quinta-feira, junho 27, 2013


AGORA É OFICIAL| CANTORES SECULARES na JMJ2013 no Rio de Janeiro

Após especulações de que na Jornada Mundial da Juventude no Rio poderia ter a participação de cantores seculares, JÁ É REALIDADE. Católicos estão fazendo manifestações nas redes sociais. Um dos virais foi produzido por um jovem que vai participar do evento e já passa de 13 mil compartilhamentos no Facebook.

Não tenho nada contra estes cantores, mas daí em colocá-los para se apresentarem na JMJ 2013 é extremamente desnecessário. Ao invés de colocarem cantores seculares, acho que deveriam chamar bandas e cantores CATÓLICOS que a longas datas estão na estrada com muita luta e esforço evangelizando por meio de suas músicas, bandas. Convidá-los para a JMJ RIO 2013 seria uma excelente forma de incentivá-los e promoverem seus trabalhos. Mas talvez estes não "tão famosos", não teriam poder de mídia.

Por outro lado o Comitê Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude Rio2013 esclarece que a informação sobre a participação de artistas musicais, citados pela imprensa nos últimos dias, não está confirmada pela organização do evento, uma vez que a agenda de atividades culturais não foi oficializada pela organização.

Quem primeiro ventilou essas possibilidades foi um jornalista chamado Lauro Jardim, da Revista Veja, que divulgou a informação. Pensando que o escândalo se daria apenas pelo dinheiro mal usado, horas mais tarde, a organização da JMJ contacta o jornalista não para negar a presença de Cantores Seculares nos “atos culturais”, mas para esclarecer “que o dinheiro do patrocínio não será usado para pagar os artistas." Ainda bem! A negociação para os shows seria feita com as gravadoras. Menos mal!

Crescendo ainda mais a comoção entre os católicos nas redes sociais, novamente a organização vem a público não para negar a sua intenção de contar com tais cantores, mas para “não confirmar” a sua presença, compartilhando ainda a responsabilidade de uma eventual aparição destes cantores, digníssimos representantes da cultura brasileira com o Pontifício Conselho para os Leigos.

A impressão que se tem é que, não fosse o vazamento da informação que gerou o clamor popular pela internet, com relação a presença de Michel Teló e Ivete Sangalo ou outros cantores da mesma linhagem, estariam tranquilamente se apresentando em alguns meses na JMJ.

Por isso, é importantíssimo que a organização da JMJ pudesse vir a público para ou negar peremptoriamente – e não simplesmente “não confirmar” – ou que pudesse trazer ao público uma justificativa da presença de tais artistas em detrimento da presença de centenas de milhares de outros cantores católicos que só precisariam de um simples incentivo nos seus trabalhos de Evangelização. E penso que apresentar-se em um dos palcos da JMJ Rio 2013 seria um destes incentivos oportunos.

Acredito que se trata de assegurar á Juventude e ao povo católico os objetivos religiosos e a identidade do evento e até de melhorar um pouco a imagem nada zelosa que  muitos católicos já tem de muitas festas padroerísticas que são realizadas por esse rincão do Brasil, onde acontece um ecletismo musical nada teológico no que se refere a postura e ao repertório de muitos músicos em quermesses nas “Festas Sociais”.

Qual não foi minha surpresa, uma integrante da Comissão Oficial da JMJ2013, que  trabalha no Setor responsável  pelos ATOS CULTURAIS da JMJ2013, a senhora Maristela Ciarrochi, publicou em sua conta do Facebook a confirmação da PRESENÇA dos Cantores LUAN SANTANA E FAFÁ DE BELÉM como participantes nos ATOS OFICIAIS da JMJ2013 no Rio de Janeiro.  


Veja o post abaixo: 




A Jornada Mundial da Juventude é um sonho gerado no coração de Deus e no coração do Beato João Paulo II tendo como proposta de uma evangelização da Juventude de todo o Mundo; tudo bem! Mas a JMJ é um evento promovido, organizado com bases e fundamentos Cristão-Católicos. Com uma mensagem religiosa fundamentalmente com raízes sagradas. Portanto, a mensagem dever ter também unidade em seus meios. Como se justifica a presença de cantores seculares em um evento que tem como grande objetivo levar uma mensagem evangélica para a Juventude e sempre a partir do grande modelo radical: Jesus Cristo? Isso deve estar bem claro.

E quando se fala em convidar ou contratar cantores seculares como LUAN SANTANA E FAFÁ DE BELEM para este evento, a primeira reação é de espanto: “O que esses cantores vão fazer em um evento católico se em suas canções fazem claramente apologia ao hedonismo, ao sexo livre, a um relativismo da fé, fazem apologia a um amor meramente piegas, romântico-sentimental como fundamento das relações afetivas? E mais grave: Muitas das vezes se expressam publicamente contra conteúdos da Doutrina Católica?

Seria isso uma inculturação do evangelho? Isso talvez represente algum tipo de Ecumenismo cultural-religioso? Acredito que não! Em minha opinião, realidades como estas, ajudam simplesmente á tornar ainda mais confuso na cabeça das pessoas quais os lugares próprios do SAGRADO e quais os lugares inalienáveis do Profano/SECULAR. É preciso distingui-los essencialmente e caracteriza-los identitariamente. Pois se não, estaremos alimentando ainda mais aquilo que o Papa emérito Bento XVI chamou de ‘Ditatura do Relativismo’

É uma pena, que mais uma vez estejam tentando fazer um nivelamento por baixo entre O SAGRADO e o PROFANO, entre a música que Evangeliza anunciando o Cristo Vivo e Ressuscitado na vida de milhares de Jovens e aquela música que proporciona apenas a alegria frívola, mundana e muitas das vezes anticristãs.  Em nome de UMA MAIOR DIVULGAÇÃO da JMJ do Rio de Janeiro - Como se houvesse necessidade da Igreja pegar “carona de mídia” nestes ou outros famosos - justificaficam-se a presença DO SECULAR como fonte profética do anúncio do SAGRADO.


Fica aqui minha indignação!

quarta-feira, junho 26, 2013


  
75% DOS JOVENS do Brasil acreditam mais em DEUS e na FAMÍLIA que no ESTADO - Segundo DATA FOLHA

Enquanto governantes e políticos praticam atos (medidas administrativas e legislativas) sempre mais alinhados com o programa de esquerda imaginando que a opinião pública brasileira constitui um imenso caudal a caminhar gradualmente para a extrema-esquerda a pesquisa do instituto Data Popular mostra resistência. Leiam a seguir:

Jovem confia mais em família, Deus e si próprio que no Estado, diz pesquisa
Enquete feita antes dos protestos diz que apenas 2% de brasileiros de 18 e 30 anos acreditam que governo tem papel de peso no seu futuro.

Eles confiam mais em si mesmos, em Deus e na família do que no governo, acham que os políticos em quem votaram não os representam, estão ainda mais insatisfeitos com os serviços públicos e, claro, se mobilizam pelas redes sociais.

Esse é o perfil dos brasileiros que têm entre 18 e 30, de acordo com uma pesquisa denominada ‘O novo poder jovem’, do instituto Data Popular e divulgada nesta sexta-feira (21). O levantamento foi feito dias antes de as cidades brasileiras se tornarem palco de grandes protestos, iniciados justamente por essa faixa etária, que representa mais de 42 milhões de eleitores ou 33% do total.

‘O que estamos vendo nas ruas tem a ver com essa grande crise de representatividade pela qual os jovens brasileiros estão passando. Pelo que vimos na pesquisa, ele têm a sensação de que não estão – ou no caso, não estavam – sendo ouvidos’, afirma Renato Meirelles, presidente do Data Popular.

De acordo com o levantamento, dos 1.502 jovens ouvidos, 75% disseram não confiar nos parlamentares e 59%, na Justiça.

Maior exigência

Ao serem questionados sobre a avaliação que faziam do Poder Executivo, a prefeitura recebeu a pior nota (5 em uma escala de 10), seguida do governo estadual (5,26) e a Presidência (6,94).

O fato de o poder municipal receber a avaliação mais baixa demonstra, segundo Meirelles, que a juventude quer que o político no qual votaram esteja mais presente no seu dia a dia, a começar para os problemas mais preeminentes de sua cidade.

Entre os fatores pesquisados está a qualidade dos transportes, que recebeu nota 4,08 entre jovens de capitais e regiões metropolitanas e 5,15 entre os das cidades do interior.

Esse setor deve, segundo Meirelles, ser analisado à parte porque é um serviço pago, diferentemente de saúde e educação, em que temos hospitais e escolas públicas.

‘O Brasil viveu muitos anos de predominância de trabalho informal, em que o cidadão pagava apenas impostos indiretos, ou seja, embutidos no valor dos produtos’, afirma.

‘Só agora, em um estágio de maior número de empregos formais, o brasileiro passa a ter o imposto retido na fonte e sente o leão no bolso. E então para de ver os serviços como um favor do Estado. Passa a vê-los como uma obrigação – e exige uma eficiência maior, especialmente os do serviço pagos, como os ônibus.’
 



Protagonismo

Em um aspecto mais comportamental, a pesquisa mostra ainda que o jovem de hoje confia mais em si mesmo do que no Estado para garantir seu futuro. Entre os ouvidos, 53% dizem que o próprio esforço é o principal fator que contribuiu para sua vida melhorar, enquanto que o governo foi citado por apenas 2% dos entrevistados – Deus por 31% e família por 11%.

