Jovem que atacou Prefeitura de São Paulo em protesto pede desculpas. Filho de um pequeno empresário, Pierre Ramon é aluno da FMU.
O estudante se entregou num posto de gasolina na marginal Tietê. Estava
ajudando o pai com o caminhão de entregas da família e decidiu se
apresentar depois que policiais foram até sua casa e falaram com sua
mãe. Desesperada, ela ligou para o filho.
Segundo seu advogado, Gerson Bellani, ele chorou ao depor. "Eu atirei
pedra depois que os guardas jogaram spray de pimenta no rosto das
pessoas. Fiquei revoltado". Ele foi liberado após prestar depoimento e
ser indiciado por dano ao patrimônio público.
| Joel Silva/Folhapress | ||
| Manifestante Pierre Ramon usa grade para quebrar os vidros da prefeitura |
A polícia também havia solicitado sua prisão temporária por formação de quadrilha --o juiz negou o pedido.
Pierre Ramon disse que foi ao protesto de cara limpa e negou ter ateado
fogo na van da TV Record: "Quero pedir desculpas a todos os
manifestantes do Movimento Passe Livre. Eu fui errado e estou disposto a
arcar com todas as consequências e pagar centavo por centavo tudo o que
eu fiz de dano. Vou trabalhar para tudo isso", declarou.
O delegado do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime
Organizado) Antônio de Olim disse que o jovem insuflou os manifestantes a
apedrejar a prefeitura: "Ele é arrogante.
Estava na manifestação, todo fortinho, lutador de jiu-jitsu. Achou que
era o dia dele e começou a quebrar tudo". Segundo o delegado, ele feriu
guardas.
Vestindo uma camisa branca, Pierre Ramon usava uma máscara contra gás
lacrimogêneo durante o protesto, mas abaixou a máscara várias vezes,
mostrando o rosto. Ele não foi o primeiro a atacar a prefeitura, mas
usou uma barreira metálica para quebrar vidros da entrada.
A polícia confirmou sua identificação após ouvir testemunhas e comparar a
foto dele com as que constam na sua página em redes sociais.
No Facebook, o jovem se diz adepto de artes marciais, como muay thai e
jiu-jitsu, das quais compartilha páginas. É fã de Renato Russo, Paulo
Coelho e Anderson Silva. Fotos na rede mostravam o estudante abraçado
com amigos antes do protesto.
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