"Ir às ruas se manifestar é um valor em si"
Às 13h30 dessa tarde de sexta-feira, a Presidência da CNBB, composta
pelo seu presidente, Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, e o
secretário Geral, Dom Leonardo Ulrich Steiner, em uma coletiva de
Imprensa, fez público o pronunciamento oficial da Conferência Episcopal
sobre as manifestações populares que estão acontecendo em todo o Brasil.
No momento de perguntas dos jornalistas ali presentes, ZENIT
dirigiu a seguinte pergunta à Presidência: “Ir às ruas é um valor em si
mesmo ou é importante ir às ruas com um objetivo em comum, sabendo o que
exigir e pedir? Porque notamos uma grande variedade de questões sendo
protestadas”.
“Ir para às ruas se manifestar é um valor em si” afirmou o secretário
Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner. “Não existe uma pauta. Começou no
início com os 20 centavos, mas depois todos nós percebemos que se
tratava de muito mais. Embora é fundamental que o cristão, o católico,
participe, seja ativo politicamente”.
“O que incomoda muita gente – continuou Dom Leonardo - é que não há
uma pauta de reivindicações. Isso incomoda algumas pessoas e inclusive
trazem interrogações para alguns analistas políticos”.
“Mas nós, na nossa reflexão- destacou o secretário Geral - achamos
que é importante que o jovem e a sociedade se manifestem”, porque “no
meio há manifestações muito fortes contra a corrupção, a PEC 37, tirar
do poder público a possibilidade de investigação” e que são “alguns
elementos importantes para a nossa sociedade”.
Tomando a palavra, o cardeal Dom Raymundo Damasceno, presidente da
CNBB, continuou a resposta à essa pergunta dizendo: “A violência, a
educação, a saúde... aparecem elementos aí que devem fazer refletir. É
aquilo que eu dizia, são sinais que nós estamos vendo, que surgiu de uma
maneira espontânea, que foi crescendo...”
Nesse meio – continuou o cardeal – “talvez haja pessoas que se juntem
a essas manifestações por outros interesses, mas se vê que não há uma
bandeira político – partidária conduzindo tudo isso. Pelo contrário, dá a
impressão de que a maioria está rejeitando a presença de grupos que
aparecem filiados a determinados partidos”, disse.
O cardeal convidou-nos a parar para ouvir o que os manifestantes têm a
dizer. “É uma manifestação muito mais espontânea... precisamos ouví-la,
perceber o que quer nos dizer... acho que essa é a grande sabedoria. E
isso nos dá justamente elementos para a reflexão, para a mudança de
atitudes, de comportamento, mudanças do enfoque político, das políticas
públicas. Acho que isso é fundamental, entende?”
“E é claro que são vários temas” – enfatizou o cardeal. Por isso
mesmo “quem está mais diretamente envolvido nesses temas tem que
refletir e pensar o que está fazendo nessa área, chame-se educação,
saúde, segurança, violência, corrupção...”.
"Então - concluiu o cardeal - são elementos que estão aí e talvez
muito dispersos, mas que aparecem com certa frequência, e afetam a vida
das pessoas. E as pessoas estão querendo um outro estilo de sociedade
onde todos tenham garantidos seus direitos, sua igualdade, sua
dignidade. Nós desejamos que seja assim. Esse é o objetivo fundamental”.

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