sábado, junho 22, 2013



MOVIMENTO PASSE LIVRE volta atrás e anuncia PROTESTOS EM SÃO PAULO 


O MPL (Movimento Passe Livre) anunciou na manhã de ontem a suspensão, por tempo indeterminado, de novos atos na cidade de São Paulo depois da proliferação de protestos violentos pelo país. No final da noite, entretanto, o movimento recuou e divulgou nota afirmando que os atos vão continuar na cidade.

Segundo Caio Martins, 19, um dos integrantes, as declarações dadas pelo grupo pela manhã não foram bem compreendidas. "Todo mundo publicou uma coisa num tom que não é isso. Você acha que vamos parar de fazer lutas? Não vamos", afirmou.
 
Segundo ele, o grupo vai agora planejar os novos atos, mas não há nada marcado.
"Protesto não é todo dia. Não temos data, mas uma hora vai acontecer. Acabamos de vencer, vamos vencer mais. Agora temos que formular o que vamos exigir."

Durante o primeiro anúncio, de interrupção dos atos, o Movimento Passe Livre afirmou que um dos motivos para a decisão foi a suposta "infiltração" de "grupos conservadores" nas manifestações.


 
Manifestantes passam pela ligação leste-oeste durante marcha que saiu do metrô Tatuapé e ocupou o sentido centro da av. Alcântara Machado (Radial Leste), zona leste de São Paulo

O recuo foi decidido anteontem, depois que grupos "antipartido" hostilizaram manifestantes com bandeiras do PT, PSTU e PSOL durante um ato que serviria de "comemoração" pela redução da tarifa de transporte na capital.

Na noite de ontem, pouco antes da nova nota do MPL, movimentos sociais e partidos de esquerda começaram uma reunião para discutir a necessidade de apoio a novos atos que forem programados.
 
REDUÇÃO
A escalada de protestos pelo país ganhou força a partir do último dia 6 em São Paulo, quando o Passe Livre levou 2.000 pessoas às ruas contra o aumento da passagem de R$ 3 para R$ 3,20.

Treze dias depois, já com a adesão dos protestos em pelo menos 12 Estados, São Paulo, Rio de Janeiro e outras seis capitais reduziram as tarifas.

As reduções foram anunciadas no dia 19, quando os protestos já reuniam 215 mil pessoas em todo o país. Anteontem, mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas.

"Conquistamos a reivindicação e, no momento, não faremos mais protestos. Vamos agora discutir para conquistar nosso principal objetivo, que é a tarifa zero", disse pela manhã Erica de Oliveira, 22, integrante do MPL.

Desde a última segunda-feira, o grupo vinha mantendo diálogo com o prefeito Fernando Haddad (PT) e seus interlocutores para que a tarifa fosse reduzida.

No entanto, líderes do movimento e integrantes do governo negam qualquer acordo para encerrar as manifestações após a redução do valor das passagens de ônibus, trens e metrô, que voltarão a custar R$ 3 a partir da próxima segunda-feira.

Para secretários de Haddad, o Passe Livre optou pela suspensão também por causa do desgaste sofrido com a disseminação dos protestos violentos, que já causaram duas mortes --em Ribeirão Preto e Belém (PA).

Já o movimento diz que a violência só ocorreu onde houve repressão policial.

Erica admitiu que, embora o MPL tenha coletivos em outros Estados, as manifestações ultrapassaram a questão do transporte público e, com isso, não havia maneiras de controlar atos país afora.

Estados como Pará não contam com representantes do Passe Livre e mesmo assim houve protestos.
Rafael Siqueira, do Passe Livre, disse que houve invasão de grupos "neofascistas".

Protesto no aeroporto de Cumbica

 
Algumas pessoas decidiram abandonar os carros e seguir a pé pela rodovia Hélio Smidt em direção ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (na Grande São Paulo); grupo de manifestantes parou o aeroporto internacional

"Eles entraram nos últimos atos para defender propostas que não nos representam", afirma. Ele cita entre as causas que surgiram a redução da maioridade penal.
 
