sábado, outubro 27, 2012


Sínodo 2012: A "Nova evangelização" e o compromisso na política e economia

Bispos reunidos no Vaticano querem católicos ao encontro da sociedade, sem «pessimismo»


Cidade do Vaticano, 26 out 2012 (Ecclesia) – Os participantes no Sínodo dos Bispos, que decorre no Vaticano, afirmaram hoje que a ‘nova evangelização’ da Igreja Católica tem de passar pelo compromisso efetivo no campo político e económico, recusando o pessimismo.

“Um âmbito em que a luz do Evangelho pode e deve iluminar os passos da humanidade é o da vida política, à qual se pede um compromisso de cuidado desinteressado e transparente pelo bem comum”, assinala a mensagem final desta assembleia, apresentada em conferência de imprensa.

No texto, divido em 14 pontos, os representantes dos episcopados católicos convocados pelo Papa assinalam que “a secularização e a crise do primado da política e do Estado pedem que a Igreja repense a sua própria presença na sociedade”, perante “mudanças sociais e culturais”.

“Mesmo nas formas mais ásperas de ateísmo e agnosticismo podemos reconhecer, ainda em modos contraditórios, não um vazio, mas uma nostalgia, uma espera que requer uma presença adequada”, indica o documento.

Para o Sínodo, "não há lugar para o pessimismo nas mentes e nos corações" dos católicos.
A 13ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, um organismo consultivo criado por Paulo VI em 1965, tem como tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé cristã’ e decorre até domingo.

Segundo os participantes nesta reunião magna, onde se incluem os bispos do Porto e de Lamego, não se trata de “inventar novas estratégias” mas de adaptar a mensagem cristã às “condições” atuais.

Nesse sentido, o documento conclusivo dirige-se “ao mundo da economia e do trabalho”, deixando críticas às condições que transformam a realidade laboral “num peso insuportável, com uma perspetiva incerta, ameaçada pelo desemprego em especial entre os jovens”.

Os bispos apelam ao respeito pela vida e do matrimónio, à liberdade na educação, à promoção da liberdade religiosa, bem como à “eliminação de injustiças, desigualdades, discriminações, violência, racismo, fome e guerra”.

O texto que sintetiza as centenas de intervenções dos prelados apresenta o “rosto do pobre” como um desafio à Igreja: “As muitas e novas formas de pobreza abrem espaços inéditos ao serviço da caridade”.

Os mais de 260 participantes na assembleia convocada por Bento XVI – um número recorde - reuniram-se em 20 ‘congregações gerais’ desde o dia 7 deste mês e preparam agora as propostas que vão entregar ao Papa, no sábado.

“Em todos os lugares se sente a necessidade de reavivar a fé, que corre o risco de apagar-se em contextos culturais que colocam obstáculos ao seu enraizamento pessoal, à sua presença social”, alertam os bispos, na sua mensagem ‘ao Povo de Deus’.

O documento fala na busca dos que procuram o “significado pleno da existência” e alerta para as “águas contaminadas” que se encontram entre os “muitos poços que se oferecem para a sede do homem”.

Migrações e globalização são apresentados como “oportunidade para alargar a presença do Evangelho”, que deve chegar ainda às famílias, aos jovens, ao mundo dos media, da cultura, da ciência e, em particular, ao “coração e mente, muitas vezes distraídos e confusos, dos homens e mulheres” de hoje.

O texto faz ainda uma referência ao diálogo ecuménico e inter-religioso, com críticas ao “fundamentalismo” e à violência entre crentes, antes de dirigir uma saudação específica aos católicos em cada um dos cinco continentes.

OC

Alunos criam páginas na web para 'dedurar' deficiências de escolas

NATÁLIA CANCIAN
DE SÃO PAULO


Paredes sustentadas por escoras, janelas quebradas, fiação exposta e refeitório fechado na hora da merenda. Imagens de problemas como esses começam a se espalhar nas redes sociais.
 

Inspirados pela catarinense Isadora Faber, 13, estudantes de todo o país criaram seus "diários de classe" na web para mostrar as deficiências estruturais e pedagógicas das escolas públicas em que estudam.

Isadora foi pioneira com sua página sobre uma escola municipal de Florianópolis.
Ganhou apoio de mais de 300 mil pessoas na internet e, após receber críticas, a instituição foi reformada.

Desde então, a ideia se espalhou. A Folha localizou ao menos 30 páginas. Alguns estudantes relatam melhorias. Outros, represálias.

A escola de Emerson Mendes, 17, em Itamaraju (BA), ganhou cortinas para bloquear a luz do sol que atingia os alunos e os impedia de ver as anotações na lousa. Também voltou a ter lanche, que não era servido havia dois meses.

As portas do banheiro feminino, que estavam soltas, foram consertadas. "Mas ainda temos fechaduras quebradas e fiação exposta", diz.

A Secretaria de Educação da Bahia diz que fará reformas no local. Aluno de uma escola de Maceió (AL), Juan Douglas de Sá, 13, chamou a atenção para um bebedouro quebrado e para os laboratórios que não eram usados. Deu certo. Mas nem todas as iniciativas são bem recebidas.

"Falaram que eu estava deixando a escola com um telhado de vidro" ao publicar os problemas, conta Cristiano Aro, 16, de Cotia (SP). 