‘Há um anseio de assumir para si essa insatisfação, de ser protagonista da própria história, mas fazendo isso por meio das urnas’, afirma o pesquisador, citando que 65% dos ouvidos disseram acreditar que podem melhorar a política brasileira por meio do voto.

A pesquisa também mostra um fator que foi crucial na atual onda de manifestações: o poder das mídias sociais.

De cada 10 jovens ouvidos, 7 tinha contas no Facebook, Twitter ou outras redes sociais. ‘Elas são a base orgânica de mobilização hoje. Ocupam o papel que antes era ocupado pelos sindicatos, centros acadêmicos etc. E isso cria uma outra mudança: em vez de serem deflagradas por essas instituições, agora essas mobilizações se dão por causas, como o aumento das tarifas de ônibus.’




terça-feira, junho 25, 2013



QUAIS OS 9 DEPUTADOS que votaram SIM á PEC37? Veja Lista completa AQUI

Veja como os deputados federais votaram, na noite desta terça-feira (25), a PEC 37, proposta que reduz poderes de investigação do Ministério Público. “Seria importante derrotar essa PEC”, anunciou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pouco antes de colher a orientação das bancadas.

Parlamentar …………. Partido ……… Voto

Roraima (RR)
Chico das Verduras ….. PRP ….. Não
Edio Lopes ….. PMDB ….. Não
Luciano Castro ….. PR ….. Não
Marcio Junqueira ….. DEM ….. Não
Paulo Cesar Quartiero ….. DEM ….. Abstenção #SEMVERGONHA
Raul Lima ….. PSD ….. Não

Amapá (AP)
Davi Alcolumbre ….. DEM ….. Não
Evandro Milhomen ….. PCdoB ….. Não
Fátima Pelaes ….. PMDB ….. Não
Sebastião Bala Rocha ….. PDT ….. Não
Vinicius Gurgel ….. PR ….. Não

Pará (PA)
Arnaldo Jordy ….. PPS ….. Não
Asdrubal Bentes ….. PMDB ….. Não
Beto Faro ….. PT ….. Não
Cláudio Puty ….. PT ….. Não
Dudimar Paxiuba ….. PSDB ….. Não
Giovanni Queiroz ….. PDT ….. Não
José Priante ….. PMDB ….. Não
Lúcio Vale ….. PR ….. Não
Miriquinho Batista ….. PT ….. Não
Nilson Pinto ….. PSDB ….. Não
Zé Geraldo ….. PT ….. Não
Zequinha Marinho ….. PSC ….. Não

Amazonas (AM)
Átila Lins ….. PSD ….. Não
Francisco Praciano ….. PT ….. Não
Henrique Oliveira ….. PR ….. Não
Plínio Valério ….. PSDB ….. Não
Silas Câmara ….. PSD ….. Não

Rondonia (RO) …..  …..
Anselmo de Jesus ….. PT ….. Não
Marcos Rogério ….. PDT ….. Não
Marinha Raupp ….. PMDB ….. Não
Moreira Mendes ….. PSD ….. Não
Padre Ton ….. PT ….. Não

Acre (AC)
Antônia Lúcia ….. PSC ….. Não
Henrique Afonso ….. PV ….. Não
Marcio Bittar ….. PSDB ….. Não
Perpétua Almeida ….. PCdoB ….. Não
Sibá Machado ….. PT ….. Não
Taumaturgo Lima ….. PT ….. Não

Tocantins (TO)
Ângelo Agnolin ….. PDT ….. Não
César Halum ….. PSD ….. Não
Goiaciara Cruz ….. PR ….. Não
Júnior Coimbra ….. PMDB ….. Não
Lázaro Botelho ….. PP ….. Não
Nilmar Ruiz ….. PEN ….. Não
Osvaldo Reis ….. PMDB ….. Não
Professora Dorinha Seabra Rezende ….. DEM ….. Não

Maranhão (MA)
Alberto Filho ….. PMDB ….. Não
Carlos Brandão ….. PSDB ….. Não
Cleber Verde ….. PRB ….. Não
Costa Ferreira ….. PSC ….. Não
Davi Alves Silva Júnior ….. PR ….. Não
Domingos Dutra ….. PT ….. Não
Francisco Escórcio ….. PMDB ….. Não
Hélio Santos ….. PSD ….. Não
Lourival Mendes ….. PTdoB ….. Sim #SEMVERGONHA
Nice Lobão ….. PSD ….. Não
Pedro Novais ….. PMDB ….. Não
Pinto Itamaraty ….. PSDB ….. Não
Professor Setimo ….. PMDB ….. Não
Sarney Filho ….. PV ….. Não
Simplício Araújo ….. PPS ….. Não
Waldir Maranhão ….. PP ….. Não
Weverton Rocha ….. PDT ….. Não
Zé Vieira ….. PR ….. Não

Ceará (CE)
André Figueiredo ….. PDT ….. Não
Aníbal Gomes ….. PMDB ….. Não
Antonio Balhmann ….. PSB ….. Não
Ariosto Holanda ….. PSB ….. Não
Chico Lopes ….. PCdoB ….. Não
Danilo Forte ….. PMDB ….. Não
Edson Silva ….. PSB ….. Não
Eudes Xavier ….. PT ….. Não
Genecias Noronha ….. PMDB ….. Não
Gorete Pereira ….. PR ….. Não
Ilário Marques ….. PT ….. Não
João Ananias ….. PCdoB ….. Não
José Airton ….. PT ….. Não
José Guimarães ….. PT ….. Não
José Linhares ….. PP ….. Não
Manoel Salviano ….. PSD ….. Não
Mário Feitoza ….. PMDB ….. Não
Mauro Benevides ….. PMDB ….. Não
Raimundo Gomes de Matos ….. PSDB ….. Não
Vicente Arruda ….. PR ….. Não

Piauí (PI)
Assis Carvalho ….. PT ….. Não
Hugo Napoleão ….. PSD ….. Não
Iracema Portella ….. PP ….. Não
Jesus Rodrigues ….. PT ….. Não
Júlio Cesar ….. PSD ….. Não
Marcelo Castro ….. PMDB ….. Não
Marllos Sampaio ….. PMDB ….. Não
Nazareno Fonteles ….. PT ….. Não
Osmar Júnior ….. PCdoB ….. Não
Paes Landim ….. PTB ….. Não

Rio Grande do Norte (RN) …..  …..
Fábio Faria ….. PSD ….. Não
Fátima Bezerra ….. PT ….. Não
Felipe Maia ….. DEM ….. Não
Henrique Eduardo Alves ….. PMDB ….. Sim #SEMVERGONHA
João Maia ….. PR ….. Não
Paulo Wagner ….. PV ….. Não
Sandra Rosado ….. PSB ….. Não

Paraíba (PB)
Benjamin Maranhão ….. PMDB ….. Não
Damião Feliciano ….. PDT ….. Não
Efraim Filho ….. DEM ….. Não
Hugo Motta ….. PMDB ….. Não
Leonardo Gadelha ….. PSC ….. Não
Luiz Couto ….. PT ….. Não
Major Fábio ….. DEM ….. Não
Manoel Junior ….. PMDB ….. Não
Nilda Gondim ….. PMDB ….. Não
Ruy Carneiro ….. PSDB ….. Não
Wilson Filho ….. PMDB ….. Não

Pernambuco (PE)
Anderson Ferreira ….. PR ….. Não
Augusto Coutinho ….. DEM ….. Não
Bruno Araújo ….. PSDB ….. Não
Carlos Eduardo Cadoca ….. PSC ….. Não
Eduardo da Fonte ….. PP ….. Não
Fernando Coelho Filho ….. PSB ….. Não
Fernando Ferro ….. PT ….. Não
Gonzaga Patriota ….. PSB ….. Não
João Paulo Lima ….. PT ….. Não
Jorge Corte Real ….. PTB ….. Não
José Chaves ….. PTB ….. Não
Luciana Santos ….. PCdoB ….. Não
Mendonça Filho ….. DEM ….. Não
Pastor Eurico ….. PSB ….. Não
Paulo Rubem Santiago ….. PDT ….. Não
Pedro Eugênio ….. PT ….. Não
Raul Henry ….. PMDB ….. Não
Roberto Teixeira ….. PP ….. Não
Sergio Guerra ….. PSDB ….. Sim
Severino Ninho ….. PSB ….. Não

Alagoas (AL).
Alexandre Toledo ….. PSDB ….. Não
Arthur Lira ….. PP ….. Não
Givaldo Carimbão ….. PSB ….. Não
João Lyra ….. PSD ….. Sim #SEMVERGONHA
Maurício Quintella Lessa ….. PR ….. Não
Paulão ….. PT ….. Não
Renan Filho ….. PMDB ….. Não
Rosinha da Adefal ….. PTdoB ….. Não

Sergipe (SE)
Almeida Lima ….. PPS ….. Não
Andre Moura ….. PSC ….. Não
Fabio Reis ….. PMDB ….. Não
Márcio Macêdo ….. PT ….. Não
Mendonça Prado ….. DEM ….. Sim  #SEMVERGONHA
Rogério Carvalho ….. PT ….. Não
Valadares Filho ….. PSB ….. Não