 AGRESSÃO
Horas após uma onda de manifestações violentas em todo o país, o Movimento Passe Livre divulgou nota condenando o que chamou de "atos de violência" contra partidos. A nota, porém, não faz menção à depredação de prédios públicos e saques ocorridos em outras cidades, como Rio e Brasília.

"O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje [anteontem], da mesma maneira que repudiamos a violência policial", diz a nota.

Em ato na avenida Paulista, bandeiras do PT foram arrancadas de manifestantes e queimadas. Segundo o movimento, desde os primeiros protestos, as "organizações" --entre eles PT, PSTU, PCO e PSOL-- fazem parte.

"Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos", diz.

sexta-feira, junho 21, 2013


WARNER BROS| QUER MOSTRAR a semelhança entre Clark Kent e Jesus Cristo

A equipe de marketing da Warner Bros está promovendo o filme “Homem de Aço”, o mais recente filme do Super-Homem, de uma forma diferente: chamando líderes de igrejas nos Estados Unidos para assistir sessões gratuitas do filme.

Para atrair o público religioso, o estúdio convidou um teólogo para escrever uma pregação fazendo a ligação entre o filme e a vida de Jesus. O texto de nove páginas recebeu o título de “Jesus: O Super-Herói Original” e tem como objetivo pedir para que os pastores mostrem o trailer do filme em suas igrejas.

O roteiro do filme, que estreou nos Estados Unidos na última sexta-feira (14), tem ligações com a vida de Jesus Cristo, já que Clark Kent foi enviado à Terra por seus pais para salvá-la.

Outra semelhança entre o Super-Homem e Jesus é a idade, com 33 anos Clark terá que se sacrificar para poder defender a raça humana. Foi com esta idade que Filho de Deus foi crucificado.

O ator Henry Cavill, que interpreta o personagem principal, diz que tem espectador que nem nota essa ligação entre seu personagem e Jesus. “Pode até ser que o Super-Homem tenha um background inspirado na história de Jesus, mas isso não significa que eu tenha encarnado o Super-Homem como se ele fosse Deus. Acho que o público tem que tirar suas próprias conclusões. Tem gente que nem nota essa semelhança, mas tem gente que pega de primeira”.

O diretor do longa, Zack Snyder, diz que essa semelhança existe desde quando o personagem foi inventado. “Para ver as ligações, depende da experiência de cada espectador”.

Em duas partes do filme é possível ligar as duas histórias, uma delas é quando o Super-Homem pula com os braços esticados parecendo um crucifixo. Em outra cena ele procura um padre e no cenário de fundo um grande imagem de Jesus ganha destaque colocando-os lado a lado.

Em entrevista a CNN o pastor Quentin Scott, de Baltimore (EUA), disse que participou das sessões gratuitas do filme e realmente notou que a história fala de Jesus. “Quando me sentei e assisti ao filme, o que de fato vi foi a historia de Jesus, e o amor de Deus introduzido na história,” disse ele.

Muitos dos pastores que viram o filme acreditam que é possível falar de Jesus e de sua missão usando o filme “Homem de aço” como referência. Mas há outros que contestam dizendo que ligar as duas histórias é um risco elevado.

"Ir às ruas se manifestar é um valor em si"

 

Às 13h30 dessa tarde de sexta-feira, a Presidência da CNBB, composta pelo seu presidente, Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, e o secretário Geral, Dom Leonardo Ulrich Steiner, em uma coletiva de Imprensa, fez público o pronunciamento oficial da Conferência Episcopal sobre as manifestações populares que estão acontecendo em todo o Brasil.

No momento de perguntas dos jornalistas ali presentes, ZENIT dirigiu a seguinte pergunta à Presidência: “Ir às ruas é um valor em si mesmo ou é importante ir às ruas com um objetivo em comum, sabendo o que exigir e pedir? Porque notamos uma grande variedade de questões sendo protestadas”.

“Ir para às ruas se manifestar é um valor em si” afirmou o secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner.  “Não existe uma pauta. Começou no início com os 20 centavos, mas depois todos nós percebemos que se tratava de muito mais. Embora é fundamental que o cristão, o católico, participe, seja ativo politicamente”.