Aluno do 2º ano do ensino médio em Curitiba, Igor Castro, 18, conta que sofreu represálias de uma professora, que o aconselhou a mudar de escola. "Parece que querem que os problemas sejam escondidos", diz o aluno, que também foi chamado para conversar com o diretor.

"Pedi que ele apagasse alguns comentários ofensivos. Se o objetivo é melhorar a escola, ele não pode deixar que isso se perca", conta o diretor, Joaquim Faustinoni.

Para Vania Kenski, professora de pós-graduação em educação na USP, as escolas precisam aprender a lidar com o uso da tecnologia. "Estamos em um processo marcado pela transparência do que acontece atrás dos muros da escola. É uma nova forma de cultura. E é irreversível."

Diretora da ONG Todos Pela Educação, Priscila Cruz diz que os "diários de classe" devem se preocupar também em apontar soluções e pontos positivos, e não apenas em expor os problemas.
 
CARTEIRAS E REFORMAS
A página que Guilherme Patrício, 14, mantém com a ajuda de um colega para falar dos problemas da escola ganhou, em menos de um mês, 800 seguidores. Metade veio em uma só semana. Agora, ele tenta organizar o tempo para atualizá-la ao menos duas vezes ao dia junto com Victor Nascimento, 14.

A ideia é colocar fotos, contar sobre o dia a dia e falar sobre os problemas da Escola Estadual São Paulo, no centro da capital paulista. A maioria das queixas está relacionada à infraestrutura.

Uma das reclamações refere-se às janelas (que começam a ser trocadas) e carteiras quebradas. As rachaduras também são alvo do olhar atento do garoto, que sonha em fazer engenharia.Enquanto isso não acontece, Guilherme acompanha as mudanças na escola, onde estuda há dois anos. E diz que tem o apoio de colegas e professores. "Eles pedem nossa ajuda para tentarmos melhorar [a escola]", conta.

Guilherme comemora duas conquistas: a instalação de uma porta em uma sala de aula e o "fim" de um buraco em um piso na área externa. Agora, quer cobrar segurança. "Aqui perto está cheio de usuários de droga. Já vi uma colega ser assaltada."

Mãe de Guilherme, Ivaneide Araújo, 47, diz que aprova a iniciativa dos garotos e espera por mais mudanças.

"Achei excelente. Vi que, depois da página, já tomaram algumas atitudes. É até pouco perante o problema que há por lá, mas já é um início."

Segundo Victor, que estuda no local há quatro anos, o próximo passo é fazer uma campanha para preservação -recentemente, a instituição foi alvo de uma depredação por alunos. Doze acabaram transferidos.

"Uma coordenadora deu a ideia. Além da página, vamos fazer cartazes e espalhar na escola. Queremos que isso não aconteça mais", diz.

A Secretaria da Educação de São Paulo diz que a escola recebeu 160 carteiras novas e que passará por uma reforma geral, ao custo de R$ 4,6 milhões. A previsão é que a obra comece no primeiro trimestre de 2013.

segunda-feira, outubro 22, 2012


 
Amizade como a arte da Pedra
damião fernandes
 
" A cada dia me convenço que o mundo não é capaz de entender uma amizade verdadeira, desprovida de interesses mesquinhos e egoístas. O mundo não é capaz de entender uma amizade quando é nascida em Deus e n'Ele estabelecido os laços. São Francisco e Santa Clara, Davi e Jonatas, Santa Teresa e São João da Cruz, são alguns exemplos. Esse modelo de amizade chega a ser escandá-lo para o mundo. A cada dia me convenço que este modelo de amizade não é um presente que se ganha por bom comportamento ou elogiosa simpatia. As amizades não nascem prontas, assim como também os amigos. Tanto um como outro devam ser construídos nas agruras e aliviamento do tempo, das escolhas. É próprio dos amigos e das verdadeiras amizades o "não estar pronto" ou o "ainda não". Os verdadeiros amigos não são oferecidos "A Lacarte", mas precisam ser buscados como se busca agulha no palheiro. É preciso lapidar a pedra e entrar na arte da espera, e desse processo ver surgir a pedra preciosa da amizade verdadeira, do amigo garimpado."


Cultura do Logro
 Marcia Tiburi

Um artista conhecido viveu a seguinte situação: fez uma campanha para angariar dinheiro destinado a ajudar uma instituição de caridade. Tendo recebido um apoio incrível em nome da campanha de seus milhares de fãs cadastrados em seu mailing e nas redes sociais, ele imaginou que conseguiria arrecadar um bom valor, suficiente para o fim destinado.

A promessa era grande. Acontece que quase ninguém se moveu para, de fato, apoiá-lo. O dinheiro conseguido foi irrisório em relação ao esperado. E o que era esperado? Ora, algo que parecia estar sendo prometido. Mas algo estava sendo “prometido”?

De fato, não é bem assim. A confusão entre o que se insinua e o que se promete é questão importante. Insinuar é o gesto de sub-prometer. No mercado amoroso, por exemplo, a insinuação se constitui como mero sinal que pode ou não implicar realização de fato. Insinuar sempre pode significar outra coisa. A insinuação é um tipo de pré-prática. Ela se coloca como a antessala dos fatos, onde muitos se acomodam tranquilamente.

