Santo Antônio e o milagre eucarístico de Rimini
A narração de um dos milagres mais significativos do Santo, por ocasião da celebração da sua memória litúrgica de hoje
“Santo dos Milagres”, assim era chamado Santo Antonio de Pádua, que hoje celebramos a memória litúrgica.
De fato, foram muitos os prodígios que o Santo realizou ao longo da
sua vida. Particularmente, a tradição nos deu a conhecer o famoso
“milagre eucarístico de Rimini”, ou o assim chamado milagre “da mula”,
acontecido na capital da Romanha e atribuído à sua intercessão.
Na sua intensa atividade de evangelização, santo Antonio foi ativo em
Rimini por volta do 1223 e foi justo neste período que o milagre foi
narrado em vários livros históricos – entre os quais a Begninitas, uma
das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios
análogos acontecidos também em Tolosa e em Bourges.
O episódio está relacionado com a luta entre cristãos e hereges: nos
primeiros séculos após o ano Mil, de fato, a hierarquia da Igreja era
fortemente contestada por movimentos heterodoxos, incluindo os cátaros,
patarines e valdenses. Especialmente, estes atacavam a verdade
fundamental da fé católica: a presença real do Senhor no sacramento da
Eucaristia.
O Milagre Eucarístico foi obrado por Santo Antonio depois que um
certo Bonovillo, um herege, o desafiou a provar por meio de um milagre a
presença real do Corpo de Cristo na comunhão. Outra biografia antiga de
Santo Antônio – A Assídua – traz as palavras exatas faladas por
Bonovillo no 'desafio': "Irmão! Digo-te diante de todos: acreditarei na
Eucaristia se a minha mula, que deixarei sem comer por três dias, comer a
Hóstia que tu lhe oferecerás, em vez da forragem que lhe darei”.
Se o animal tivesse, portanto, deixado de lado a comida e ido adorar o
Deus pregado por Santo Antônio, o herege ter-se-ia convertido.
O encontro foi marcado na Praça Grande (Atual Praça dos Três
Mártires), atraindo uma multidão enorme de curiosos. No dia combinado,
portanto, Bonovillo apareceu com a mula e com a cesta de Forragem.
Chegou Santo Antônio que, depois de ter celebrado a Missa, trouxe em
procissão a Hóstia consagrada dentro do ostensório até a praça.
Diante da mula, o Santo teria dito: “Em virtude e em nome do Criador,
que eu, por mais indigno que seja, tenho realmente nas mãos, te digo, ó
animal, e te ordeno que te aproximes rapidamente com humildade e o
adores com a devida veneração”.
O animal, apesar de estar esgotado pela fome, deixou de lado o feno, e
aproximou-se para adorar a hóstia consagrada a tal ponto que inclinou
os joelhos e a cabeça, provocando a admiração e o entusiasmo dos
presentes. Antonio não se enganou ao julgar a lealdade do seu oponente,
que, ao ver o milagre, jogou-se aos seus pés e abjurou publicamente os
seus erros, tornando-se a partir daquele dia um dos mais fervorosos
cooperadores do Santo taumaturgo.
Em memória deste episódio foi construído, na praça Três Mártires, uma
igrejinha dedicada a Santo Antonio com uma capela que fica na frente,
obra de Bramante (1518). A capela, no entanto, foi destruída durante a
Segunda Guerra Mundial.
Hoje, então, é possível visitar, do lado do Santuário de São
Francisco de Paula, o “templete” – como é chamado pelos habitantes de
Rimini – em substituição da Igreja originária, que foi consagrada no dia
13 de abril de 1963.
Com um tabernáculo de prata dourado que reproduz o pequeno templo
exterior, e de um frontal de altar de bronze mostrando o milagre da
mula, a igrejinha tornou-se sede da Adoração Eucarística perpétua a
partir do 28 de novembro de 1965, por vontade do bispo Biancheri.
Historicamente o milagre da mula apareceu um pouco tarde na
iconografia de Santo Antônio, no âmbito do movimento eucarístico do
século XIII que levou, em 1264, à instituição da festa solene do Corpus
Domini pelo Papa Urbano IV, a fim de defender e dar o justo valor à
Eucaristia.
[Tradução do Italiano por Thácio Siqueira]

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