Bahia (BA)
Acelino Popó ….. PRB ….. Não
Afonso Florence ….. PT ….. Não
Alice Portugal ….. PCdoB ….. Não
Amauri Teixeira ….. PT ….. Não
Antonio Brito ….. PTB ….. Não
Antonio Imbassahy ….. PSDB ….. Não
Arthur Oliveira Maia ….. PMDB ….. Não
Claudio Cajado ….. DEM ….. Não
Colbert Martins ….. PMDB ….. Não
Daniel Almeida ….. PCdoB ….. Não
Fábio Souto ….. DEM ….. Não
Félix Mendonça Júnior ….. PDT ….. Não
Fernando Torres ….. PSD ….. Não
Jânio Natal ….. PRP ….. Não
João Carlos Bacelar ….. PR ….. Não
João Leão ….. PP ….. Não
José Carlos Araújo ….. PSD ….. Não
José Nunes ….. PSD ….. Não
José Rocha ….. PR ….. Não
Josias Gomes ….. PT ….. Não
Jutahy Junior ….. PSDB ….. Não
Lucio Vieira Lima ….. PMDB ….. Não
Luiz Alberto ….. PT ….. Não
Luiz de Deus ….. DEM ….. Não
Márcio Marinho ….. PRB ….. Não
Marcos Medrado ….. PDT ….. Não
Mário Negromonte ….. PP ….. Não
Nelson Pellegrino ….. PT ….. Não
Oziel Oliveira ….. PDT ….. Não
Roberto Britto ….. PP ….. Não
Sérgio Brito ….. PSD ….. Não
Valmir Assunção ….. PT ….. Não
Zezéu Ribeiro ….. PT ….. Não

Minas Gerais (MG) …..  …..
Ademir Camilo ….. PSD ….. Não
Antônio Roberto ….. PV ….. Não
Aracely de Paula ….. PR ….. Não
Bernardo Santana de Vasconcellos ….. PR ….. Sim #SEMVERGONHA
Diego Andrade ….. PSD ….. Não
Dimas Fabiano ….. PP ….. Não
Domingos Sávio ….. PSDB ….. Não
Dr. Grilo ….. PSL ….. Não
Eduardo Azeredo ….. PSDB ….. Não
Eduardo Barbosa ….. PSDB ….. Não
Fábio Ramalho ….. PV ….. Não
Gabriel Guimarães ….. PT ….. Não
George Hilton ….. PRB ….. Não
Geraldo Thadeu ….. PSD ….. Não
Humberto Souto ….. PPS ….. Não
Isaias Silvestre ….. PSB ….. Não
Jaime Martins ….. PR ….. Não
Jairo Ataíde ….. DEM ….. Não
Jô Moraes ….. PCdoB ….. Não
João Magalhães ….. PMDB ….. Não
José Humberto ….. PHS ….. Não
Júlio Delgado ….. PSB ….. Não
Lael Varella ….. DEM ….. Não
Leonardo Monteiro ….. PT ….. Não
Leonardo Quintão ….. PMDB ….. Não
Lincoln Portela ….. PR ….. Não
Luis Tibé ….. PTdoB ….. Não
Luiz Fernando Faria ….. PP ….. Não
Marcos Montes ….. PSD ….. Não
Marcus Pestana ….. PSDB ….. Não
Margarida Salomão ….. PT ….. Não
Mauro Lopes ….. PMDB ….. Não
Miguel Corrêa ….. PT ….. Não
Nilmário Miranda ….. PT ….. Não
Odair Cunha ….. PT ….. Não
Padre João ….. PT ….. Não
Paulo Abi-Ackel ….. PSDB ….. Não
Reginaldo Lopes ….. PT ….. Não
Renato Andrade ….. PP ….. Não
Rodrigo de Castro ….. PSDB ….. Não
Saraiva Felipe ….. PMDB ….. Não
Silas Brasileiro ….. PMDB ….. Não
Stefano Aguiar ….. PSC ….. Não
Toninho Pinheiro ….. PP ….. Não
Vitor Penido ….. DEM ….. Não
Weliton Prado ….. PT ….. Não

Espírito Santo (ES)
Cesar Colnago ….. PSDB ….. Não
Dr. Jorge Silva ….. PDT ….. Não
Iriny Lopes ….. PT ….. Não
Lelo Coimbra ….. PMDB ….. Não
Manato ….. PDT ….. Não
Paulo Foletto ….. PSB ….. Não
Sueli Vidigal ….. PDT ….. Não

Rio de Janeiro (RJ)
Alessandro Molon ….. PT ….. Não
Alexandre Santos ….. PMDB ….. Não
Alfredo Sirkis ….. PV ….. Não
Anthony Garotinho ….. PR ….. Não
Arolde de Oliveira ….. PSD ….. Não
Aureo ….. PRTB ….. Não
Benedita da Silva ….. PT ….. Não
Celso Jacob ….. PMDB ….. Não
Chico Alencar ….. PSOL ….. Não
Deley ….. PSC ….. Não
Dr. Carlos Alberto ….. PMN ….. Não
Dr. Paulo César ….. PSD ….. Não
Edson Santos ….. PT ….. Não
Eduardo Cunha ….. PMDB ….. Não
Eurico Júnior ….. PV ….. Não
Felipe Bornier ….. PSD ….. Não
Fernando Jordão ….. PMDB ….. Não
Fernando Lopes ….. PMDB ….. Não
Francisco Floriano ….. PR ….. Não
Glauber Braga ….. PSB ….. Não
Hugo Leal ….. PSC ….. Não
Jair Bolsonaro ….. PP ….. Não
Jandira Feghali ….. PCdoB ….. Não
Jorge Bittar ….. PT ….. Não
Leonardo Picciani ….. PMDB ….. Não
Liliam Sá ….. PSD ….. Não
Luiz Sérgio ….. PT ….. Não
Manuel Rosa Neca ….. PR ….. Não
Marcelo Matos ….. PDT ….. Não
Miro Teixeira ….. PDT ….. Não
Otavio Leite ….. PSDB ….. Não
Paulo Feijó ….. PR ….. Não
Rodrigo Maia ….. DEM ….. Não
Romário ….. PSB ….. Não
Sergio Zveiter ….. PSD ….. Não
Simão Sessim ….. PP ….. Não
Stepan Nercessian ….. PPS ….. Não
Vitor Paulo ….. PRB ….. Não
Walney Rocha ….. PTB ….. Não
Washington Reis ….. PMDB ….. Não
Zoinho ….. PR ….. Não

São Paulo (SP)
Alexandre Leite ….. DEM ….. Não
Antonio Bulhões ….. PRB ….. Não
Antonio Carlos Mendes Thame ….. PSDB ….. Não
Arlindo Chinaglia ….. PT ….. Não
Arnaldo Faria de Sá ….. PTB ….. Abstenção #SEMVERGONHA
Arnaldo Jardim ….. PPS ….. Não
Beto Mansur ….. PP ….. Não
Bruna Furlan ….. PSDB ….. Não
Carlos Roberto ….. PSDB ….. Não
Carlos Sampaio ….. PSDB ….. Não
Carlos Zarattini ….. PT ….. Não
Delegado Protógenes ….. PCdoB ….. Não
Devanir Ribeiro ….. PT ….. Não
Dr. Ubiali ….. PSB ….. Não
Duarte Nogueira ….. PSDB ….. Não
Edinho Araújo ….. PMDB ….. Não
Eleuses Paiva ….. PSD ….. Não
Eli Correa Filho ….. DEM ….. Não
Emanuel Fernandes ….. PSDB ….. Não
Francisco Chagas ….. PT ….. Não
Gabriel Chalita ….. PMDB ….. Não
Guilherme Campos ….. PSD ….. Não
Ivan Valente ….. PSOL ….. Não
Janete Rocha Pietá ….. PT ….. Não
Jefferson Campos ….. PSD ….. Não
João Dado ….. PDT ….. Não
João Paulo Cunha ….. PT ….. Não
Jorge Tadeu Mudalen ….. DEM ….. Não
José Genoíno ….. PT ….. Não
Junji Abe ….. PSD ….. Não
Keiko Ota ….. PSB ….. Não
Luiz Fernando Machado ….. PSDB ….. Não
Luiza Erundina ….. PSB ….. Não
Mara Gabrilli ….. PSDB ….. Não
Marcelo Aguiar ….. PSD ….. Não
Márcio França ….. PSB ….. Não
Milton Monti ….. PR ….. Não
Missionário José Olimpio ….. PP ….. Não
Nelson Marquezelli ….. PTB ….. Não
Newton Lima ….. PT ….. Não
Otoniel Lima ….. PRB ….. Não
Pastor Marco Feliciano ….. PSC ….. Não
Paulo Teixeira ….. PT ….. Não
Penna ….. PV ….. Não
Ricardo Berzoini ….. PT ….. Não
Ricardo Izar ….. PSD ….. Não
Ricardo Tripoli ….. PSDB ….. Não
Roberto de Lucena ….. PV ….. Não
Roberto Freire ….. PPS ….. Não
Roberto Santiago ….. PSD ….. Não
Salvador Zimbaldi ….. PDT ….. Não
Tiririca ….. PR ….. Não
Valdemar Costa Neto ….. PR ….. Sim #VERGONHA
Vanderlei Macris ….. PSDB ….. Não
Vanderlei Siraque ….. PT ….. Não
Vaz de Lima ….. PSDB ….. Não
Vicente Candido ….. PT ….. Não
Vicentinho ….. PT ….. Não
Walter Feldman ….. PSDB ….. Não
Walter Ihoshi ….. PSD ….. Não
William Dib ….. PSDB ….. Não