No campo sexual, ela é um gozo em si mesmo. Preâmbulo da sedução, a insinuação não implica compromisso. A sedução é mais perigosa, exige que algo entre o poder e a impotência se verifique na prática. A insinuação não. Ela fica aquém da sedução no prazer sinuoso daquilo que compraz porque não compromete.

Neste contexto é que podemos falar de uma cultura do descompromisso em vigência entre nós. Ela se alegra com a ameaça, não com o feito. É o falar sem precisar fazer, embora saibamos que falar é, de algum modo, sempre fazer.

Outro exemplo é o de inscritos previamente em debates, lançamentos e aulas abertas. Quando são abertas inscrições gratuitas, há sempre um excesso de inscritos que não comparecem. Sem inscrições as pessoas comparecem, pois tem medo de perder o evento. Mas a inscrição prévia, quando o evento é de graça, abre a possibilidade de descumprir o compromisso assumido sem nada perder. Há uma satisfação complexa nesta promessa feita para ser descumprida: é o gozo do logro.

Vantagem pela enganação

Mas que tipo de gozo é este capaz de caracterizar nossa cultura? O logro é a vantagem pela enganação. Se estamos de fato vivendo em uma sociedade do espetáculo que hipervaloriza a imagem, o gozo se realiza, por exemplo, no “aparecer”. Se digo que vou, me valorizo. Posso dizer que já ganhei alguma coisa, já tenho um lucro narcísico só de imaginar o outro me esperando. Se digo que vou e não vou, engano quem me valorizou e aí, mais que lucro, o que obtenho é logro. Enquanto o lucro é positivo, o logro é negativo.

O logro é um procedimento capitalista e religioso ao mesmo tempo: logra-se um Deus ao acender para ele uma vela pedindo-lhe muito mais do que se pode dar em troca. Logra-se um fiel que paga o dízimo prometendo-lhe o que não pode ser cumprido. Logra-se um trabalhador com seu salário. O comprador com a mercadoria. Logra-se qualquer pessoa para quem se faz uma promessa em cujo nome se consegue algo em troca.

A universalidade da promessa, em nossos dias, vem mostrar que, ao mesmo tempo, ela se tornou banal. Por isso, os casamentos em igrejas já não valem nada: prometer companheirismo até “que a morte nos separe” é expressão vazia bancada pela cultura secularizada. Ritual sem significado, ritual pelo ritual, as pessoas já não desejam que ele diga o que realmente quer dizer. Ao contrário, o cumprimento exige responsabilidade – em outras palavras, um preço a pagar. E o “preço a pagar” é o contrário do logro. Neste último, a conta ou o prejuízo fica na mão do outro.

Nossa cultura do descompromisso encontra satisfação radical na promessa descumprida. Seja no amor pregado na igreja, na rede social em que se podem apoiar abstratamente todas as revoluções, sejam os compromissos genéricos que exigem o que antigamente se valorizava como a “palavra” de alguém. Em nosso dias, este significado da “palavra” foi reduzido ao flatus vocis, ao sopro inútil de uma voz emitida pelo simples prazer de falar como quem se libera de um excesso entregando ao outro seu próprio mal estar.

 

Engajamento eleitoral da Igreja Católica é inédito, diz dom Fernando Figueiredo

DANIELA LIMA
DIÓGENES CAMPANHA
DE SÃO PAULO


Bispo responsável por uma das igrejas mais assediadas por políticos em São Paulo --o Santuário do Terço Bizantino, do padre Marcelo Rossi--, dom Fernando Figueiredo admite nunca ter visto a Igreja Católica se envolver tão fortemente numa eleição municipal quanto neste ano.

"Já vi uma manifestaçãozinha aqui e acolá, mas jamais um pronunciamento oficial", afirma, ao comentar a ação do arcebispo dom Odilo Scherer, que no primeiro turno determinou que padres lessem comunicado com críticas à campanha de Celso Russomanno (PRB).

À Folha, o bispo de Santo Amaro diz que abre as portas de seu Santuário para que os fiéis possam "conhecer melhor" os candidatos.

Rechaça, no entanto, que líderes religiosos indiquem nomes aos eleitores. Apesar disso, direcionou os maiores elogios a José Serra (PSDB), que concorre com Fernando Haddad (PT). 


Folha - O Santuário acabou se tornando alvo do périplo de políticos. Como vê isso?
Vejo o santuário como local de congregação do nosso povo. Isso não só chama a atenção da imprensa, como também dos políticos, que têm ali acesso a um grupo bastante grande para se apresentar. Muitos deles vão movidos também pela fé. Gostaria que todos fossem assim.
 
O objetivo político incomoda?
Eu não pergunto a ninguém se foi lá por razão política ou religiosa. Cabe à pessoa.
 
É positiva essa aproximação dos políticos com as igrejas?
É um modo de eles se apresentarem e também de nós os conhecermos. Para votar, creio que uma das leis máximas é justamente conhecer e conhecer bem o candidato. É verdade que eles vão lá e as pessoas os veem naquele instante. Mas talvez essa primeira impressão já traga uma alegria de saber que conhece aquele candidato.
 
Não há risco de a igreja ser instrumentalizada?
Se eles [os políticos] instrumentalizam, o problema é deles. Nós fazemos com a consciência reta, desejando apresentá-los e levá-los a um encontro com o Senhor.
 