“O que incomoda muita gente – continuou Dom Leonardo - é que não há uma pauta de reivindicações. Isso incomoda algumas pessoas e inclusive trazem interrogações para alguns analistas políticos”.

“Mas nós, na nossa reflexão- destacou o secretário Geral - achamos que é importante que o jovem e a sociedade se manifestem”, porque “no meio há manifestações muito fortes contra a corrupção, a PEC 37, tirar do poder público a possibilidade de investigação” e que são “alguns elementos importantes para a nossa sociedade”.

Tomando a palavra, o cardeal Dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB, continuou a resposta à essa pergunta dizendo: “A violência, a educação, a saúde... aparecem elementos aí que devem fazer refletir. É aquilo que eu dizia, são sinais que nós estamos vendo, que surgiu de uma maneira espontânea, que foi crescendo...”

Nesse meio – continuou o cardeal – “talvez haja pessoas que se juntem a essas manifestações por outros interesses, mas se vê que não há uma bandeira político – partidária conduzindo tudo isso. Pelo contrário, dá a impressão de que a maioria está rejeitando a presença de grupos que aparecem filiados a determinados partidos”, disse.

O cardeal convidou-nos a parar para ouvir o que os manifestantes têm a dizer. “É uma manifestação muito mais espontânea... precisamos ouví-la, perceber o que quer nos dizer... acho que essa é a grande sabedoria. E isso nos dá justamente elementos para a reflexão, para a mudança de atitudes, de comportamento, mudanças do enfoque político, das políticas públicas. Acho que isso é fundamental, entende?”

“E é claro que são vários temas” – enfatizou o cardeal. Por isso mesmo “quem está mais diretamente envolvido nesses temas tem que refletir e pensar o que está fazendo nessa área, chame-se educação, saúde, segurança, violência, corrupção...”.

"Então - concluiu o cardeal - são elementos que estão aí e talvez muito dispersos, mas que aparecem com certa frequência, e afetam a vida das pessoas. E as pessoas estão querendo um outro estilo de sociedade onde todos tenham garantidos seus direitos, sua igualdade, sua dignidade. Nós desejamos que seja assim. Esse é o objetivo fundamental”.


Pronunciamento da Presidenta da República, Dilma Rousseff, em cadeia nacional


Minhas amigas e meus amigos,

Todos nós, brasileiras e brasileiros, estamos acompanhando, com muita atenção, as manifestações que ocorrem no país. Elas mostram a força de nossa democracia e o desejo da juventude de fazer o Brasil avançar.

Se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas. Mas, se deixarmos que a violência nos faça perder o rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica, como também correndo o risco de colocar muita coisa a perder.

Como presidenta, eu tenho a obrigação tanto de ouvir a voz das ruas, como dialogar com todos os segmentos, mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensáveis para a democracia.

O Brasil lutou muito para se tornar um país democrático. E também está lutando muito para se tornar um país mais justo. Não foi fácil chegar onde chegamos, como também não é fácil chegar onde desejam muitos dos que foram às ruas. Só tornaremos isso realidade se fortalecermos a democracia – o poder cidadão e os poderes da República.

Os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir mudanças, de lutar por mais qualidade de vida, de defender com paixão suas ideias e propostas, mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira.

O governo e a sociedade não podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio público e privado, ataque templos, incendeie carros, apedreje ônibus e tente levar o caos aos nossos principais centros urbanos. Essa violência, promovida por uma pequena minoria, não pode manchar um movimento pacífico e democrático. Não podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil. Todas as instituições e os órgãos da Segurança Pública têm o dever de coibir, dentro dos limites da lei, toda forma de violência e vandalismo.

Com equilíbrio e serenidade, porém, com firmeza, vamos continuar garantindo o direito e a liberdade de todos. Asseguro a vocês: vamos manter a ordem.

Brasileiras e brasileiros,

As manifestações dessa semana trouxeram importantes lições: as tarifas baixaram e as pautas dos manifestantes ganharam prioridade nacional. Temos que aproveitar o vigor destas manifestações para produzir mais mudanças, mudanças que beneficiem o conjunto da população brasileira.