Mato Grosso (MT) …..  …..
Eliene Lima ….. PSD ….. Sim #SEMVERGONHA
Júlio Campos ….. DEM ….. Não
Nilson Leitão ….. PSDB ….. Não
Valtenir Pereira ….. PSB ….. Não
Wellington Fagundes ….. PR ….. Não

Distrito Federal (DF) …..  …..
Augusto Carvalho ….. PPS ….. Não
Erika Kokay ….. PT ….. Não
Izalci ….. PSDB ….. Não
Jaqueline Roriz ….. PMN ….. Não
Luiz Pitiman ….. PMDB ….. Não
Policarpo ….. PT ….. Não
Reguffe ….. PDT ….. Não
Ronaldo Fonseca ….. PR ….. Não

Goiás (GO)
Armando Vergílio ….. PSD ….. Não
Carlos Alberto Leréia ….. PSDB ….. Não
Flávia Morais ….. PDT ….. Não
Heuler Cruvinel ….. PSD ….. Não
Íris de Araújo ….. PMDB ….. Não
João Campos ….. PSDB ….. Sim #SEMVERGONHA
Jovair Arantes ….. PTB ….. Não
Leandro Vilela ….. PMDB ….. Não
Magda Mofatto ….. PTB ….. Não
Marina Santanna ….. PT ….. Não
Pedro Chaves ….. PMDB ….. Não
Ronaldo Caiado ….. DEM ….. Não
Sandes Júnior ….. PP ….. Não
Valdivino de Oliveira ….. PSDB ….. Não

Mato Grosso do Sul (MS)
Akira Otsubo ….. PMDB ….. Não
Biffi ….. PT ….. Não
Fabio Trad ….. PMDB ….. Não
Geraldo Resende ….. PMDB ….. Não
Mandetta ….. DEM ….. Não
Marçal Filho ….. PMDB ….. Não
Reinaldo Azambuja ….. PSDB ….. Não
Vander Loubet ….. PT ….. Não

Paraná (PR)
Abelardo Lupion ….. DEM ….. Sim #SEMVERGONHA
Alex Canziani ….. PTB ….. Não
Alfredo Kaefer ….. PSDB ….. Não
Andre Vargas ….. PT ….. Não
André Zacharow ….. PMDB ….. Não
Angelo Vanhoni ….. PT ….. Não
Assis do Couto ….. PT ….. Não
Dilceu Sperafico ….. PP ….. Não
Dr. Rosinha ….. PT ….. Não
Eduardo Sciarra ….. PSD ….. Não
Fernando Francischini ….. PEN ….. Não
Giacobo ….. PR ….. Não
Hermes Parcianello ….. PMDB ….. Não
João Arruda ….. PMDB ….. Não
Leopoldo Meyer ….. PSB ….. Não
Luiz Nishimori ….. PSDB ….. Não
Marcelo Almeida ….. PMDB ….. Não
Nelson Meurer ….. PP ….. Não
Nelson Padovani ….. PSC ….. Não
Oliveira Filho ….. PRB ….. Não
Osmar Serraglio ….. PMDB ….. Não
Pedro Guerra ….. PSD ….. Não
Professor Sérgio de Oliveira ….. PSC ….. Não
Ricardo Arruda ….. PSC ….. Não
Rosane Ferreira ….. PV ….. Não
Rubens Bueno ….. PPS ….. Não
Sandro Alex ….. PPS ….. Não
Takayama ….. PSC ….. Não
Zeca Dirceu ….. PT ….. Não

Santa Catarina (SC)
Carmen Zanotto ….. PPS ….. Não
Celso Maldaner ….. PMDB ….. Não
Décio Lima ….. PT ….. Não
Edinho Bez ….. PMDB ….. Não
Esperidião Amin ….. PP ….. Não
João Pizzolatti ….. PP ….. Não
Jorge Boeira ….. S.Part. ….. Não
Jorginho Mello ….. PR ….. Não
Luci Choinacki ….. PT ….. Não
Marco Tebaldi ….. PSDB ….. Não
Onofre Santo Agostini ….. PSD ….. Não
Pedro Uczai ….. PT ….. Não
Ronaldo Benedet ….. PMDB ….. Não
Valdir Colatto ….. PMDB ….. Não

Rio Grande do Sul (RS)
Afonso Hamm ….. PP ….. Não
Alceu Moreira ….. PMDB ….. Não
Alexandre Roso ….. PSB ….. Não
Assis Melo ….. PCdoB ….. Não
Beto Albuquerque ….. PSB ….. Não
Bohn Gass ….. PT ….. Não
Danrlei De Deus Hinterholz ….. PSD ….. Não
Darcísio Perondi ….. PMDB ….. Não
Enio Bacci ….. PDT ….. Não
Fernando Marroni ….. PT ….. Não
Giovani Cherini ….. PDT ….. Não
Henrique Fontana ….. PT ….. Não
Jerônimo Goergen ….. PP ….. Não
José Otávio Germano ….. PP ….. Não
Jose Stédile ….. PSB ….. Não
Luis Carlos Heinze ….. PP ….. Não
Manuela D`Ávila ….. PCdoB ….. Não
Marco Maia ….. PT ….. Não
Marcon ….. PT ….. Não
Nelson Marchezan Junior ….. PSDB ….. Não
Onyx Lorenzoni ….. DEM ….. Não
Osmar Terra ….. PMDB ….. Não
Paulo Ferreira ….. PT ….. Não
Ronaldo Nogueira ….. PTB ….. Não
Ronaldo Zulke ….. PT ….. Não
Sérgio Moraes ….. PTB ….. Não
Vieira da Cunha ….. PDT ….. Não
Vilson Covatti ….. PP ….. Não

 

Cardeal Burke: “A Igreja Católica jamais aprovará as uniões homossexuais”


A conhecida revista francesa “Famille Chrétienne”, em sua edição de 20 de junho último, publica importante entrevista do Cardeal Burke, prefeito do Tribunal supremo da Signatura Apostólica, o mais elevado e decisivo Tribunal da Santa Sé.

Nessa entrevista, feita pelo jornalista Pierre de Calbiac, o Cardeal Burke, de origem norte-americana, expõe a doutrina católica e a lei natural a propósito de temas da maior atualidade, como a família, o aborto, o homossexualismo, a proibição da comunhão a políticos abortistas e a preservação moral das crianças.
Reproduzimos aqui a íntegra dessa entrevista com tradução de Helio Dias Viana. Abaixo, o título, a pequena introdução e as perguntas são da própria revista.


*                      *                      *

 

Cardeal Burke: “A Igreja Católica jamais aprovará as uniões homossexuais”

Pierre de Calbiac
(Tradução Helio Viana)

O cardeal Raymond Leo Burke, prefeito do Tribunal supremo da Signatura Apostólica, esteve presente nas jornadas Evangelium vitae, concluídas pelo Papa Francisco I no dia 16 de junho em Roma. Ele exorta os católicos a se mobilizarem – inclusive na rua se necessário – para defender a família e a vida.

A defesa da vida é um combate incessante para a Igreja, como o atesta, entre outros, a continuação das jornadas Evangelium vitae lançadas por João Paulo II. Onde se radica essa prioridade?

A lei que a Revelação nos deu nos ensina que o primeiro direito de um ser humano é de viver. Esta verdade, que é a inviolabilidade de vida inocente, é tão mais evidente quando se lembra que Cristo morreu por todos os seres humanos sem exceção. Lembremos igualmente a parábola do juízo final: “O que fazeis ao menor dos meus é a mim que o fazeis” (Mateus 25,40). Ora, aqueles que são vivos, mas ainda não nasceram, são os menores. É por isso que a Igreja conclamará sempre a proteger a vida inocente. Mais ainda, o primeiro preceito da lei natural é o de promover e proteger a vida humana. Inscrito no coração de cada um, este preceito é participado por todo mundo, seja qual for a sua orientação espiritual.

Uma nota da Congregação para a Doutrina da Fé, assinada pelo cardeal Ratzinger em 2004, indicava que não se devia dar a comunhão a políticos católicos, homens e mulheres, que defendessem publicamente o aborto. Ela está ainda vigente?

Inteiramente! Os homens políticos que se dizem católicos, mas que defendem o aborto pretendendo não querer impor suas convicções religiosas, estão no erro, pois, como eu já o disse, a revelação divina não vem senão confirmar aquilo que a lei natural acessível a todos já estabeleceu. E aqueles que fazem abertamente a promoção do aborto não devem, portanto, ter acesso à sagrada comunhão. Esta regra de disciplina canônica está prevista no artigo 915 do Código de Direito Canônico. Os católicos devem saber manifestar sua oposição, inclusive na rua, quando necessário.

Qual é o papel da família no respeito pela vida?

A família tem o primeiro papel, pois são os pais que devem ensinar os filhos a respeitarem a vida humana e a si próprios. Em uma segunda etapa, a educação religiosa deve preparar os filhos nesse sentido. Nesta ótica, a catequese é muito importante. Durante os anos, a maneira de ensinar o catecismo às crianças foi de tal maneira pobre que há uma necessidade de realizar um verdadeiro trabalho nesse ponto. Espero que esse tempo em que a catequese foi empobrecida acabou. Lembro-me de que quando eu era bispo de uma diocese, tentei tanto que pude remediar esses problemas.