Na última semana, os materiais anti-homofobia que Haddad e Serra produziram viraram tema na campanha. Como vê isso?
Não vou entrar na questão do kit. A igreja sempre propugnou contra todo tipo de discriminação. Todos são chamados à salvação.
*Mas elaborar esse material pode ser considerado algo que desabone um candidato?
Creio que essa questão é muito delicada. Delicada demais para, numa pincelada, tratarmos sobre ela.*
 
Delicado para tratar em uma pincelada. E para tratar em ano eleitoral?
Muitas vezes os debates se tornam não muito elucidativos e, às vezes, distorcidos. Não colocaria essas questões num período eleitoral.
 
O pastor Silas Malafaia pediu voto para Serra dizendo que Haddad queria ensinar a homossexualidade. Ele está pregando o preconceito?
Eu não gostaria de julgar.
 
Mas o que acha de um líder religioso indicar candidato?
Ninguém deveria dizer quem é o candidato. É um abuso do contato e da credibilidade que os fiéis nos dão.
 
Então qual é o limite para a participação dos religiosos?
Eu diria que devemos apresentar, sim. Mas dar conhecimento não é indicar.
 
O sr. disse que é preciso conhecer bem os candidatos. Pode falar um pouco o que conhece de Haddad e Serra? 
O Haddad me foi apresentado pela família Tatto [dez irmãos filiados ao PT-SP]. Eu já o vi em outra ocasião, mas não tenho contato. Vejo que é muito inteligente, tem capacidade intelectual e também flexibilidade quando discursa. O Serra eu conheço há tempos. Pediram-me para dar a unção dos enfermos a uma senhora. Na saída, vi um porta-retratos com foto dele e perguntei de onde o conheciam. Era a mãe dele. Difícil encontrar alguém que conheça mais a cidade do que ele.
 
O sr. foi a muitas inaugurações desta gestão. Se Haddad for eleito, continuará indo?
Eu não sou ligado a este ou aquele partido. Sabia que quando os cristãos eram martirizados, eles rezavam pelo imperador, que os estava levando à morte? É uma responsabilidade da autoridade estar sempre sintonizado com o Senhor.
 
No primeiro turno, dom Odilo Scherer pediu para que padres lessem nas missas texto contra a campanha de Celso Russomanno. Como viu isso?
Eu não tinha claro até aquele momento que o Russomanno estivesse ligado à Igreja Universal. Até hoje não tenho. Como o conhecia há muito tempo, o que eu via era ligação com a Igreja Católica.
 
O sr. declarou publicamente que ele era católico.
Você sempre deve fazer o que é melhor para a pessoa. Se nada me dizia que ele não era católico, como poderia não defendê-lo?
 
É inédito o engajamento eleitoral da igreja em São Paulo?
Essa pergunta é para ele [dom Odilo], não para mim. Cheguei aqui como bispo em 1989. Sempre houve uma manifestaçãozinha aqui e acolá, mas não um pronunciamento oficial. Isso jamais.
 
Qual é o limite desse engajamento religioso?
Você apresenta [candidatos], simplesmente. Mas a igreja deve iluminar a mente do eleitor para que ele possa considerar os candidatos não só no momento presente, mas também no passado. Senão, aparece alguém da Lua com um belo discurso, e as pessoas são levadas. O conhecimento que temos, por exemplo, do Serra. Ele é mais conhecido. É mais fácil termos julgamento.
 
Ele tem alta rejeição, em parte por ter saído da prefeitura.
Mas isso é tão secundário. Ele saiu por quê? Porque não queria servir o povo? Ou quis servir o povo ainda mais, como governador? Perdemos essa referência.
 
O sr. falou do Serra, poderia destacar méritos das gestões que viu desde 1989?
A Erundina teve muita preocupação social, pela realidade sofrida do povo. O Maluf é um homem de decisão. Quando tivemos problemas na região sul, agiu imediatamente. O Pitta bem menos...
 
E a Marta Suplicy?
Marta, Marta, Marta.... O que eu poderia falar da Marta? Aqui na região sul... Ela tinha uma preocupação pela saúde. Vemos postos de saúde que ela incentivou. Isso foi importante. A atuação do Kassab também tem sido marcante aqui na região.
 
A maioria da população reprova a gestão dele.
Eu fico sempre me perguntando: de onde que vem isso? Acho injusto. Acho não, creio. Vocês que estão na imprensa, o que me dizem? Não é um pouco pegar os aspectos que não são positivos e alardear, e isso faz com que a imagem da pessoa seja denegrida?
 
O senhor se refere ao Kassab?
Pode ser qualquer pessoa, até um santo. Pegue irmã Dulce. Pega um aspecto que não era muito positivo e começa a divulgar. Cria-se uma ideia contrária à pessoa.
 
O sr. recebe crítica por receber os políticos?
Às vezes recebo críticas: "Você recebeu Fulano, ele nem é católico e o senhor o deixou comungar". Há uma lei na igreja que, se a pessoa se aproxima para a comunhão, você não pode negá-la.
 
Antes do primeiro turno, o candidato Gabriel Chalita veio a uma missa na qual estava o Serra. Ele reclamou que precisou "se convidar" para o evento. Na ocasião, o sr. não quis comentar.
Continuo sendo elegante com ele.
 
