Vaticano: Bento XVI quer católicos em diálogo com pessoas indiferentes ou hostis à sua mensagem
Papa inaugurou Sínodo dos Bispos dedicado à nova evangelização falando em «mundo descristianizado»
Cidade do Vaticano, 07 out 2012 (Ecclesia) – Bento XVI inaugurou este domingo a 13ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, durante uma celebração em que deixou apelos ao diálogo entre católicos, quem se afastou da Igreja e descrentes, num “mundo descristianizado”.
O Papa falava na homilia da missa a que preside na Praça de São Pedro, Vaticano, que centrou no tema sinodal, a “nova evangelização”, uma ação “destinada principalmente às pessoas que, embora batizadas, se distanciaram da Igreja e vivem sem levar em conta prática cristã”.
O Sínodo, precisou Bento XVI, visa “ajudar essas pessoas a terem um
novo encontro com o Senhor, o único que dá sentido profundo e paz para a
existência” e “favorecer a redescoberta da fé, a fonte de graça que
traz alegria e esperança na vida pessoal, familiar e social”.
Neste contexto, os católicos foram desafiados ao encontro com as
pessoas, “indiferentes ou mesmo hostis”, para lhes anunciar “a beleza do
Evangelho e da comunhão em Cristo”.
O Papa disse ainda que esta perspetiva se vai reforçar pela
coincidência entre a abertura da assembleia sinodal e o início do Ano da
Fé, que terá lugar na próxima quinta-feira, assinalando o 50.º
aniversário da abertura do II Concílio do Vaticano (1962-1965). “A evangelização, em todo tempo e lugar, teve sempre como ponto
central e último Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, e o Crucificado é por
excelência o sinal distintivo de quem anuncia o Evangelho: sinal de
amor e de paz, apelo à conversão e à reconciliação”, observou.
O Papa admitiu que o “pecado, pessoal e comunitário” de muitos
cristãos se apresenta como “grande obstáculo para a evangelização”,
falando também numa “clara correspondência entre a crise da fé e a crise
do matrimónio”.
“A união do homem e da mulher, o ser ‘uma só carne’ na caridade, no
amor fecundo e indissolúvel, é um sinal que fala de Deus com força, com
uma eloquência que hoje se torna ainda maior porque, infelizmente, por
diversas razões, o matrimónio está a passar por uma profunda crise,
precisamente nas regiões de antiga tradição cristã”, precisou.
Este Sínodo dos Bispos, que se vai prolongar até ao próximo dia 28, é
dedicado ao tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé
cristã’, contando com a maior presença de participantes na história
destes eventos: 262 cardeais, arcebispos e bispos, a que se juntam
peritos e outros convidados, incluindo representantes de outras 15
Igrejas cristãs.
A missa foi antecedida pelo rito de proclamação de dois novos doutores da Igreja Católica, São João de Ávila, religioso espanhol do século XVI, e Santa Hildegarda de Bingen, monja e mística alemã do século XII.
Esta segunda-feira vai ser apresentado em conferência de imprensa o
relatório prévio (‘relatio ante disceptationem’), que antecede as
intervenções dos presentes, entre os quais se incluem dois
representantes da Conferência Episcopal Portuguesa: D. Manuel Clemente,
bispo do Porto, e D. António Couto, bispo de Lamego.
O Sínodo dos Bispos, criado pelo Papa Paulo VI em 1965, pode ser
definido em termos gerais como uma assembleia consultiva de
representantes dos episcopados católicos de todo o mundo.

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