segunda-feira, março 18, 2013

 

Latinos em peso na entronização do Papa


ROMA - Em sua missa de entronização, Francisco receberá mais presidentes latino-americanos do que na de Bento XVI, o que indica relevância da procedência do atual Pontífice para a agenda da região. Além de Cristina Kirchner e Dilma Rousseff, que desembarcaram neste domingo, estão confirmados os presidentes Federico Franco, do Paraguai; Enrique Peña Nieto, do México; Sebastián Piñera, do Chile; Porfirio Lobo, de Honduras; Laura Chinchilla, da Costa Rica; e mesmo Rafael Correa, do Equador, que volta e meia se desentende com a Igreja. Todos são países de maioria católica.

Como parte do cerimonial, o Papa receberá os cumprimentos dos chefes de Estado. Dilma deve ter um tempo maior, pois em sua presença deve ser evocada a Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio. Segundo o embaixador brasileiro na Santa Sé, Almir de Sá Barbuda, no trajeto para o hotel, a presidente comentou sobre a importância da eleição do Papa argentino para a região. Ao chegar, Dilma disse apenas uma frase para os jornalistas:

— Vocês sempre conseguem chegar antes de mim.

A presidente vai ficar quase quatro dias em Roma com uma comitiva de quatro ministros e vários assessores, e sem uma agenda definida. Ela viajou acompanhada dos ministros das Relações Exteriores, Antônio Patriota; da Educação, Aloísio Mercadante; da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, que dividem o hotel com as delegações de EUA, Canadá e Taiwan. Dilma poderá se encontrar hoje com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano. E, na quarta-feira, deverá se reunir com o brasileiro José Graziano, diretor-geral da FAO, organização da ONU para agricultura e alimentação.

No fim da tarde, Dilma saiu para um passeio por Roma. Ela fez questão de visitar duas das quatro igrejas mais importantes da cidade: Santa Maria Maggiore e São Paulo Extramuros.

A relação de Dilma com a Igreja Católica nunca foi fácil. Já na campanha eleitoral, ela irritou o Vaticano com uma declaração sobre o aborto. No manifesto Carta ao Povo de Deus, ela pediu oração e votos para continuar o projeto de Lula, mas o documento dizia que cabe ao Congresso encontrar um ponto de equilíbrio nas posições que envolvem valores éticos, como aborto e uniões entre pessoas do mesmo sexo. A polêmica foi tal que Dilma, preocupada com a perda de votos dos cristãos, garantiu que não enviaria ao Congresso projetos com objetivo de ampliar a cobertura do Estado para casos de aborto.

Fonte:  Jornal O GLOBO

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