Ele se queixou com o senhor?
Continuo sendo elegante com ele. Estou começando a ser político! [risos]

domingo, outubro 21, 2012

 
 
Estudos sugerem fortes ligação entre NOVELAS DA GLOBO e o aumento no número de DIVÓRCIOS NO BRASIL
 
BBC

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e um aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas.

Na pesquisa, foi feito um cruzamento de informações extraídas de censos nos anos 70, 80 e 90 e dados sobre a expansão do sinal da Globo – cujas novelas chegavam a 98% dos municípios do país na década de 90.

Segundo os autores do estudo, Alberto Chong e Eliana La Ferrara, “a parcela de mulheres que se separaram ou se divorciaram aumenta significativamente depois que o sinal da Globo se torna disponível” nas cidades do país.

Além disso, a pesquisa descobriu que esse efeito é mais forte em municípios menores, onde o sinal é captado por uma parcela mais alta da população local.
Instrução

Os resultados sugerem que essas áreas apresentaram um aumento de 0,1 a 0,2 ponto percentual na porcentagem de mulheres de 15 a 49 anos que são divorciadas ou separadas.

“O aumento é pequeno, mas estatisticamente significativo”, afirmou Chong.
Os pesquisadores vão além e dizem que o impacto é comparável ao de um aumento em seis vezes no nível de instrução de uma mulher. A porcentagem de mulheres divorciadas cresce com a escolaridade.

O enredo das novelas freqüentemente inclui críticas a valores tradicionais e, desde os anos 60, uma porcentagem significativa das personagens femininas não reflete os papéis tradicionais de comportamento reservados às mulheres na sociedade.

Foram analisadas 115 novelas transmitidas pela Globo entre 1965 e 1999. Nelas, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros.

Nas últimas décadas, a taxa de divórcios aumentou muito no Brasil, apesar do estigma associado às separações. Isso, segundo os pesquisadores, torna o país um “caso interessante de estudo”.

Segundo dados divulgados pela ONU, os divórcios pularam de 3,3 para cada 100 casamentos em 1984 para 17,7 em 2002.

“A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras”, diz a pesquisa.

NOVELAS provocam queda em natalidade no Brasil, diz estudo
Fonte BBC

A queda na taxa de natalidade no Brasil está relacionada com a audiência das telenovelas, segundo sugere um estudo realizado no Centro de Pesquisas para Política Econômica da Grã-Bretanha (CEPR, na sigla em inglês).

Segundo o estudo, o tamanho pequeno das famílias representadas nas tramas das novelas brasileiras seria distante da realidade e influenciaria as mulheres a desejar poucos filhos.

Dados do Censo indicam que a taxa de natalidade caiu de 6,3 crianças por cada mulher em 1960 para 2,3 em 2000.

De acordo com a pesquisa, esse declínio se deve não apenas pelo hábito de assistir televisão, mas especificamente pela audiência das telenovelas produzidas pela Rede Globo.

“Descobrimos que as mulheres que vivem em áreas cobertas pelo sinal da Globo apresentaram taxa de natalidade muito menor. As novelas mexicanas e importadas transmitidas por outros canais não causaram impacto na natalidade”, diz o estudo, conduzido pelos pesquisadores Eliana La Ferrara, Alberto Chong e Suzanne Duryea.

Os pesquisadores analisaram o conteúdo de 115 novelas transmitidas pela Globo em dois horários diferentes entre 1965 e 1999 e descobriram que 72% das personagens femininas com idade até 50 anos não tinham filhos, comparados com 21% das personagens que eram mães.

Para alcançar os resultados, a equipe comparou os dados das novelas com o índice de natalidade do país e o alcance do sinal da emissora em diversas áreas.

O estudo indica que há uma relação entre o alcance do sinal da emissora e uma diminuição nas taxas de natalidade das mulheres que vivem nas áreas cobertas pelo canal. Segundo a pesquisa, o impacto é maior em mulheres com nível sócio-econômico mais baixo e na fase central e mais adiantada do ciclo de fertilidade.

Nomes

Além da análise do impacto no índice de natalidade, a pesquisa aponta ainda que as personagens femininas influenciam de maneira “surpreendente” as escolhas dos nomes dos filhos.

“As mães que vivem em áreas cobertas pela Rede Globo são quatro vezes mais propensas a batizar seus filhos com o nome de um dos personagens das telenovelas”, diz a pesquisa.

Os pesquisadores compararam 15 nomes de estudantes do ensino fundamental recolhidos no Ministério da Educação em 2005. A equipe comparou os padrões dos nomes mais comuns com os nomes dos personagens principais das telenovelas da Globo no ano em que as crianças nasceram – a maioria em 1994.
Depois da análise, os pesquisadores descobriram, entre os 20 nomes mais comuns de bebês nascidos em 1994, pelo menos um era também o nome de um personagem de alguma novela transmitida naquele ano.

“Acreditamos que estes dados sobre o padrão dos nomes sugere uma relação forte entre o conteúdo da novela e o comportamento da audiência”, diz o estudo.

Para os pesquisadores, o impacto das telenovelas na população pode ter implicações importantes para os governos elaborarem suas políticas públicas em países em desenvolvimento, onde a taxa de analfabetismo é elevada.

