O Homem sem Rosto
"Poderá o homem pensar correctamente sem
conhecer as regras e as leis exactas da lógica, utilizando-as apenas
intuitivamente? Claro que há músicos que tocam um ou outro instrumento
sem saberem a arte musical (em particular as notas). Mas a sua criação é
limitada: não podem executar uma obra pautada nem anotar uma melodia
por eles composta. Quem aprende lógica pensa de um modo mais preciso,
sendo os seus argumentos mais exactos e ponderados. Comete menos erros e
equivoca-se menos. O pensamento lógico não é inato, pode e deve ser
desenvolvido de diferentes modos. O estudo sistemático da lógica é uma
das vias mais eficientes de desenvolvimento do pensamento abstracto
lógico.
A solução de problemas lógicos é um modo
interessante de desenvolver o pensamento. Raymond Smulyan, matemático
norte-americano, compôs numerosos problemas lógicos interessantes. Eis
um exemplo: um indivíduo foi julgado por participação num roubo. Na
audiência intervieram o advogado de acusação e de defesa. O primeiro
disse: " Se o réu é culpado, então teve um cúmplice". O segundo
objectou: " Não é verdade." e não podia ter dito coisa pior.
Deste modo, não só reconheceu a
cumplicidade do seu cliente, mas tornou-o totalmente responsável pelo
delito, agravando a sua futura sentença. O defensor equivocou-se porque
não soube formular correctamente a sua ideia. (...).
O pensamento e a linguagem
condicionam-se reciprocamente. (...) A lógica ensina a pensar clara,
concisa e correctamente.(...)O conhecimento da lógica eleva a cultura do
pensamento, contribui para a precisão, coerência e demonstratividade do
raciocinio, aumenta a eficácia e o carácter convincente de um discurso
(...).Ajuda a detectar erros lógicos na linguagem falada e nas obras
escritas por outras pessoas, a encontrar vias mais breves e correctas
para refutar e evitar semelhantes erros."
Alexandra Guetmanova, Lógica, Ed. Progresso, 1989, pp 4-5

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