A minha geração lutou muito para que a voz das ruas fosse ouvida. Muitos foram perseguidos, torturados e morreram por isso. A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada, e ela não pode ser confundida com o barulho e a truculência de alguns arruaceiros.

Sou a presidenta de todos os brasileiros, dos que se manifestam e dos que não se manifestam. A mensagem direta das ruas é pacífica e democrática.

Ela reivindica um combate sistemático à corrupção e ao desvio de recursos públicos. Todos me conhecem. Disso eu não abro mão.

Esta mensagem exige serviços públicos de mais qualidade. Ela quer escolas de qualidade; ela quer atendimento de saúde de qualidade; ela quer um transporte público melhor e a preço justo; ela quer mais segurança. Ela quer mais. E para dar mais, as instituições e os governos devem mudar.

Irei conversar, nos próximos dias, com os chefes dos outros poderes para somarmos esforços. Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos.

O foco será: primeiro, a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo. Segundo, a destinação de cem por cento dos recursos do petróleo para a educação. Terceiro, trazer de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Anuncio que vou receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares. Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências, de sua energia e criatividade, de sua aposta no futuro e de sua capacidade de questionar erros do passado e do presente.

Brasileiras e brasileiros,

Precisamos oxigenar o nosso sistema político. Encontrar mecanismos que tornem nossas instituições mais transparentes, mais resistentes aos malfeitos e, acima de tudo, mais permeáveis à influência da sociedade. É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar.

Quero contribuir para a construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a participação popular. É um equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos e, sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democrático. Temos de fazer um esforço para que o cidadão tenha mecanismos de controle mais abrangentes sobre os seus representantes.

Precisamos muito, mas muito mesmo, de formas mais eficazes de combate à corrupção. A Lei de Acesso à Informação, sancionada no meu governo, deve ser ampliada para todos os poderes da República e instâncias federativas. Ela é um poderoso instrumento do cidadão para fiscalizar o uso correto do dinheiro público. Aliás, a melhor forma de combater a corrupção é com transparência e rigor.

Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com as arenas é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e os governos que estão explorando estes estádios. Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a Saúde e a Educação.

Na realidade, nós ampliamos bastante os gastos com Saúde e Educação, e vamos ampliar cada vez mais. Confio que o Congresso Nacional aprovará o projeto que apresentei para que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente com a Educação.

Não posso deixar de mencionar um tema muito importante, que tem a ver com a nossa alma e o nosso jeito de ser. O Brasil, único país que participou de todas as Copas, cinco vezes campeão mundial, sempre foi muito bem recebido em toda parte. Precisamos dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles. Respeito, carinho e alegria, é assim que devemos tratar os nossos hóspedes. O futebol e o esporte são símbolos de paz e convivência pacífica entre os povos. O Brasil merece e vai fazer uma grande Copa.

Minhas amigas e meus amigos,

Eu quero repetir que o meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Eu quero dizer a vocês que foram pacificamente às ruas: eu estou ouvindo vocês! E não vou transigir com a violência e a arruaça.

Será sempre em paz, com liberdade e democracia que vamos continuar construindo juntos este nosso grande país.

Boa noite!

CONVERSÃO, Brasil

As manifestações populares destes últimos dias configuram um fenômeno que merece análises e especial atenção da pátria Brasil. Oportunidade para um debruçar-se lúcido sobre todos os aspectos envolvendo o movimento, além das indicações novas daí advindas. À complexidade do fenômeno juntam-se também características incomuns e com largas diferenças em relação a fatos já ocorridos, desta mesma ordem, no âmbito de manifestações populares. Considerável é, particularmente, o grande número de pessoas movidas por uma demanda de protesto, que desafia a interpretação por não tratar-se de uma única questão, uma única razão. Como se diz, uma única bandeira, bem definida e conceitualmente dominável.