“Nosso trabalho sugere que os programas direcionados para a população local têm potencial para atingir um número enorme de pessoas a um custo muito baixo”, diz a pesquisa.

Para os pesquisadores, questões como a educação infantil, a Aids e os direitos das minorias podem ser levantadas em programas de televisão.

A alegria da Fé e a evangelização

Padre Fernando Domingues, Missionário Comboniano, Reitor do Pontifício Colégio Urbano – Roma


O Papa aos jovens

Esta quinta-feira (11.10.2012) foi bonita. Apenas a alguns dias da abertura do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, o Papa presidiu, aqui ao lado na Praça de São Pedro, a uma solene Eucaristia para inaugurar o Ano da Fé que quer celebrar os 50 anos do início do Concílio Vaticano II.
Muitos de nós, ali presentes, gostámos de ver o Patriarca Bartolomeu I de Istambul (Constantinopla) numa cadeira de honra: o chefe da Igreja Ortodoxa ao lado do nosso Santo Padre, a tratarem-se em público como irmãos, e ali bem perto também o arcebispo Primaz da Comunhão Anglicana, Rowan Williams. Aquele espírito de fraternidade entre as Igrejas cristãs que o Concílio Vaticano tanto sonhou há 50 anos, estava ali bem presente.

As palavras podem dizer muito, mas gestos destes dizem muito mais!

À noite houve outro momento daqueles que ficam como um tesouro na memória por muito tempo: mais de 40 000 jovens cristãos a cantar, a rezar e a fazer festa. A praça iluminada pela luz de milhares e milhares de velas acesas que eles traziam na mão, e lá de cima, da sua janela, o Papa Bento que sorria e os encorajava dizendo que é preciso descobrir de novo o espírito e a letra do Vaticano II, e comprometer-se com alegria para oferecer o evangelho de Jesus aos jovens de hoje.

No dia seguinte um jornal diário aqui de Roma comentava: e ainda dizem por aí que os jovens não se interessam pela fé cristã. Alguém quer explicar de donde é que vieram estes 40 000?
Depois do encontro na Praça de São Pedro os jovens distribuíram-se por uma série de Igrejas aqui no centro de Roma e as orações, os cantos, os testemunhos de fé que davam a quem quisesse ouvir, continuaram pela noite dentro.

Bem gosta de insistir o nosso Papa que não há uma Igreja antes do Concílio e outra Igreja «nova» depois dele: é a mesma Igreja que vai dando passos um depois do outro como vai entendendo que o Espirito de Jesus indica. Falar de ‘acelerar a reforma’ ou tentar voltar atrás para recuperar um suposto ‘passado de ouro’ são ideias que pertencem mais à demagogia do que ao caminho real das nossas comunidades cristãs.

Palavras do Sínodo

O ‘Ano da Fé’ apenas inaugurado está, já no início, fortemente colorido por algumas palavras que os membros do Sínodo vão sublinhando.

Na pequena intervenção que cada ‘padre sinodal’ pode fazer durante esta primeira semana aparece com muita frequência a ideia que não estamos a falar de outra evangelização, diferente daquela que Jesus nos confiou quando disse “Ide por todo o mundo… sereis minhas testemunhas … e eu estarei convosco até ao fim dos tempos”.

Um bispo francês disse francamente que boa parte da sua diocese é hoje terra onde é preciso levar a primeira evangelização: a maior parte das pessoas que lá vivem de facto não conhecem o evangelho de Jesus, e o testemunho de vida da Igreja é algo que fica longe da vida quotidiana real da maior parte das pessoas.

Um outro bispo, africano, confessou que a maior parte da população do seu país recebeu o batismo, depois de mais de cem anos de ação missionaria. Mas boa parte dessa gente de facto já não vive segundo o evangelho de Jesus e tem pouco ou nada a ver com a vida da Igreja.

Se estas realidades nos fazem pensar, enche-nos de alegria o testemunho de muitos que falam de comunidades cristãs cheias de vitalidade e dinamismo, a crescer rapidamente, mesmo se por vezes em contextos de dificuldade e de sofrimento.

O próprio Papa Bento não se cansa de insistir que a nova evangelização é o testemunho de vida e o anúncio em palavras claras que a Igreja sempre procurou oferecer; só que, nos nossos tempos, precisamos de renovar a nossa alegria e entusiasmo pela fé que vivemos e somos convidados a anunciar com métodos, instrumentos, oração profunda e alegria que precisam mesmo de ser novos para que a mensagem possa chegar aos ouvidos e ao coração dos nossos contemporâneos.

A nossa parte

Estou aqui em Roma com uma equipa internacional de formadores, a animar uma comunidade de seminaristas maiores (licenciatura e mestrado) vindos de mais de trinta países diferentes e dos quatro continentes do sul e do oriente do mundo. Perguntamo-nos a nós mesmos: o que podemos fazer para colaborar no anúncio de Jesus Cristo já aqui e agora?

Ao todo, com os animadores, somos quase 180, vindos de todo o lado, enviados pelos próprios bispos; os grupos nacionais mais numerosos são o da India (de rito latino, siro-malabar e siro-malankar), cerca de 20 são da República Popular da China, quase outros tantos do Vietname; gente das ilhas do Pacífico e outros dos países do Médio Oriente (estes pertencem às igrejas de rito oriental – Maronita, Caldeia, Copta, Antioquena); da África os grupos maiores são os do Congo e do Sudão (norte e sul), e por aí adiante.

