HOMILIA DO CARDEAL STANISLAW RILKO no Encontro Nacional de Assessores da Pastoral Juvenil em preparação à JMJ 2013
HOMILIA
Nestes dias estais aqui reunidos, em Brasília, como assessores da
Pastoral Juvenil de todo o país, para refletir sobre o tema “A Juventude
no Ano da Fé” e programar esta etapa final de preparação da Jornada
Mundial da Juventude que se realizará no Rio de Janeiro em julho do
próximo ano. Saúdo de coração Sua Eminência, o Cardeal Raimundo
Damasceno, presidente da Conferência Episcopal brasileira, o Núncio
Apostólico, Dom Giovanni D’Aniello, Dom Eduardo Pinheiro e a todos vós,
caríssimos amigos.
Como bem sabeis, o Santo Padre, em sua Mensagem aos Jovens por
ocasião da próxima JMJ, toca um tema que é o coração de cada Jornada
Mundial da Juventude: a evangelização. “Ide e fazei discípulos entre as
nações” (Mt 28,19) é o texto bíblico sobre o qual os jovens são chamados
a refletir, a fim de responder com entusiasmo ao apelo do Senhor para
que se tornem seus discípulos e missionários. Como escrevia o Beato João
Paulo II: “a Igreja tem muitas coisas a dizer aos jovens e os jovens
têm tantas coisas a dizer à Igreja” (Christifidelis laici, n.
46). Nestes quase trinta anos de caminhada as JMJs tornaram-se um
instrumento de extraordinária eficácia deste importante diálogo.
Na exortação apostólica Verbum Domini, o Papa Bento XVI
escreve: “Os jovens já são membros ativos da Igreja e representam o seu
futuro. Muitas vezes encontramos neles uma abertura espontânea à escuta
da Palavra de Deus e um desejo sincero de conhecer Jesus. De fato, na idade da juventude, surgem de modo irreprimível e sincero as questões
sobre o sentido da própria vida e sobre a direção que se deve dar à
própria existência. A estas questões, só Deus sabe dar verdadeira
resposta...”. Logo depois de ter delineado o quadro geral do mundo dos
jovens, o Papa dá algumas indicações muito concretas a todos os
operadores da pastoral juvenil: “Esta solicitude pelo mundo juvenil
implica a coragem de um anúncio claro; devemos ajudar os jovens a
ganharem confidência e familiaridade com a Sagrada Escritura, para que
seja como uma bússola que indica a estrada a seguir. Para isso, precisam
de testemunhas e mestres, que caminhem com eles e os orientem para
amarem e por sua vez comunicarem o Evangelho sobretudo aos da sua idade,
tornando-se eles mesmos arautos autênticos e credíveis” (n. 104). Eis o
grande desafio que nos é continuamente lançado em cada nova edição da
Jornada Mundial da Juventude.
Na primeira leitura, tirada do livro do Apocalipse, S. João narra a
belíssima visão que o anjo do Senhor lhe mostra (Cfr. Ap 22, 1-5). O
“rio de água viva”, do qual o apóstolo nos fala, remete às águas do
Batismo, sacramento que somos chamados a redescobrir de modo particular
nesse Ano da Fé. O trabalho pastoral que fazemos com os jovens não é
outra coisa senão uma verdadeira e própria iniciação cristã, uma
redescoberta do Batismo. Como já dizia o Papa Bento XVI, com o Batismo
inicia-se a “aventura jubilosa e exaltante do discípulo. (...). É o
Batismo que ilumina com a luz de Cristo, que abre os olhos ao seu
esplendor e introduz no mistério de Deus através da luz divina da fé”[1].
Na homilia da Missa de conclusão do Sínodo sobre a Nova
Evangelização, o Santo Padre apresentava o cego Bartimeu como imagem do
homem de hoje, daqueles que necessitam da luz da fé para conhecer
verdadeiramente a realidade e caminhar pela estrada da vida. Bartimeu
não é um cego de nascença, mas perdeu a vista e, no encontro com Cristo,
readquire a luz que havia perdido e, com ela, a plenitude da sua
própria dignidade.
Queridos amigos, quantos jovens do nosso tempo, como Bartimeu,
perderam a luz e caminham nas trevas, buscando muitas vezes refúgio em
mundos paralelos, como por exemplo o mundo das drogas de todo o tipo, de
uma sexualidade mal vivida, ou de um consumismo fácil. Entram assim em
um caminho de ilusão, aparência e mentira[2].
Estes jovens têm necessidade de tantos bons samaritanos, que os levem
ao encontro com Cristo, o único capaz de curar a cegueira do homem e
mudar a sua vida. Necessitam urgentemente de guias espirituais, amigos e
seguros, que os conduzam a esta experiência com Jesus, Caminho, Verdade
e Vida. Eis a grande missão que a Igreja confia a todos vós, que sois
empenhados na pastoral com os jovens e na preparação da próxima JMJ do
Rio em 2013.
Mas também nós, que operamos no campo da pastoral juvenil,
necessitamos de cura. E a doença mais grave que nos pode ameaçar é o
desânimo, o cansaço, a rotina... Talvez não raramente o Espírito Santo
nos exorte com as palavras dirigidas ao anjo da Igreja de Éfeso, no
Apocalipse: “Mas tenho contra ti que arrefeceste o teu primeiro amor.
Lembra-te, pois, donde caíste. Arrepende-te e retorna às tuas primeiras
obras” (Ap 2,4-5). Precisamos manter acesa a chama do amor de Deus que
arde em nossos corações! É necessário conservar sempre uma santa paixão e
uma santa inquietação, que nos impulsionem a buscar incansavelmente
vias sempre novas, para que o anúncio do Evangelho alcance os jovens de
hoje.
Aqui estamos reunidos, queridos amigos, nesta celebração eucarística,
exatamente porque queremos beber desta água viva, que nos vem pela
Palavra de Deus e que torna fecunda toda obra de evangelização.
Confiemos a Maria, Estrela da nova evangelização, esta última etapa de
preparação da Jornada Mundial da Juventude do Rio em 2013.

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