Hildegarda, quarta «doutora» da Igreja
Santa alemã, mística e música do século XII, tem merecido atenção particular de Bento XVI
Cidade do Vaticano, 06 out 2012 (Ecclesia) – Bento XVI vai proclamar
este domingo a santa alemã Hildegarda de Bingen como nova “doutora da
Igreja”, um reconhecimento que a torna a quarta mulher a receber essa
distinção.
A monja beneditina nascida em 1098 e falecida em 1179 no atual
território germânico foi oficialmente canonizada pelo atual Papa no
último dia 10 de maio, que estendeu a toda a Igreja Católica o seu culto
litúrgico.
Bento XVI anunciou a intenção de proclamar dois novos doutores da
Igreja Católica, São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen, a 27 de
maio, destacando a “marca intensa de fé” que estes santos deixaram, “em
períodos e ambientes culturais bem diferentes”.
Hildegarda, disse o Papa, “assumiu o carisma beneditino no meio da
cultura medieval, foi uma autêntica professora da teologia e estudou
aprofundadamente a ciência natural e a música”. A monja e fundadora de dois mosteiros escreveu livros de mística e
teologia, textos de medicina e análises de fenómenos naturais.
Em 1147, o Papa Eugénio III autorizou a mística a divulgar
publicamente as suas visões e a falar delas em público, pelo que a
partir de então o “prestígio espiritual de Hildegarda cresceu cada vez
mais, ao ponto de os contemporâneos lhe atribuírem o título de ‘profeta
teutónica’", recordou Bento XVI, numa das duas catequeses que lhe dedicou em setembro de 2010, no Vaticano.
O atual Papa elogiou a “sabedoria espiritual” e “santidade de vida”
da germânica e sublinhou que as suas visões místicas são “ricas de
conteúdos teológicos”, em particular a “poderosa visão do Deus que
vivifica o cosmos com a sua força e luz”.
“Hildegarda manifesta a versatilidade de interesses e a vivacidade
cultural dos mosteiros femininos da Idade Média, contrariamente aos
preconceitos que ainda pesam sobre aquela época”, disse.
A Igreja Católica reconheceu até hoje 33 doutores, entre os quais
Santo António de Lisboa e três mulheres: Teresa de Ávila, Catarina de
Sena e Teresinha de Lisieux.
O título de doutor da Igreja é atribuído a fiéis que se tenham distinguido pela santidade de vida, ortodoxia doutrinal e sabedoria.

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