Em questão, há uma série de razões que afeta o conjunto do funcionamento da sociedade brasileira. Certamente, não é um fenômeno que explode como resultado de algumas situações provocadas num último curto período de tempo. Ainda que alguns elementos tenham levado à eclosão das manifestações. O que se tem presenciado é um estouro de algo que obviamente vem sendo formatado, por isso ou por aquilo, e agora se  configura nas manifestações populares, protagonizadas especialmente pelos jovens.  Esta complexidade na análise das manifestações parece se apartar claramente do que se enquadra nos repugnáveis atos de vandalismo e no uso de violência - aproveitamento imoral da ocasião.

A análise deve ajudar na explicitação de causas e configurar o necessário em medidas e posturas cidadãs para o momento novo que precisa nascer deste contexto. O que se vê nas atitudes de protesto pacífico não pode ser confundido ou misturar-se com a nebulosidade de vandalismos que desrespeitam as pessoas e o patrimônio público. Ao contrário, o ser humano e o patrimônio devem ser prezados e defendidos por todos, em qualquer circunstância.

Inevitáveis são ações disciplinares preventivas e a força que está no entendimento adequado das manifestações para impedir tudo o que poderá desmerecer, ao menos em parte, a importância deste momento para a sociedade brasileira. É, sobremaneira, lamentável ver pessoas feridas e as depredações do patrimônio público gerando prejuízos como sombras emoldurando os que, pacificamente, movidos por paixões e lúcidos por razões justas, expressam exigências e demandas urgentes da sociedade.

Análises e opiniões a respeito da explicitação e do entendimento do fenômeno destas manifestações já estão em crescente oferta. De qualquer modo, especialistas são desafiados a compreender as raízes destes acontecimentos que devem ir além, por exemplo, apenas da modificação das tarifas de ônibus. É preciso alcançar o cerne do que está, de fato, se passando na consciência dos cidadãos. Há muito trabalho de análise socioantropológica, política e cidadã a ser feito. É plausível pensar, particularmente, na necessidade de mudanças e práticas no horizonte de uma sociedade democrática, com vistas à cultura da solidariedade e da paz. Não é difícil concluir, mesmo fruto de uma análise não aprofundada, que as manifestações, distanciadas de aspectos violentos, expressam o anseio por mudanças, como questão central.

Essa aspiração popular aponta na direção da qualificação do processo decisório no sentido de valorizar a participação cidadã, o que exige diálogo com a sociedade. Consequentemente, investir na “escuta” evitaria um processo de funcionamentos e encaminhamentos que ignora necessidades e urgências na vida de todos, particularmente dos mais pobres. Certamente, está em questão o repúdio à cristalização e burocratização de mecanismos governamentais e também nos âmbitos mais comuns da vida da sociedade.

A lista das questões consideradas na grande bandeira, que é o anseio por mudanças, inclui desde a tarifa de ônibus ao justo questionamento, por exemplo, da PEC 37, abrangendo o exercício da política na sociedade brasileira, particularmente, a partidária. Por isso, também, as manifestações não são motivadas e empurradas pela força que propriamente poderia vir dos partidos políticos ou de outras instâncias institucionais.

As mudanças que parecem ser pretendidas tocam o conjunto da sociedade brasileira. Claramente está se exigindo mais adequação participativa nas decisões e na escolha de prioridades, nos modos de operacionalizar tudo o que é essencial para uma vida digna. Providências urgentes e medidas cabíveis são esperadas por parte dos responsáveis primeiros, incluindo a participação singular de cada cidadão.

Permanecerá pedindo resposta a exigência do diálogo necessário com a sociedade para que sejam sempre ouvidos seus clamores.  É hora propícia, à luz do que ainda vai brotar como indicativos pela interpretação de peritos e do povo, para uma grande conversão no Brasil.

 

O QUE ESTÁ POR TRÁS das manifestações democráticas nas ruas?

Segundo as declarações de alguns organizadores dos atuais protestos no Brasil, podemos perceber que as manifestações estão sendo organizadas por grupos de profunda inspiração marxista, que julgam que o atual governo não é tão radical como deveria ser. Por isso, pretendem mudar todo o sistema, aproveitando-se de pessoas de boa vontade, que justamente querem mudanças na vida social. Assim, pessoas bem intencionadas são usadas por grupos radicais que analisam a realidade de modo dialético e que, no fundo, pretendem uma revolução violenta, popular e nada democrática. Algo de semelhante ocorre em diversos países do mundo. Como esses grupos radicais não ganham suficientes votos, pretendem impor suas ideias por meio da força de alguns “heróis” e pela manipulação emotiva das grandes massas.