Vossa Eminência é o prefeito do Tribunal supremo da Signatura Apostólica, que vela pela boa administração da justiça eclesiástica. O que diz o ensinamento da Igreja sobre as uniões homossexuais?

O ensinamento da Igreja é muito claro. A união sexual é moral no âmbito do casamento, sendo ela a expressão de um amor fiel, permanente e fecundo, isto é, procriador, entre um homem e uma mulher. Uma nota da Congregação para a Doutrina da Fé, aparecida em 2003 e assinada pelo Cardeal Ratzinger, então prefeito dessa mesma congregação, condenava assim toda forma de legalização das uniões homossexuais. A natureza nos ensina que o homem e a mulher são feitos um para o outro. A alteridade é uma condição necessária ao casamento. Cumpre, pois, compreender que a Igreja Católica jamais aprovará as uniões homossexuais, que não podem ser naturalmente procriadoras.

Na França, a lei que legaliza o casamento homossexual foi votada. O que os católicos devem fazer doravante?

Acompanhei o combate dos franceses contra essa lei. Eu posso lhes dizer aqui: continuem a manifestar, continuem a mostrar que essa lei é injusta e imoral. A Igreja os apoiará nesse combate pela justiça. Eu incito assim os padres e os bispos a continuar nessa via e a manifestar sua oposição na rua se necessário. É importante que eles dêem o exemplo. Eu mesmo cheguei a manifestar, notadamente na Marcha pela Vida. Na Evangelium vitae, João Paulo II faz referência à desobediência civil, é nesse gênero de caso que devemos praticá-la. Os pais têm igualmente um trabalho a fazer contra essas leis insidiosas. Eles devem observar o que fazem seus filhos. O pior hoje é sem dúvida a pornografia. Os pais devem prestar atenção principalmente quando os filhos utilizam o computador e olham coisas cujos efeitos eles não medem e que fazem muito mal.

Como preservar as crianças desses desvios de conduta quando exibidos na rua?

É preciso que os pais procurem manter seus filhos longe de tudo isso e explicar-lhes o que é bem e o que é mal. A escola é também um lugar no qual importa investir. É necessário principalmente que o ensino católico seja ainda mais católico do que o é atualmente.

 


O CELIBATO SACERDOTAL e o seu desafio profético nos tempos atuais

Por José Lisboa Moreira de Oliveira

O que vou narrar inicialmente não aconteceu na Idade Média e nem na primeira metade do século passado, antes da realização do Concílio Vaticano II. Aconteceu há poucas semanas atrás, em pleno século XXI, no ano da graça do Senhor de 2013.

Um seminarista, meu conhecido, pediu-me para ser seu amigo no Facebook. Como eu o conhecia, não tive problemas para adicioná-lo. Desde então comecei a receber mensagens dele. Logo notei a pobreza de tais mensagens ou, pior dizendo, o monte de baboseiras que era postado porele, que dizia estar cursando o segundo ano de teologia. Comecei, então, a fazer alguns comentários ao que ele postava. Na última postagem o seminarista colocou uma charge com a qual justificava a necessidade(notem bem o vocábulo!) do uso da batina. Na charge um padre, estando num lugar, sem batina, vestido como o comum dos mortais, recebia uma bela cantada de uma mulher.

Percebendo o absurdo, fiz um comentário no qual chamava a atenção para algumas coisas. Antes de tudo a presença da pedagogia do medo da mulher. Dizia para o seminarista que esse medo denotava insegurança vocacional e de identidade. Em segundo lugar, mostrava que tal posição estava carregada de preconceito contra a mulher, vista como a sedutora, aquela que induz ao "pecado da carne”. Além disso, mostrei-lhe que, pela minha experiência de mais de quarenta anos de convivência direta com os eclesiásticos, nem sempre é a mulher que seduz o padre. Na maioria absoluta dos casos são padres, afetivamente carentes e psicologicamente despreparados, os sedutores das mulheres. São constantes, ainda hoje, os casos de padres que engravidam mulheres e que, inclusive, as forçam a praticar o aborto. Na Itália existe uma ONG que cuida de filhos abandonados de padres. Por fim, lembrava ao ilustre seminarista queencontrei em vários seminários casos escabrosos que aconteciam na calada da noite, apesar do uso frequente da batina. Casos de pedofilia, de casais "estáveis” de seminaristas homossexuais, os quais eram defensores ferrenhos do celibato e do uso da batina até para dormir. Concluía, então, meu comentário dizendo que a batina, por si só, não funciona, se faltar ao seminarista e ao padre aquela maturidade psico-afetiva-sexual da qual tanto falam os documentos da Igreja sobre a formação dos presbíteros. O resultado do meu comentário você já deve ter deduzido: o seminarista me excluiu da sua lista de amigos no Facebook.

O caso me fez refletir sobre o que estaria acontecendo com a formação dos padres. O que leva um seminarista do segundo ano de teologia a ter uma visão tão desequilibrada e tão medrosa do celibato? E não tive alternativa a não ser me convencer, mais uma vez, de que a maioria absoluta dos seminaristas não está sendo preparada para encarar o celibato com naturalidade. E isso por uma simples razão: a maioria absoluta deles não é portadora desse dom do Espírito. Fingem tê-lo e os formadores e bispos, mais preocupados com a quantidade do que com a qualidade, continuam fazendo de conta que não estão vendo nada. Insistem em manter a lei obrigatória do celibato, mas se recusam a afastar do ministério presbiteral todos aqueles que não são portadores desse carisma. Toda opção tem consequências sérias. E a principal consequência séria da opção da hierarquia pelo celibato obrigatório é, sem dúvida alguma, a exclusão (esta é a palavra exata), através de um bom discernimento, de todos aqueles que não possuem este dom. E tal exclusão precisa ser realizada antes de tudo para o bem dos próprios seminaristas e depois para o bem da Igreja.

E ao dizer que estou convencido de que a maioria dos seminaristas não possui o dom do celibato, estou falando a partir de experiências concretas. Várias vezes, em diversos momentos e lugares, numa simples conversa, aberta e franca, aquela do tipo "olho no olho”, isso ficou muito claro para mim. Eles não conseguem esconder seus disfarces. É claro que os seminaristas não são culpados disso. A responsabilidade é da hierarquia da Igreja que insiste em fazer de conta que tudo vai muito bem; uma hierarquia que não é capaz de ler os sinais dos tempos e repensar a questão do celibato obrigatório.

De tudo isso, podemos deduzir duas consequências. A primeira é de termos padres distantes das pessoas; padres que colocam barreiras, como a batina, para não se aproximarem do povo e para que o povo não se aproxime deles. Padres que, diferentemente de Jesus, não se misturam com as pessoas, não assumem "em tudo a condição humana” (Hb 4,15). Padres incapazes de compaixão e de misericórdia porque não vivem como vive o povo, especialmente como vivem aquelas pessoas prostradas e abatidas, sem consolação, sem esperança, sem vida e para as quais eles deveriam ter um carinho especial (Mt 9,36). Por mais que se esforcem, estarão sempre distantes, uma vez que não há como ser próximo quando se usa de artimanhas para "passar adiante, pelo outro lado” (Lc 10,31-32), longe de quem está caído. Enquanto o Concílio Vaticano II pedia aos padres para mergulharem profundamente na vida do povo, convivendo com todas as pessoas (PO,6), a formação dada nos seminários, verdadeiros "redomas de vidro”, distancia o pastor das ovelhas.

A outra consequência grave é a constatação de uma profunda fragilidade desses futuros padres. A necessidade de usar escudos de proteção, como a batina, revela uma personalidade doente, imatura, carente e psicologicamente enfraquecida. Não se trata de pensar nos padres como super-heróis, mas de ajudá-los a serem, o quanto possível, pessoas normais, sem grandes amarras e humanamente acessíveis. Como podem padres assim ser sinais sacramentais do Cristo Pastor se são incapazes de "dar a vida” (Jo 10,11) pelas pessoas? Porque o dar a vida não se reduz ao martírio, mas implica um gastar-se, um consumir-se pela humanidade (Mc 6,31). E só é possível doar-se totalmente quando não se possui nenhum tipo de "reserva”, nenhum tipo de amarra, nenhum tipo de medo da outra pessoa (Mc 2,15-17).

Estudos sérios afirmam que o homem sempre teve medo da mulher inclusive do ponto de vista sexual. Giacomo Dacquino em sua obra Viver o prazer (Paulinas, 1992) chama a atenção para este aspecto, lembrando que esse medo se exasperou nas últimas décadas em razão da progressiva emancipação da mulher. Dacquino lembra que medos cultivados em relação à mulher podem revelar que o homem não superou o complexo de Édipo, mantendo certo vínculo edípico com a mãe e rejeitando a heterossexualidade, ou seja, qualquer relação ou aproximação afetiva com as outras mulheres (pp. 147-150).

O Concílio Vaticano II, no documento sobre a vida e o ministério dos presbíteros, afirmou que a missão do padre é ajudar as pessoas a conseguirem a maturidade cristã. Diz, sem meios-termos, que de nada adiantam cerimônias bonitas, "rebanhões”, procissões, curas, movimentos eclesiais florescentes se os cristãos e as cristãs não atingem a maturidade na fé. E para realizar essa tarefa os padres devem acolher todas as pessoas: jovens, casais, famílias etc. (PO, 6). O documento conciliar sobre a formação dos padres chega a dizer que para cumprirem fielmente essa missão os seminaristas devem ser educados sobre o valor e a dignidade do casamento e sobre o que significa realmente a renúncia ao matrimônio, a qual não é renúncia ao amor (OT, 10).

