quarta-feira, maio 11, 2011



A verdade é unívoca
Por damião fernandes

Inúmeros podem ser nossos motivos, intenções ou até mesmo argumentos sobre as mais diversas realidades e temas. Profundas podem ser nossas teorias, aporias ou alegorias sobre alguém, sobre coisas ou sobre nada. O homem sente necessidade de explicação e de explicar-se. O homem sente necessidade da revelação e do revelar-se. Somos seres que não ficamos satisfeitos com a explicação trivial, banal, superficial.

Queremos sim, a explicação completa, exata, conclusa, sem máscaras. No fundo buscamos a verdade. A mentira não nos completa, não nos satisfaz e muito menos nos realiza. A verdade se revela como uma complementaridade daquilo que somos. Poderíamos dizer que a verdade é a nossa outra metade, e enquanto não a encontramos, vivemos como seres catatônicos, alheios á toda realidade exterior, alheios á nós mesmos. Estamos vivos, mas sem vida. Temos necessidade da verdade como temos necessidade de dormir, de tomar água, de respirar. A necessidade da verdade faz parte de nossa natureza humana.

Quando conversamos com alguém ou lemos um jornal, temos a impressão que alguém está dizendo algo sobre nós. Mas que verdade é esta que desconhecemos? Quando assistimos á televisão ou ouvimos um rádio temos a ligeira impressão que estejam passando para nós uma mensagem. Mas que mensagem é essa? O que nela, nos diz respeito? Enquanto ouvimos ou assistimos os guias eleitorais ou ouvimos algum candidato “discursar”: Temos a impressão que o que ele fala diz respeito a nós, ao meu dia-a-dia, á minha vida profissional, estudantil, afetiva, religiosa. Mas, que verdades são essas que muitas vezes se perdem na multiplicidade e na fragmentação das coisas? Que verdades seriam essas, que se escondem nas dobras dos acontecimentos cotidianos e que nos parece tão difícil de decifrar? O que é múltiplo nos confunde e aterroriza.

A multiplicidade nos perturba e nos dispersa. Penso que a mentira é a mãe da multiplicidade, da fragmentação e da angústia. Quando mentimos sobre algo ou sobre alguém, em última análise, estamos fragmentando e por conseguencia dispersando o Outro. Pelo contrário, a verdade tem poder agregador, unitário, salvífico. Por isso, que certa vez Jesus disse que a verdade liberta. Ela nos liberta de toda e qualquer tentativa de multiplicidade, coisificação. Nos liberta do perigo de nos sentirmos “todos”, “iguais”, “multidão”, “Povo”. A verdade de Jesus sobre nós, tem o poder de nos tornar “distintos”, “Pessoais”, “diferentes”, “Discipulos e amigos”. Esta é a Verdade, que ao contrário da mentira, nos torna singular e único. 
[Texto publicado no site www.diariodosertao.com.br]

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