Sendo assim, agem transmitindo a ideia de que farão uma manifestação pacífica, incitando os sentimentos e a boa vontade de muitos. Atraem muita gente que realmente se manifesta de modo pacífico; porém, em certo momento, acabam utilizando métodos violentos para sofrer uma justa resposta das ordens de segurança e se apresentarem como vítimas do Estado repressor. O objetivo é desestabilizar os governos e todos os partidos políticos, através da manipulação popular. Depois das manifestações passam a ideia de que a violência não era intencional, mas que foram pessoas “infiltradas” que a promoveram.

Em síntese, no atual momento devemos ter espírito crítico para averiguar se os violentos são “aproveitadores” e “infiltrados” nas manifestações, ou se são os seus mesmos organizadores, que se aproveitam do apoio popular para justificar assim suas ideias e métodos revolucionários.

De qualquer modo, sobre as manifestações populares, pode-se dizer que em todos os países democráticos existem e deve ser protegido o direito de se manifestar nas ruas: seja por meio de passeatas, seja por meio de greves. Mas isso deve ser feito com ordem. 



Na prática significa:

1) As manifestações públicas devem ser programadas e devem contar com a autorização do poder público. Devem ser em dia, hora e local determinados. A polícia deve estar presente para garantir o direito das pessoas se manifestarem, sem serem agredidas. Evidentemente, a polícia também não pode ser agredida e os bens públicos ou privados não devem ser destruídos ou danificados; para se contruir um País melhor não é necessário destruir o que temos agora;

2) As manifestações não podem paralizar cidades inteiras, porque os que tem o direito de protestar devem respeitar o direito de quem não quer participar. O direito de protestar não pode negar a ninguém o direito de ir e vir, por exemplo. Avenidas públicas importantes não podem ser totalmente fechadas. Não pode ser impedida a circulação de ambulâncias, da polícia, dos bombeiros ou de quem simplesmente não quer participar nos protestos. Por isso, o ideal é que esses atos ocorrram nos domingos ou feriados;

3) As greves devem ser justas e, na medida do possível, criativas, sem causar graves danos às empresas ou ao País. Na Itália, por exemplo, recentemente um grupo de pedreiros fez uma greve trabalhando um dia na reforma de praças públicas. Assim demonstravam que não falta trabalho e que os trabalhadores devem ser valorizados.

Por fim, as manifestações devem ter objetivos concretos e realizáveis. Reivindicar tudo significa o mesmo que reinvidicar nada, pois se tudo é direito, nada é direito. Em palavras mais sábias e claras: “Os direitos individuais, desvinculados de um quadro de deveres que lhes confira um sentido completo, enlouquecem e alimentam uma espiral de exigências praticamente ilimitada e sem critérios. A exasperação dos direitos desemboca no esquecimento dos deveres. Estes delimitam os direitos porque remetem para o quadro antropológico e ético cuja verdade é o âmbito onde os mesmos se inserem e, deste modo, não descambam no arbítrio. Por este motivo, os deveres reforçam os direitos e propõem a sua defesa e promoção como um compromisso a assumir ao serviço do bem. (...) A partilha dos deveres recíprocos mobiliza muito mais do que a mera reivindicação de direitos” (Papa Bento XVI, Caritas in Veritate, n. 43).


O “Movimento Passe Livre” que está organizando grandes manifestações em São Paulo tem seu estatuto publicado na internet. Dizem explicitamente que a “via parlamentar não deve ser o sustentáculo do MPL, ao contrário, a força deve vir das ruas”. Afirmam que têr como “perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população”. Confira: http://mpl.org.br/node/1

Por Pe. Anderson Alves



NOTA DA CNBB sobre manifestações

Os bispos reunidos em Brasília na reunião do Conselho Permanente da CNBB divulgaram nesta sexta-feira, 21, sobre as manifestações populares que estão ocorrendo em todo o País nos últimos dias.