Causa, pois, enorme espanto que, cinquenta anos depois, ainda se dê uma formação que estimula o medo e o cultivo de barreiras na relação dos padres com as pessoas. Nico Dal Molin, em seu belíssimo livro sobre o amadurecimento psicoafetivo, intitulado Itinerário para o Amor (Paulinas, 1996), afirma que o amor maduro tem a coragem de derrubar barreiras, uma vez que as barreiras impedem a transparência e distorcem o modo de viver o amor (pp. 144-162). O amor, como sabemos, é o distintivo por excelência do discípulo e da discípula de Jesus (Jo 13,34-35). E "no amor não existe medo; pelo contrário o amor perfeito lança fora o medo, porque o medo supõe castigo. Por conseguinte, quem sente medo ainda não está realizado no amor” (1Jo 4,18). Tenho pena das comunidades que irão receber esses futuros padres, modelados na "fôrma”da lei do temor e não educados na pedagogia do amor.

Fonte| www.adital.com.br

Roma e a Teologia da Libertação: Fim da guerra. Será?

"O movimento eclesial teológico da América Latina, conhecido como ‘Teologia da Libertação’, que, após o Vaticano II, encontrou eco em todo o mundo, deve ser considerado, segundo meu parecer, entre as correntes mais significativas da teologia católica do século XX”. Quem consagra a Teologia da Libertação com esta lisonjeira e peremptória avaliação histórica não é nenhum representante sul-americano das estações eclesiais do passado. O "certificado de validade chega diretamente do arcebispo Gerhard Ludwig Müller, atual Prefeito do mesmo Dicastério vaticano –a Congregação para a Doutrina da Fé (CdF)- que durante os anos 80, seguindo o impulso do Papa polonês e sob a guia do então cardeal Ratzinger, interveio com duas instruções para indicar desvios pastorais e doutrinais que também incluíam os caminhos que haviam tomado as teologias latino-americanas.

A avaliação sobre a Teologia da Libertação não é uma declaração que escapou acidentalmente do atual custódio da ortodoxia católica. O mesmo julgamento, meditado, aparece nas densas páginas do volume do qual provém a citação: uma antologia de ensaios escrita a quatro mãos, impressa na Alemanha em 2004 e que agora está para ser publicado na Itália com o título "De la parte de los pobres, Teologia de la liberación, Teología de la Iglesia” (Ediciones Messaggero, Padua, Emi).

O livro irrompe quase como um ato para encerrar as guerras teológicas do passado e os resquícios bélicos que, de vez em quando, brilham para espalhar alarmes que representam interesses ou pretextos. O volume leva as assinaturas do atual responsável pelo Santo Ofício e do teólogo peruano Gustavo Gutiérrez, pai da Teologia da Libertação e inventor da fórmula usada para definir essa corrente teológica, cujas obras foram submetidas a exames rigorosos durante bastante tempo por parte da CdF, em sua longa estação ratzingeriana, apesar de que nunca recebeu nenhuma condenação.

O livro representa o resultado de um longo caminho comum. Müller nunca ocultou sua proximidade com Gustavo Gutiérrez, a quem conheceu em 1998, em Lima, durante o curso de um seminário de estudos. Em 2008, durante a cerimônia para o doutoradohonoris causa concedido ao teólogo Müller pela Pontifícia Universidade Católica do Peru, o então bispo de Ratisbona definiu como absolutamente ortodoxa a teologia de seu mestre e amigo peruano. Nos meses anteriores à nomeação de Müller como guia do Dicastério doutrinal, justamente sua relação com Gutiérrez foi evocada por alguns como prova da não idoneidade do bispo teólogo alemão para o posto ocupado pelo então cardeal Ratzinger durante 24 anos.

Nos ensaios da antologia, os dois autores-amigos se complementam reciprocamente. Segundo Müller, os méritos da Teologia da Libertação vão além do âmbito do catolicismo latino-americano. O Prefeito indica que a Teologia da Libertação expressou no contexto real da América Latina das últimas décadas a orientação para Jesus Cristo redentor e libertador, que marca qualquer teologia autenticamente cristã, justamente a partir da insistente predileção evangélica pelos pobres. "Nesse continente”, reconhece Müller, "a pobreza oprime as crianças, os anciãos e os enfermos”, e induz a muitos a "considerar a morte como uma escapatória”. Desde suas primeiras manifestações, a Teologia da Libertação "Obrigava” as teologias de outras partes a não criar abstrações sobre as condições reais da vida dos povos ou dos indivíduos. E reconhecia nos pobres "a própria carne de Cristo”, como agora repete o Papa Francisco.

Justamente com a chegada do primeiro para latino-americano, surge com maior força a oportunidade para considerar esses anos e essas experiências sem os condicionamentos dos furores e das polêmicas daquela época. Mesmo distanciando-se dos ritualismos do "mea culpa” postiços ou das "reabilitações” aparentes, hoje é muito mais fácil reconhecer que certas veementes mobilizações de alguns setores eclesiais contra a Teologia da Libertação estavam motivadas por certas preferências de orientação política mais do que pelo desejo de custodiar e afirmar a fé dos apóstolos. Os que ‘pagaram a fatura’ foram os teólogos peruanos e os pastores que estavam completamente submersos na fé evangélica do próprio povo, que acabaram "triturados” ou na mais absoluta sombra. Durante um longo período, a hostilidade demonstrada para com a Teologia da Libertação foi um fator precioso para favorecer brilhantes carreiras eclesiásticas.

Em um dos textos, Müller (que, em uma entrevista, no dia 27 de dezembro de 2012, havia expressado a hipótese do cenário de um papa latino-americano após a saída de Ratzinger) descreve sem meias palavras os fatores político-religiosos e geopolíticos que condicionaram certas "cruzadas” contra a Teologia da Libertação: "Com o sentimento triunfalista de um capitalismo, que provavelmente se considerava definitivamente vitorioso, mesclou-se também a satisfação de, dessa maneira, ter cancelado qualquer fundamento ou justificação da Teologia da Libertação. Acreditava-se que, com ela, o jogo era muito simples; classificando-a no mesmo contexto da violência revolucionária e do terrorismo dos grupos marxistas”. Müller também cita o documento secreto, preparado para o presidente Reagan pelo Comitê da Santa Sé, em 1980 (ou seja, quatro anos antes da primeira Instrução vaticana sobre a Teologia da Libertação), no qual se solicitava ao governo dos Estados Unidos que atuasse com agressividade contra a "Teologia da Libertação”, culpada de ter transformado a Igreja Católica em "arma política contra a propriedade privada e o sistema de produção capitalista”. "É desconcertante nesse documento a desfaçatez com que seus redatores, responsáveis por ditaduras militares brutais e por poderosas oligarquias, fazem de seus interesses pela propriedade privada e pelo sistema produtivo capitalista o parâmetro do que deve valer como critério cristão”.

Após décadas de batalhas e contraposições, justamente a amizade entre os dois teólogos (o Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé e o que durante um tempo foi perseguido pelo mesmo Dicastério Doutrinal), finalmente, alimenta uma ótica capaz de distinguir as obsoletas armações ideológicas do passado da genuína fonte evangélica que impulsionava a muitos dos que eram contrários ao catolicismo latino-americano pós-Concílio. Segundo Müller, justamente Gutiérrez, com seus 85 anos (e que planeja viajar para a Itália e passar o mês de setembro em Roma) expressou uma reflexão teológica que não se limitava às conferências e nem aos cenáculos universitários; mas, que se nutria da seiva das liturgias celebradas pelo sacerdote com os pobres, nas periferias de Lima. Ou seja, essa experiência básica graças a que –como diz sempre simples e biblicamente o próprio Gutiérrez- "ser cristãos significa seguir a Jesus”. É o próprio Senhor, agrega Müller, ao comentar a frase do amigo peruano, que "nos dá a indicação de comprometer-nos diretamente com os pobres. Fazer a verdade nos leva a estar do lado dos pobres”.

Fonte|  www.adital.com.br

segunda-feira, junho 24, 2013



O Ato de reivindicar| É PRÓPRIO DA JUVENTUDE

Filósofos, analistas, jornalistas, professores, peritos, bloqueiros, autoridades civís e religiosas, até a pessoa mais simples... todos, ou melhor, a grandíssima maioria dos brasileiros trazem em seus lábios, nesses momentos, as ondas de protestos que continuam invadindo o país.

Algo que começou de forma aparentemente simples, agora, vai tomando proporções incertas, e chegando até mesmo à cidades e povoados recôndidos da nossa nação.

Numa cidadezinha do interior do Sertão pernambucano, Tabira, há 300 km de Recife, interior de PE - conforme relatou hoje a ZENIT um morador da cidade, cuja identidade prefere não revelar - os habitantes (quase todos os moradores?) saíram às ruas para protestar no último fim de semana. "Admirável e exemplar a forma pacífica da manifestação, de repente por ser cidade do interior, onde é difícil manter segredo por mais de 24hs", disse o morador.

Portanto, nessa tentativa comum e lícita de compreender o que acontece com o Brasil, o ZENIT conversou com o sacerdote Pe. Hélio Luciano.