Para além da nossa presença regular todos os fins de semana nas comunidades cristãs de Roma (paróquias, cozinhas para os pobres, casas que acolhem doentes ou deficientes,…) este ano queremos ter uma presença particular entre os imigrantes que proveem dos nossos países de origem. Estamos a organizar uma série de coisas e o objetivo é ajudar essas irmãs e irmãos a ‘sentirem-se em casa na ‘casa de Pedro’. Queremos caminhar com eles para experimentarmos juntos que a nossa fé cristã, podemos vivê-la e celebrá-la à nossa maneira também aqui em Roma. Mais ainda, com as nossas maneiras de viver e celebrar a fé, podemos enriquecer os cristãos de cá, e os que aqui vieram ter, de outros países e continentes. Queremos dar um pequeno contributo para que a Igreja que está em Roma seja cada vez mais a comunidade cristã onde quem chega de fora possa dizer: “Estamos na casa de Pedro, sentimo-nos em nossa casa”.

Em caminho para a noite de Páscoa

Sejam as palavras que ouvimos no Sínodo que está a decorrer aqui a poucos passos, seja esta vontade de descobrir de novo a letra e o Espírito do Concílio Vaticano II que se respira aqui por todo o lado nestes dias, penso que sublinham de maneira muito forte outras duas palavras de escutamos da boca de muitos bispos: a Igreja é chamada a ser missão e serviço.

Das comunidades cristãs em todos os ângulos do mundo, que aqui no Sínodo falam pela boca dos seus bispos e dos vários representantes religiosos e leigos, vem com frequência a necessidade de redescobrir a evangelização como algo de muito profundo e ao mesmo tempo muito simples.

Muito profundo porque se trata do ser, da natureza da Igreja. De facto, a Igreja começou quando os apóstolos, juntamente com todos aqueles e aquelas que lá estavam no dia do Pentecostes, receberam o Espírito de Jesus e começaram a dar testemunho da sua nova fé contando em todas as línguas a história de Jesus, a começar pela sua morte e ressurreição, que era o mistério principal que agora o tornava capaz de viver em Deus e de acompanhar o caminho dos discípulos, onde quer que eles se sentissem impelidos a ir anunciar o evangelho. Ainda não tinham manuais de teologia nem compêndios de doutrinas e dogmas a explicar conceitos filosófico-teológicos de grande complexidade. Bastava contar a história de Jesus e mostrar que a Sua presença transformava a vida dos que acreditavam e recebiam o batismo para se juntarem ao grupo dos anunciadores. A missão era, por isso, algo de muito simples. Como alguém dizia um destes dias: trata-se de um amigo crente que conta a história de Jesus ao seu amigo que ainda não crê.

Quando penso nos anos de serviço missionário que passei nos bairros de lata da periferia da capital do Quénia, o momento mais bonito de todo o ano era sempre a celebração da vigília pascal. Nos três centros da paróquia onde celebrávamos a noite da Páscoa, batizávamos ao todo cada ano, uns 400 adultos e jovens, depois de dois anos de catecumenato bem exigente. Eu enchia-me de maravilha a pensar como aqueles homens e mulheres tinham chegado ao batismo: sempre pelo convite de um amigo, de uma vizinha, de um colega de escola… Era isso mesmo, a fé passava de um amigo a outro… A Igreja vive para isso mesmo.

A outra alegria grande era ver como todos os que recebiam os sacramentos da iniciação cristã nessa noite – batismo, eucaristia e crisma – assumiam um serviço concreto na comunidade cristã. Quem se juntava a um dos coros, quem aos grupos litúrgicos, quem aos grupos de serviço aos mais pobres, ou aos doentes, quem se juntava a um ou uma catequista para se tornar catequista por sua vez, depois de dois ou três anos de tirocínio. Na celebração do domingo do Pentecostes, quanto todos anunciavam na missa o serviço que assumiam, lembro-me que até uma jovem doente terminal se levantou para dizer: ‘o meu serviço será sofrer e rezar por todos vós’. A Igreja é uma comunidade de servidores, todos têm direito a servir. Toda a vida das nossas comunidades ao longo do ano era um caminhar para aquela noite da Páscoa.

Gostei de ouvir o Papa a dizer aos jovens: precisamos todos de redescobrir o Concilio Vaticano II para renovar em nós a alegria de anunciar Jesus a todos.

Aqui limitei-me a mencionar quase de passagem e sem a pretensão de dizer tudo apenas algumas das grandes linhas indicadas pelo Vaticano II. Certamente o caminho que faremos neste Ano da Fé vai-nos ajudar a ir mais longe e a maior profundidade. O Sínodo sobre a Nova Evangelização vai oferecer algumas orientações preciosas. Aproveitemos.

Padre Fernando Domingues,
Missionário Comboniano
Reitor do Pontifício Colégio Urbano – Roma
Bispos dos EUA afirmam: "Nova Evangelização começa com a conversão pessoal"

 
 
WASHINGTON DC, 19 Out. 12 / 03:02 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Secretariado de Evangelização e Catequese da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), publicou um documento de sete pontos de reflexão sobre a Nova Evangelização, como parte das celebrações em torno do início do Ano da Fé e o 50º aniversário do Concílio Vaticano II.