Leia, abaixo, a nota na íntegra:

Ouvir o clamor que vem das ruas


Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília de 19 a 21 de junho, declaramos nossa solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens. Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o desperta para uma nova consciência. Requerem atenção e discernimento a fim de que se identifiquem seus valores e limites, sempre em vista à construção da sociedade justa e fraterna que almejamos.

Nascidas de maneira livre e espontânea a partir das redes sociais, as mobilizações questionam a todos nós e atestam que não é possível mais viver num país com tanta desigualdade. Sustentam-se na justa e necessária reivindicação de políticas públicas para todos. Gritam contra a corrupção, a impunidade e a falta de transparência na gestão pública. Denunciam a violência contra a juventude. São, ao mesmo tempo, testemunho de que a solução dos problemas por que passam o povo brasileiro só será possível com participação de todos. Fazem, assim, renascer a esperança quando gritam: "O Gigante acordou!"

Numa sociedade em que as pessoas têm o seu direito negado sobre a condução da própria vida, a presença do povo nas ruas testemunha que é na prática de valores como a solidariedade e o serviço gratuito ao outro que encontramos o sentido do existir. A indiferença e o conformismo levam as pessoas, especialmente os jovens, a desistirem da vida e se constituem em obstáculo à transformação das estruturas que ferem de morte a dignidade humana. As manifestações destes dias mostram que os brasileiros não estão dormindo em "berço esplêndido".

O direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo Estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito.

Sejam estas manifestações fortalecimento da participação popular nos destinos de nosso país e prenúncio de nossos tempos para todos. Que o clamor do povo seja ouvido!

Sobre todos invocamos a proteção de Nossa Senhora Aparecida e a bênção de Deus, que é justo e santo.

Brasília, 21 de junho de 2013

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner 
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário geral da CNBB

quinta-feira, junho 20, 2013

Jovem que atacou Prefeitura de São Paulo em protesto pede desculpas. Filho de um pequeno empresário, Pierre Ramon é aluno da FMU.

  

O estudante se entregou num posto de gasolina na marginal Tietê. Estava ajudando o pai com o caminhão de entregas da família e decidiu se apresentar depois que policiais foram até sua casa e falaram com sua mãe. Desesperada, ela ligou para o filho.

Segundo seu advogado, Gerson Bellani, ele chorou ao depor. "Eu atirei pedra depois que os guardas jogaram spray de pimenta no rosto das pessoas. Fiquei revoltado". Ele foi liberado após prestar depoimento e ser indiciado por dano ao patrimônio público. 


Joel Silva/Folhapress
Manifestante identificado como Tiago usa grade para quebrar os vidros da prefeitura; polícia está em busca do jovem
Manifestante Pierre Ramon usa grade para quebrar os vidros da prefeitura

A polícia também havia solicitado sua prisão temporária por formação de quadrilha --o juiz negou o pedido.
Pierre Ramon disse que foi ao protesto de cara limpa e negou ter ateado fogo na van da TV Record: "Quero pedir desculpas a todos os manifestantes do Movimento Passe Livre. Eu fui errado e estou disposto a arcar com todas as consequências e pagar centavo por centavo tudo o que eu fiz de dano. Vou trabalhar para tudo isso", declarou.

O delegado do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado) Antônio de Olim disse que o jovem insuflou os manifestantes a apedrejar a prefeitura: "Ele é arrogante.

Estava na manifestação, todo fortinho, lutador de jiu-jitsu. Achou que era o dia dele e começou a quebrar tudo". Segundo o delegado, ele feriu guardas.

Vestindo uma camisa branca, Pierre Ramon usava uma máscara contra gás lacrimogêneo durante o protesto, mas abaixou a máscara várias vezes, mostrando o rosto. Ele não foi o primeiro a atacar a prefeitura, mas usou uma barreira metálica para quebrar vidros da entrada.

A polícia confirmou sua identificação após ouvir testemunhas e comparar a foto dele com as que constam na sua página em redes sociais.