ZENIT: Qual é a sua impressão sobre os últimos acontecimentos no Brasil?

Pe. Hélio Luciano: Diante de uma realidade nova sempre existe certa insegurança em dizer o que está acontecendo e o que pode vir a acontecer. Não podemos negar que existe uma insatisfação geral, mas não consigo identificar se esta insatisfação tem algum objeto concreto. Não que não existam problemas reais – corrupção, miséria, populismo, violência, falta de saúde pública, copa do mundo, etc. – os problemas existem. Mas me refiro à concreta identificação dos mesmos e a propostas de soluções.

Em entrevista, o líder do movimento “Passe Livre” afirma que a única reivindicação em comum era a redução da tarifa do ônibus em São Paulo. No entanto, se existia um consenso em relação aos 20 centavos da tarifa de ônibus, não se pode entender o que reivindicavam os “#nãosãosó20centavos”.

Basta observar superficialmente as manifestações para encontrar cartazes contraditórios e, inclusive, alguns cartazes com pedidos “politicamente incorretos” dentro da sociedade atual (confesso que alguns me agradaram muito – ou “curti”, como talvez se deva dizer atualmente).

É próprio da juventude o ato de reivindicar – mas se faz necessário reivindicar algo. A simples crítica a tudo é o mesmo que nada criticar – não traz resultados. Podemos citar os movimentos similares que ocorreram nos últimos anos na Espanha, em Paris, em Nova York – todos movidos através das redes sociais (e por isso deixaram os governos atônitos, pois não conheciam a força destas redes), mas que não levaram a nada. Podemos ver também a chamada “primavera árabe”- que ainda não descobri se é verdadeira primavera – que ainda tendo derrubado regimes tirânicos, fora utilizado politicamente para colocar no lugar dos mesmos regimes ditatoriais e teocêntricos.

Também existe no Brasil uma nostalgia de revolução – crescemos com nossos pais falando da luta contra a ditadura, das “Diretas Já”, e alguns até vimos, ainda pequenos, os “Cara Pintada”. Até que ponto foram essas revoluções que mudaram o País? A Ditadura caiu por conta da pressão popular ou porque, afastado o risco de nos tornarmos comunistas, já não havia mais interesse internacional em que a mesma se mantivesse? 

As eleições diretas não foram consequência do fim da Ditadura? Os “Cara Pintada” não foram apenas marionetes nas mãos de quem queria destituir um Presidente corrupto (e qual deles até hoje não foi?). Além disso, os políticos de hoje, a quem criticamos com tanta avidez – não são exatamente aqueles que participaram de todos estes movimentos? Simplesmente entraram e se adaptaram perfeitamente ao sistema.
Não sei qual o nome que se dará a este movimento atual. Mas, independentemente do nome, se não se articularem, se não estudarem e encontrarem suas reais reivindicações, temo que venha a ser um pouco “mais do mesmo”. Serão nossos pseudo-heróis – feitos heróis pelo mesmo sistema midiático que mantém a corrupção no Brasil – serão nossos futuros políticos, com um grande risco de voltar a acontecer o mesmo, ou seja, também entrarem e também se adaptarem perfeitamente ao atual sistema que criticam.

" A CURA GAY" é mais uma MENTIRA DE UMA MÍDIA SENSACIONALISTA

Nem tudo se resume à minoria na rua. Há outros assuntos em pauta no país. O blog recebeu ontem quase 300 mil visitas. É provável que alguns novos leitores acabem tomando gosto pela página. Nem todos conhecem os debates travados aqui. Pois bem: nos jornais desta quarta, vocês encontrarão o que já está nos sites e portais. Algo mais ou menos assim: “Comissão de Feliciano aprova projeto da cura gay”. É mentira dupla! Em primeiro lugar, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara não pertence ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Em segundo lugar, não existe projeto que prevê a cura gay. Isso é uma fantasia do jornalismo militante. Semelhante àquela que sustenta que o Estatuto do Nascituro é “Bolsa Estupro”. Tenho 51 anos. Quando eu tinha 20 e poucos, 30 e poucos e, acreditem, até 40 e poucos, era proibido fazer militância política em redação. Cada um que tivesse as suas convicções, mas o compromisso tinha de ser com o fato, segundo valores, a saber: defesa da democracia, do estado de direito, da economia de mercado. Era proibido, por exemplo, mentir , simplificar ou trapacear em nome do bem da humanidade. Jornalista reporta o que vê — e alguns opinam. Mas sem inventar o que não existe num caso ou noutro.

Ao fato mais recente: a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara aprovou um Projeto de Decreto Legislativo, do deputado João Campos (PSDB-GO), que susta dois trechos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. O texto ainda tem de passar pelas comissões de Seguridade Social e de Constituição e Justiça. Se alguém não conhece detalhes do debate — geralmente ignorados porque fica mais fácil fazer proselitismo onde há ignorância, especialmente a bem intencionada — explico tudo abaixo, nos mínimos detalhes, conforme fiz, por exemplo, no dia 2 de maio. Vamos ver.

O Projeto de Decreto Legislativo 234/11 torna sem efeito o trecho do Artigo 3º e todo o Artigo 4º da Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia.

Então vamos aos documentos. 
A íntegra do Projeto de Decreto Legislativo está aqui, com a justificativa. Reproduzo a parte propositiva em azul.

Art. 1º Este Decreto Legislativo susta o parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999.
Art. 2º Fica sustada a aplicação do Parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.
Art. 3º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Então é preciso fazer o que virou raridade nas redações quando os lobbies “do bem” ditam a pauta; saber, afinal, que diabo dizem os trechos que seriam sustados.
“Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.”
Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Comento
Atenção! A proposta de Decreto Legislativo não toca no caput do Artigo 3º. Ele seria mantido intocado. Como deixa claro o projeto do deputado, seriam suprimidos apenas o Parágrafo Único do 

Artigo 3º e o Artigo 4º.  Como se nota, ao suprimir esses dois trechos da Resolução 1/99, o Projeto de Decreto Legislativo não passa a tratar a homossexualidade como uma doença. É mentira! Também não autoriza a “cura gay”. É outra mentira! São distorções absurdas!

Fato, não militância
Procederei a algumas considerações prévias, até que chegue ao cerne da questão. Avalio que a homossexualidade não tem cura pela simples razão de que não a considero uma doença. E nisso concordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) e com o Conselho Federal de Psicologia. Assim, não acredito em terapias que possam converter héteros em gays ou gays em héteros (não se tem notícia de que alguém tenha buscado tal conversão). Mais: sexualidade não é uma opção — se fosse, a esmagadora maioria escolheria o caminho da maior aceitação social, e, nessa hipótese, as escolhas poderiam até ir mudando ao longo do tempo, à medida que determinadas práticas passassem a ser mais aceitas ou menos.

Há quem só goste de um brinquedo; há quem só goste do outro; e há quem goste dos dois. Essa minha opinião não é nova — o arquivo está aí. Os espadachins da reputação alheia, como escreveu Balzac, fazem questão de ignorá-la porque gostam de inventar inimigos imaginários para posar de mártires. Muito bem. Até aqui, não haveria por que os gays — ou o que chamo “sindicalismo gay” — estrilar. Mas é evidente que não pensamos a mesma coisa. Entre outras divergências, está o tal PLC 122 que criminaliza a chamada “homofobia”. Trata-se de um delírio autoritário. Já escrevi muito a respeito e não entrarei em detalhes agora para não desviar o foco.

Vamos lá. Desde 22 de março de 1999, está em vigência a tal Resolução 1 (íntegra aqui), que cria óbices à atuação de psicólogos na relação com pacientes gays. Traz uma porção de “considerandos”, com os quais concordo (em azul), e depois as resoluções propriamente. Listo os ditos-cujos:
CONSIDERANDO que o psicólogo é um profissional da saúde;
CONSIDERANDO que na prática profissional, independentemente da área em que esteja atuando, o psicólogo é frequentemente interpelado por questões ligadas à sexualidade;
CONSIDERANDO que a forma como cada um vive sua sexualidade faz parte da identidade do sujeito, a qual deve ser compreendida na sua totalidade;
CONSIDERANDO que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão;
CONSIDERANDO que há, na sociedade, uma inquietação em torno de práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente;
CONSIDERANDO que a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações

Aí vem o conteúdo da resolução. O caput do Artigo 3º, com o qual ninguém mexe, é correto. Reproduzo:
“Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.”
Está claro, então, que os psicólogos não atuarão para favorecer a patologização da homossexualidade nem efetuarão tratamentos coercitivos. E a parte que cairia? Pois é…Transcrevo outra vez (em vermelho e em destaque):

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Têm de cair mesmo!

Qual é o principal problema desses óbices? Cria-se um “padrão” não definido na relação entre o psicólogo e a homossexualidade. Esses dois trechos são tão estupidamente subjetivos que se torna possível enquadrar um profissional — e puni-lo — com base no simples achismo, na mera opinião de um eventual adversário. Abrem-se as portas para a caça às bruxas. Digam-me cá: um psicólogo que resolvesse, sei lá, recomendar a abstinência sexual a um compulsivo (homo ou hétero) como forma de livrá-lo da infelicidade — já que as compulsões, segundo sei, tornam infelizes as pessoas —, poderia ou não ser enquadrado nesse texto? Um adversário intelectual não poderia acusá-lo de estar propondo “a cura”? Podemos ir mais longe: não se conhecem — ou o Conselho Federal já descobriu e não contou pra ninguém? — as causas da homossexualidade. Se um profissional chega a uma determinada terapia que homossexuais, voluntariamente, queiram experimentar, será o conselho a impedir? Com base em que evidência científica?

