CRÔNICA| Sobre Marcelo, Juliana e a decepção
by Damião Fernandes
Marcelo sempre foi um jovem de grandes
amizades e sempre gostava de gastar tempo conversando, passeando, vendo filmes
ou simplesmente rindo das piadas que eram contadas pelos seus amigos e irmãos do
seu círculo de amizades do qual a muitos anos, ele era membro fiel. Marcelo
dificilmente faltava ás reuniões com seu grupo de amigos. Entre eles, Marcelo sentia-se
verdadeiramente amado e aceito, mesmo com todas as suas diferenças e seu
temperamento forte. Para Marcelo, definitivamente, seus amigos eram muito mais
que amigos, poderíamos dizer sua segunda família.
Mas um certo dia, algo inesperado aconteceu. Juliana,
uma aluna do 4º período de psicologia, jovem sensível, inteligente e assim como
dizia ela “não conseguia suportar
injustiças com ninguém”, entra sala adentro desesperada e afônica pelo cansaço
da grande corrida que vez da faculdade que ficava a três quarteirões da casa de
Marcelo. Juliana assim com Marcelo era profundamente religiosa. Só um detalhe,
desde a infância que era vizinha e amigos cúmplices. Sempre que podiam
conversavam e tentavam se ajudar com palavras de otimismo e revelações de Deus
que buscavam juntos nos escritos sagrados. Tentavam ser apoio um para o outro.
- Marcelo,
Marcelo... [entra Juliana sala adentro gritando!]
- O que aconteceu Juliana? Calma, respira... Uh!
, ah! Respira...
_ Você não vai acreditar no que acabo de
escutar no caminho quando eu vinha da Faculdade!
- O que houve? – [Marcelo nesse momento já
estava também quase entrando pânico, visto o suspense exposto nos olhos
esbugalhado de Juliana]
Lembra-se de Renata? Ela espalhou para todo
mundo que você com esse seu jeitinho meio calado, meio sonso, metido a intelectual,
mas que não passa de um vaidoso soberbo. Que aparenta ser um homem prudente,
virtuoso, atencioso, mas que no fundo você é sarcástico moralmente
inescrupuloso. Que você quer transparecer esse homem transcendente, mas você não
passa de um sepulcro caiado e de paixões torpes. E inventa metiras, ainda mais.
[Marcelo, escutava tudo atento e
profundamente decepcionado com tudo que ouvia. Nas lágrimas que caiam de seus
olhos revelava todo o seu desapontamento para com aqueles que até então eram
seus amigos, irmãos de longas datas. Sua segunda família]
_ Sei! [afirmava Marcelo, nos intervalos de
frases ditas por Juliana]
_ E tem mais! Se prepare! Que ainda estar por
vir o pior!
_ Ainda vem o pior?! [Disse Marcelo, esboçando
um sorriso amarelado e desconcertante]
_ Lembra-se do Matias, né? Aquele que carrega
numa mochila, sua Bíblia “surrada” de tanto que ele a lê? O que sempre é o
primeiro a chegar às nossas reuniões de turma e o ultimo a se despedir?
_ Sei demais... [Disse Marcelo] Matias, o comilão!
Sempre que ele vinha comer aqui em casa, era um dos primeiros a sentar-se na
mesa e quase sempre o ultimo a levantar-se. Amo demais aquele cara! Um grande
irmão.
_ Pois é! Era justamente esse teu “irmãozão”
que afirmou para a Renata e para todos os outros, que o seu maior sonho era ser
um cantor de sucesso e um escritor renomado e que não media consequências para
isso. Sim! E o seu intuito era ser aplaudido e afamado por todos. E quanto a
isso, você não admite contrariedades. Você gosta mesmo é de aparecer, custe o que custar.
_ Juliana, depois de lhe ouvir atentamente,
não nego que meu coração está profundamente despedaçado e ao mesmo tempo
decepcionado ouvindo todas essas coisas. E justamente daqueles que sinceramente
mais amo... Não contive as lágrimas... Mas preciso lhe dizer algo!
Terão dias que nada e nem mesmo ninguém será
capaz de ser motivo suficiente para fazer você voltar a crer ou voltar a amar.
Terão dias que tudo estará escuro, confuso e sem sentido. Virão dias! Ah se
virão! em que serão justamente aqueles que você mais ama que lhe decepcionarão
e sem nenhum escrúpulo dirão coisas que você NÃO FEZ e NÃO É. Quando esses dias
chegarem é a prova inconteste que também chegou o dia e a hora de olhar somente
pra Deus e n'Ele fixar morada. Pois quando tudo se vai, resta Deus e só. Pois
só Ele tem sensibilidade e amor suficiente para te olhar demoradamente sem
censuras ou exclusões; Só Deus é o teu bastante!
- Juliana o olhou demoradamente e os dois se
abraçaram chorando... E daquele dia em diante, algo ficou bastante claro para
Juliana e Marcelo: Que quando tudo e todos se vão, só resta Deus e só.

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