No Facebook, o jovem se diz adepto de artes marciais, como muay thai e jiu-jitsu, das quais compartilha páginas. É fã de Renato Russo, Paulo Coelho e Anderson Silva. Fotos na rede mostravam o estudante abraçado com amigos antes do protesto.

Sem ajuda federal, Haddad recua e sofre derrota política

Fonte: Folha de São Paulo

Desgastado nas ruas e encurralado pelo próprio partido, anunciou ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) que o preço da passagem voltaria aos antigos R$ 3 no início da noite de ontem.

Foi sua primeira grande derrota política no comando da cidade. Segundo dirigentes do PT, Haddad sai do episódio desgastado com o eleitorado, com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, fiador de sua eleição.

No PSDB, o recuo de Alckmin também desagradou. Tucanos dizem que, ao diminuir a tarifa, ele passa a imagem de que faltou planejamento ou vontade política para segurar o reajuste anteriormente.
Às 11h30, na primeira entrevista do dia, Haddad disse que revogar o aumento afetaria investimentos da prefeitura e só traria benefícios de curto prazo. "A coisa mais fácil do mundo é agradar no curto prazo, tomar uma decisão de caráter populista sem explicar para a sociedade as implicações."

Às 18h, quando posou ao lado de Alckmin para decretar o fim do aumento visivelmente contrariado, mudou o discurso. "É um gesto de aproximação, de manutenção do espírito de democracia, de convívio pacífico." 


Eduardo Knapp/Folhapress
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Manifestantes ateiam fogo em mural da Copa, na esquina da Paulista com a Consolação, centro de SP
Entre a primeira e a última fala, a crise política que engolira prefeito e governador desde o início dos protestos chegara ao ápice para o petista.

Desde a semana passada, Haddad é pressionado por dirigentes do PT a revogar o aumento. A pressão se agravou na tarde de terça, quando se encontrou com Dilma e Lula.

Segundo petistas, a reunião foi tensa. Lula e Dilma teriam dito a Haddad que, diante do desgaste político imposto a ele --e ao partido--, o melhor seria recuar. O prefeito então teria argumentado que, se arcasse com o prejuízo da revogação, sua capacidade de investimento iria despencar.

Em resposta, a presidente deixou implícito que já havia feito o que podia para ajudar.

 Editoria de arte/Folhapress

Ontem, o embate com o PT e o Planalto se agravou. Pela manhã, Haddad voltou a dizer que a única possibilidade de reduzir tarifa sem cortar investimento seria com o projeto de desoneração do diesel para o transporte público.

A resposta veio poucas horas depois. À tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou a imprensa para dizer que o governo federal não tinha mais "condições de fazer novas reduções".

Sem apoio de dirigentes do PT, e com as rusgas com a presidente expostas, Haddad foi obrigado a recuar. Telefonou para Alckmin por volta das 16h e seguiu para o Palácio dos Bandeirantes. Às 18h, os dois anunciaram a revogação do aumento para passagens de ônibus, trens e metrô.

A estratégia também foi criticada por petistas. Para eles, Haddad tentou dividir o desgaste com o tucano, mas acabou passando uma imagem de submissão a Alckmin.
 
TUCANOS
Entre os tucanos, também houve críticas a Alckmin. Uma ala do PSDB diz que ele passa a imagem de que ficou "refém" dos protestos e, ao recuar, abre precedente perigoso a um ano das eleições.

Para esse grupo, a partir de agora, sempre que for obrigado a tomar uma medida impopular, Alckmin será "chantageado" por protestos.

Há ainda críticas à justificativa de que o dinheiro para cobrir a redução da tarifa sairá do caixa de investimentos.

Alckmin teria dado munição a quem engrossou os protestos exigindo melhorias no sistema de transporte. "Mudança estrutural se faz com investimento. Ele cai em contradição", diz um dirigente.

A atuação do governador na área da segurança também sai desgastada. Nas ruas, a PM foi criticada num primeiro momento pela truculência e, depois, acusada de ser omissa ao demorar para conter a onda de saques. 


Editoria de arte/Folhapress