Há uma diferença entre “verdade” e “consenso da maioria influente”. Ademais, parece-me evidente que proibir um profissional de emitir uma opinião valorativa constitui uma óbvia infração constitucional. Questões ligadas a comportamento não são um teorema de Pitágoras. Quem é que tem o “a²= b²+c²” da homossexualidade? A resolução é obviamente autoritária e própria de um tempo em que se impõe a censura em nome do bem.

Ora, imaginem se um conselho de “físicos” ousaria impedir os cientistas de tentar contestar a relatividade. O que vai ali não é postura científica, mas ideologia. Se conceitos com sólida reputação de verdade, testados empiricamente, podem ser submetidos a um teste de estresse intelectual, por que não considerações que dizem respeito a valores humanos? Tenham paciência! O fato de eu não endossar determinadas hipóteses ou especulações não me dá o direito de proibir quem queira fazê-lo.

Fiz uma pesquisa antes de escrever esse texto. Não encontrei evidências de resolução parecida em nenhum lugar do mundo. O governo da Califórnia, nos EUA, proibiu a terapia forçada de “cura” da homossexualidade em adolescentes. É coisa muito diferente do que fez o conselho no Brasil. Países que prezam a liberdade de expressão e que não querem usar o discurso da liberdade para solapar a própria liberdade não se dão a desfrutes dessa natureza.

Então vamos lá. Eu não estou defendendo terapias de cura da homossexualidade. Eu não acredito que haja cura para o que não vejo como doença. Também não acho que estamos no universo das escolhas. Dito isso, parece-me uma suma arrogância que um conselho profissional interfira nessa medida na atividade clínica dos profissionais e, atenção!, dos pacientes também! Assim, no mérito, não vejo nada de despropositado na proposta do deputado João Campos. Ao contrário: acho que ela derruba o que há de obviamente autoritário e, entendo, inconstitucional na resolução porque decidiu invadir também o território da liberdade de expressão, garantido pelo Artigo V da Constituição.

É preciso saber ler.

Proponho aqui um exercício aos meus colegas jornalistas. Imaginem um Conselho Federal de Jornalismo que emitisse a seguinte resolução, com poder para cassar o seu registro profissional:

“Os jornalistas não colaborarão com eventos e serviços que proponham qualquer forma de discriminação social”.

“Os jornalistas não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos contra pobres, negros, homossexuais, índios, mulheres, portadores de necessidades especiais, idosos, movimentos sociais e trabalhadores”

O idiota profissional diria: “Ah, está muito bem para mim! Eu não faria nada disso mesmo!”. Não, bobalhão, está tudo errado! Você se entregaria a uma “corte” de juízes que definiria, por sua própria conta, o que seria e o que não seria preconceito. Entendeu ou preciso pegar na mãozinha para ajudar a fazer o desenho? O problema daquele Parágrafo Único do Artigo 3º e do Artigo 4º é o subjetivismo. Ninguém pode ser obrigado, não numa democracia, a se submeter a um tribunal que pode dar a sentença máxima com base nos… próprios preconceitos.

Nem nos seus delírios mais autoritários ocorreria a um conselho profissional nos EUA, por exemplo, interferir dessa maneira na relação do psicólogo com o seu paciente. Uma coisa é afirmar, e está correto, que a homossexualidade não é doença; outra, distinta, é querer impedir que o profissional e quem o procura estabeleçam uma relação terapêutica que pode, sei lá, disciplinar um comportamento sexual sem que isso seja, necessariamente, uma “cura”.

Os tais trechos da resolução, entendo, são mesmo autoritários e inconstitucionais. E têm de cair. E o que parece, isto sim, não ter cura é a vocação de amplos setores da imprensa para a distorção. Cada vez mais, a notícia se transforma num instrumento para privilegiar “os bons” e satanizar “os maus”. Isso é militância política, não jornalismo.

Blog Reinaldo Azevedo


Os crentes não pensam, só os ateus têm liberdade de pensamento. SERÁ?
 
1. A expressão “penso, logo sou ateu” parece aos ateus ser uma inquestionável evidência. Durante dois mil anos nenhum crente, nenhum cristão usou da sua razão para pensar livre e inteligentemente. Também na actualidade não há um crente, um cristão sequer, que ouse pensar com liberdade e inteligência. Será este um facto tão evidente que não seja necessário demonstrá-lo? Há cientistas, políticos, economistas, filósofos, artistas cristãos que têm iluminado a história humana ao longo dos séculos? Não, afirmam os ateus. O facto de serem cristãos, crentes num Deus cuja existência não sabem provar acima de toda a dúvida, envenena toda a sua atividade, o seu pensamento, a sua produção científica, literária, artística.

2. Recentemente, o cientista cristão mais duramente criticado tem sido Francis Collins, que liderou a equipa que trabalhou no projeto do genoma humano. Os ateus diminuem a inteligência de Collins afirmando que ele foi “apenas” o coordenador da equipa. Até mesmo Richard Dawkins não resistiu a fazer esta afirmação. Num comentário que deixei num blog, ironizei perguntando se a tarefa de Collins enquanto coordenador da equipa de investigadores terá consistido em providenciar para que esta equipa tivesse sandes de queijo e coca cola ou cerveja sempre que necessário, cuidar da temperatura e da limpeza dos laboratórios, ocupar-se da correspondência, atender o telefone… Se Collins é cristão, ele não pode ser inteligente. Se fosse ateu, seria considerado um gênio. Sinceramente, não consigo entender como é possível considerar inteligente uma argumentação destas. O meu problema talvez seja mesmo este: dado que sou crente, não posso de modo algum ser inteligente.

3. Sempre me impressionou o facto de os não crentes aplaudirem repetidamente e com uma, para mim, incondicional veneração, aqueles que consideram serem os grandes pensadores da atualidade, entre os quais se destacam Daniel Dennett, Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchens. A infalibilidade que retiram ao Papa concedem-na a estes autores que cada vez mais me aparecem como sumos sacerdotes de um culto da razão em cujo templo os crentes não têm entrada. As suas obras são objeto de um entusiasmo e de uma ‘rendição’ que faz lembrar a atitude de alguns crentes. E no entanto, se lermos com atenção essas obras não podemos deixar de notar que se resumem a alguns poucos argumentos, repetitivos, apresentados num estilo argumentativo falacioso que vai ao passado das religiões escolher os episódios mais negativos, ignorando o patrimônio das religiões no seu conjunto.

4. Já noutras ocasiões tenho afirmado que com este estilo de argumentação se poderá fundamentar qualquer tese, como a que vem expressa no título da obra mais conhecida de Hitchens: “Como a religião envenena tudo”. Os títulos dos dois últimos capítulos da obra são significativos: “18. Uma tradição melhor: a resistência do racional” e “19. Em conclusão: a necessidade de um novo iluminismo”. Hitchens, tal como Harris e muitos outros, é, porém, um dos melhores exemplos de como se pode envenenar toda a investigação séria. Se eu quisesse provar uma tese semelhante como, por exemplo, “Como a democracia envenena tudo”, não me faltariam exemplos, do passado como do presente, de personagens e regimes políticos que, em nome da liberdade, da democracia e do bem do povo, cometeram as maiores atrocidades. Silenciando tudo o que de positivo a democracia tem permitido quanto à libertação e ao progresso dos povos, eu iria atrair os aplausos de muitas pessoas que estão convencidas de que a liberdade permitida pela democracia é a raiz de todos os males das sociedades atuais – “envenena tudo”. Mas uma tal argumentação não me parece nem racional nem inteligente.
 
5. Anuncia-se a vinda a Portugal de Hitchens, saudada com o mesmo entusiasmo com que em tempos passados se saudava a União Soviética como sendo o sol da Humanidade. Pessoalmente, nada tenho contra Hitchens. O seu tão celebrado livro parece-me tão pobre do ponto de vista argumentativo que não consigo entender o entusiasmo que esta presença de Hitchens em Portugal está a gerar em meios ateus. Mas se sou crente, não sou inteligente, logo é natural que não entenda nem Hitchens nem o entusiasmo que está a gerar.
 
6. Este equívoco ignora completamente o facto de na história do cristianismo se verificar uma constante discussão sobre os conteúdos da fé. Os temas vão mudando, mas o debate nunca está encerrado. Nos primeiros séculos do cristianismo a natureza divina de Jesus e a fixação do texto bíblico eram apenas alguns dos temas mais debatidos. Nas universidades da Igreja Católica os debates sucediam-se, como se pode ver das extensas listas de questões controversas publicadas, por exemplo, no século XVI. Hoje, continuam a escrever-se textos sobre temas como o pecado original, o dualismo corpo alma, etc. Afirmar que não há pensamento crítico entre os crentes, incluindo os cristãos, constitui um notável desconhecimento da realidade.

7. Por muito que desagrade aos ateus, o facto mais evidente é este: nem os crentes nem os ateus têm o monopólio da inteligência e do pensamento racional. O que não pode ser aceite pelos não crentes, porque isso deixaria sem resposta uma questão incomoda:

Por que razão uma pessoa inteligente deveria acreditar em Deus?