Os Prelados americanos assinalam que a Nova Evangelização não pode ser distinta em conteúdo àquela que a Igreja sempre realizou. A guia de reflexão enumera sete características da iniciativa:

1.- "Não é nova em conteúdo, mas nova na sua energia e enfoque". Diante de um mundo que procura respostas para as inquietudes mais profundas, "é um chamado a compartilhar Cristo e trazer o Evangelho, com renovada energia e através de métodos em constante mudança, a novos e diferentes públicos".

2.- "Esta começa com a conversão pessoal". A guia recorda que o Papa Bento XVI falou do processo de alimentar a própria fé para assim poder irradiá-la como ilustra a parábola do pequeno grão de mostarda do qual pode sair uma grande árvore.

"A Nova Evangelização começa internamente e se estende para fora. Estamos chamados a aprofundar nossa própria fé para melhor compartilhá-la com os demais", explica o texto. "A conversão a Cristo é o primeiro passo".

3.- "É para crentes e não crentes". A Igreja faz o chamado a reanimar a prática da fé àqueles que comparecem à Eucaristia dominical, aos católicos inativos ou àqueles que não consideram que a religião seja parte de sua vida.

Os crentes são um alvo concreto também porque, como assinalou o Arcebispo da Filadelfia, Dom Charles Chaput, às vezes "as pessoas mais difíceis de serem evangelizadas são as que pensam que já estão convertidas".

4.- "Trata-se de um encontro pessoal com Jesus Cristo". A condição necessária para compartilhar a fé é ter experientado anteriormente a presença de Cristo na própria vida. Este encontro é o que promove a Nova Evangelização. "Os esforços mais autênticos e eficazes são os mais próximos a Cristo", recorda a guia.

5. "Não é um momento isolado, mas uma prática contínua". O texto recorda que o processo de conversão e de encontro com Cristo deve ser constante e dura toda a vida. Para isso, a Igreja conta com um grande tesouro.

"Os católicos têm a bênção de encontrar o seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo, nos sacramentos". Desta fonte se alimenta o espírito para poder viver de uma forma que reflita o amor de Deus a outros.

6.- "Está feita para rebater a cultura secular". A guia recorda que os cristãos devem ir contra a corrente que se afasta de Deus e da religião. Ao contrário, devem compartilhar a Cristo com entusiasmo, de palavra, pensamento e com o testemunho de suas vidas.

"Por isso o Papa Bento XVI motiva os católicos a estudarem a vida dos Santos neste Ano da Fé e a aprender do seu exemplo", explica o documento, que também cita uma célebre frase de G.K. Chesterton, um dos mais notórios autores conversos do século XX: "Cada geração é convertida pelo santo que mais a contradiz".

7.- A  Nova Evangelização “é uma prioridade da Igreja". Esta foi uma das prioridades dos 26 anos de pontificado do beato João Paulo II. De igual forma, Bento XVI criou o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização e fixou este tema para o presente Sínodo dos Bispos. Os bispos dos Estados Unidos elaboraram um importante documento que fomenta o retorno dos católicos inativos à vida de fé.

"A Nova Evangelização tem um sentido de urgência", conclui a guia de reflexão, "uma urgência de que todos os católicos abracem a graça de seu chamado batismal e compartilhem a Boa Nova de Jesus Cristo com sua família, seus amigos e seus vizinhos".

Jornadas Mundiais da Juventude são “evento de nova evangelização”, afirma secretário da CAL aos padres sinodais

Vaticano, 20 Out. 12 / 11:07 am (ACI).- Os jovens foram tema central do pronunciamento do secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), Prof. Guzmán Carriquiry, aos padres sinodais reunidos no Vaticano. “Todos sabemos bem a importância que as Jornadas mundiais tiveram para a traditio da fé em setores significativos da juventude contemporânea”, afirmou o secretário na sua intervenção no sínodo sobre a Nova Evangelização.

Segundo informou a Rádio Vaticano, o secretário da CAL definiu a JMJ como um evento de nova evangelização para a transmissão da fé às novas gerações. De acordo com o professor Carriquiry, o encontro no Rio evoca uma grande mobilização educativa e evangelizadora especialmente das juventudes latino-americanas. “Esgotada a força propulsora de ideologias e utopias, quem senão a Igreja pode dar aos nossos jovens razões de vida e de esperança?”, indagou o secretário da CAL.

Segundo o Dr. Guzmán Carriquiry, haverá uma multidão de jovens que peregrinará ao Rio com perguntas fundamentais para sua existência como jovens e como cristãos: “É necessário assumir desde já o desafio de ir educando todos os jovens peregrinos para que seu entusiasmo se conjugue com um redescobrimento e uma adesão mais firme aos conteúdos fundamentais da fé cristã.”

O professor Carriquiry concluiu dizendo: “Rezemos desde já por este acontecimento católico, confiando-o à maternidade de Maria Santíssima, para que milhões de jovens saibam mostrar o silêncio adorante diante do Corpo Eucarístico do Senhor e o silêncio meditativo diante da extraordinária pedagogia cristã do Sucessor de Pedro”.