A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO
A sociedade que repousa sobre a moderna indústria
não é fortuitamente espectacular ou superficialmente espectacular, ela é
fundamentalmente "espectalista". No espectáculo, imagem da economia
reinante, a finalidade não é nada, o desenvolvimento tudo. O espectáculo
não quer vir a ser outra coisa senão ele mesmo.
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Enquanto
adereço indispensável dos objectos produzidos, enquanto exposição geral
da racionalidade do sistema, enquanto sector económico que forma
directamente uma multidão de imagens/objectos, o espectáculo é a
principal produção da sociedade.
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O
espectáculo submete os homens vivos na medida em que a economia já os
submeteu totalmente. Não há mais nada senão economia desenvolvendo-se a
si mesma. O espectáculo é o reflexo fiel da produção das coisas, e a
objectivação infiel dos produtores.
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A
primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou na
definição de toda a realização humana uma degradação evidente,
degradação do ser no haver.
A presente fase da ocupação total da vida social através dos resultados
acumulados da economia, conduz a um deslizamento generalizado do haver no parecer, do qual todo o haver
efectivo dele tira o seu prestígio imediato e a sua última função. Ao
mesmo tempo, toda a realização individual tornou-se social, directamente
dependente da força social, formada por ela. Aqui, quando nada é,
permitem-lhe aparecer.
Guy Debord, La société du Spectacle (Gallimard, Paris 1992). Publicado pela primeira vez em 1967.
Tradução de Helena Serrão.

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