbourg. Dirigindo-se a Friburgo (1928-1929), torna-se aluno de Edmund Husserl e Martin Heidegger, dos quais será um dos primeiros a introduzir o pensamento na França. No ano seguinte, apresenta sua tese de doutorado sobre La Théorie de l’Intuition dans la Phénoménologie de Husserl (1930) e continua escrevendo artigos sobre os dois autores, alguns recolhidos mais tarde em seu En Découvrant l’Existence avec Husserl et Heidegger (1949).

Retorna a Paris até que, tendo eclodido a II Guerra Mundial (1939), é capturado e feito prisioneiro pelos alemães. Exilado por cinco anos, não poderá mais esquecer a marca do ódio do homem contra o outro homem deixada pela violência nazista. No cativeiro foi escrita grande parte de sua obra De l’Existence à l’Existant (1947), publicada dois anos após o fim da guerra. 
Durante dezoito anos (1946-1964), dedica-se à direção da Escola Normal Israelita Oriental de Paris. Nesse período publica sua grande obra Totalité et Infini (1961), a qual representa um momento de síntese das investigações a que vinha se dedicando até então. Difficile Liberté (1963) aparecerá dois anos depois, enfocando questões sobre o judaísmo. Leciona depois na universidade de Poitiers (1964-1967), na de Paris-Nanterre (1967-1973) e na de Paris-Sorbone (1973-1984). Faleceu em Paris em dezembro de 1995.

Lévinas instaura com a sua teoria, uma nova forma de pensar e ver o mundo, uma original postura de contemplar o Outro e compreende-lo, ou seja, ao invés do individuo agir frente ao outro, é a descoberta do outro que impõe a postura adequada. Esta conduta rompe com a pespectiva autonomista e individualista para sujeita-la a uma compreenssão de coletividade, de sociabilidade. Se por um lado a sociedade vive entranhada numa “ditadura” do indivualismo, do “eumismo”, onde os interesses, desejos intimos prevalecem sobre os coletivos, por outro lado o homem absorve em si e para si esta cultura que isola e exclui.

sexta-feira, junho 11, 2010


PRECISAMOS DE HOMENS EUCARÍSTICOS
Os tempos mudam. Os homens e as sociedades mudam e são mudados por seus valores, concepções e opiniões. E de acordo com a  filosofia, a essa mudança chamamos de devir. "O devir", disse Hegel, "é a verdadeira expressão do resultado de ser e nada, como unidade destes: não é só a unidade do ser e do nada, mas é a inquietação em si”. Trazemos em nós a inquietação da instrasferível mudança.

E hoje, quais mudanças, poderíamos identificar em nossa sociedade? Eu diria que várias e em variados aspectos. Mas gostaria de trazer a reflexão um aspecto de devir que hora vivenciamos em nossa sociedade atual e que me parece de fundamental e urgente necessidade conhecê-la.

A sociedade de hoje, da pós-modernidade, vive numa profunda desvalorização do Sagrado, do Transcendente, de Deus. Vivemos numa sociedade ateísta e secular. Como disse o Papa Bento XVI, “o homem de hoje vive como se Deus não existisse”. A possível “inexistência de Deus” é o ponto de partida para o surgimento das Teorias Antropológicas pagãs ou pseudocrístãos. [...]

Precisamos de novos homens e de homens novos afeiçoados com Jesus. Que tragam em si muito mais que uma postura de “machão” baseada tão somente em sua virilidade sexual e/ou relacionando a fé e a religiosidade á um comportamento meramente feminino, mas homens que baseiam suas vidas em desejar e decidir a cada dia parecer-se com o Homem das Escrituras, com o Homem da Cruz, como o Homem dos Altares: Jesus. Eis o homem.

Precisamos de Homens Eucarísticos. Homens que tragam em suas vidas as marcas da Sacralidade e da Eternidade de Deus. Homens que não tenham medo de serem chamados de “maricas” ou de “mulhersinhas” simplesmente por terem encontrado sentido e razão definitivos para suas vidas: Jesus. A Criação geme e chora como em dores de parto esperando a manifestação dos Filhos de Deus, vai dizer o Apóstolo Paulo.

E o que seria “A Criação” que São Paulo faz referência quando escreve aos romanos se não o mundo, a sociedade, as pessoas, os nossos ambientes de trabalho, estudo, lazer e os lugares de manifestação de nossa religiosidade?. Esses lugares precisam urgentemente da manifestação desses Homens Eucarísticos, destes Homens do Altar.