sábado, maio 25, 2013







SOBRE A CEGUEIRA| ‘Ele viu um homem’
Damião Fernandes


A sacralidade do homem não é simplesmente um status ou um grau de posição a que se chega ou que se conquista. A sacralidade de cada um e de todos os homens é algo intrínseco á sua condição humana e inerente á sua criação divina. Cada homem e cada mulher são sagrados em sí e por sí mesmos. Cada um são entes sagrados pelo simples fato de Deus ternos criados á sua Imagem e Semelhança.

Então Deus disse: “Façamos o homem [...]” (Gn 1,26). Por uma deliberada ação de Deus, o homem é criado á sua Imagem e semelhança de amor. É na capacidade de amar e de conhecer o criador que cada homem e cada Mulher se tornam semelhante á Deus. É Ele mesmo, o criador, que colocando a mão na massa, participa ativamente do ato criativo do homem. Deus mesmo é o agente no processo criativo, concedendo ao Homem qualidades, virtudes, capacidades, dons.

A sacralidade daquele que é a maior obra da criação de Deus, o homem, é consequência primeiro, da ativa participação divina no ato criativo do gênero humano. Portanto, toda essa realidade revela a ontológica condição de divino e de sagrado da Pessoa Humana. Para todos os outros seres criados, Deus disse: “Faça-se”, enquanto que em relação ao homem, disse Deus: “Façamos”. Vemos aqui, um envolvimento profundamente maior. Justamente por isso, o homem é o primeiro de toda Obra da Criação, pois a criação do homem é profundamente distinta de outras criaturas (Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 343; Gn 1,26).

Ao homem é dado o privilégio de ocupar um lugar único de destaque em toda obra criada. Por causa do olhar onisciente de amor lançado sobre o homem, Deus quis cria-lo não pensando nas “vantagens” que esta criação poderia trazer á totalidade da Obra da Criação. O Homem foi o único ser criado por si mesmo. O “Façamos” no sentido bíblico quer dizer que o Senhor entranhou-se intimamente na construção humana do homem, colocando nele e sobre a totalidade do amor e da ternura.

A sacralidade da vida humana reside no fato de que Deus “amou o homem desde o início e o amará até o fim”. Aqui se funda a inviolável sacralidade da Pessoa e vida humana. Quem poderá violar aquilo que o amor criativo de Deus já redimiu desde o início? O que poderá ser capaz de destruir no homem sua identidade de ser sagrado e divinizado?   

A sacralidade da pessoa humana é inviolável, mesmo quando outros olhares nos desqualificam e nos ignoram. A sacralidade da Pessoa humana está muito além dos gestos de preconceito, desprezos momentâneos, de violência ou falsos juízos construídos e alimentados sobre ele. A minha e a sua sacralidade está fundamentada em alicerce sólido e indestrutível, a saber, o amor incondicional e onisciente de Deus. É este amor eterno que legitima a minha e sua eterna e inviolável sacralidade. Nem mesmo uma possível deficiência física – que no Antigo Testamento era vista como um castigo de Deus, portanto, uma condição de impureza que legitimava a exclusão social do doente ou daquele que estava deficiente.

Quando tomamos a passagem de João 9, 1-40, que relata a experiência daquele cego de nascença, que Jesus manda-o lavar-se na piscina de Siloé, percebemos aqui Jesus  - o novo Homem - atualizar o ato criativo de Deus, devolvendo ao cego – á Pessoa Humana -  a sua dignidade violada e ferida. Jesus, não somente restitui a sua visão, mas a sua profunda identidade ontológica como legítima obra prima da Criação. Portanto, também original possuidor de uma sacralidade que deverá ser eternamente inviolável.

Basta vermos como começa a narrativa bíblica logo no versículo primeiro do Evangelho de João 9 : “Ao passar,  ele viu um homem, cego de nascença”. O Cristo é aquele vê sempre em primeiro plano o Homem e a sua sacralidade existencial e depois, somente bem depois, enxerga a sua condição histórico-circunstancial. Afirma o poeta francês Antoine de Saint-Exupery: “ O essencial é invisível para os olhos”. Aquilo, que nenhum dos transeuntes foram capazes de enxergar no cotidiano daquele homem, somente o Cristo conseguiu: “Ao passar Ele (O Cristo) viu um Homem”. Nós muitas vezes, observamos tudo em relação aos Outros: Enxergamos a marca da roupa, o estar bem ou mal vestido, as deficiências físicas e/ou morais, os pecados e as fraquezas, os cumprimentos ou não das normas e das regras, mas somos incapazes de assim como o Cristo, vermos o Homem e a sua sacralidade. O nosso olhar está cego.

Ver o Homem e restaurar sua sacralidade inviolável foi a primeira etapa do processo que desencadeou na cura de seus olhos. Creio que até mesmo uma “sagrada visão” sobre sí mesmo, sobre o “ser Filho”, precisava antes ser restaurada, pois “os olhos são a janela da alma”. Somente depois de restaurar o Homem e sua linda e bendita sacralidade é que - aí sim – Jesus ocupa-se com a Cura física e circunstâncial.

Assim narra o texto bíblico:

Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego e lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”. (Jo 9, 6-7)


REFERÊNCIAS

Bíblia de Jerusalém. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. São Paulo: Paulinas, 1987.

Bíblia Sagrada. Tradução dos originais mediante a versão  dos monges de Maredsous. 58ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1987.

Catecismo da Igreja Católica. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave Maria,1993. 

COMBLIM, José. Antropologia Cristã. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1990.






segunda-feira, maio 20, 2013


O PAPA TERIA REALIZADO UM EXORCISMO NA PRAÇA DE SÃO PEDRO?

Ontem, na Praça de São Pedro, impondo as mãos sobre a cabeça de um enfermo, depois de o sacerdote que acompanhava o rapaz ter-lhe revelado que ele sofria de possessões. A cena ocorreu logo após a Missa de Pentecostes celebrada pelo Santo Padre.

No vídeo é possível ver o Papa Francisco rezando concentrado e com as mãos postas sobre a cabeça do jovem. De uma face serena, o rapaz imediatamente passa a emitir sons estranhos, acompanhado por uma feição que aparenta ódio. Depois de terminar a oração, o Papa segue cumprimentando os demais, enquanto se pode ver o sacerdote que acompanha o rapaz rezando por ele sob os olhares atônitos dos que estão à volta.