Latinos em peso na entronização do Papa
ROMA - Em sua missa de entronização, Francisco receberá mais presidentes
latino-americanos do que na de Bento XVI, o que indica relevância da
procedência do atual Pontífice para a agenda da região. Além de Cristina
Kirchner e Dilma Rousseff, que desembarcaram neste domingo, estão
confirmados os presidentes Federico Franco, do Paraguai; Enrique Peña
Nieto, do México; Sebastián Piñera, do Chile; Porfirio Lobo, de
Honduras; Laura Chinchilla, da Costa Rica; e mesmo Rafael Correa, do
Equador, que volta e meia se desentende com a Igreja. Todos são países
de maioria católica.
Como parte do cerimonial, o Papa receberá os cumprimentos dos chefes
de Estado. Dilma deve ter um tempo maior, pois em sua presença deve ser
evocada a Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio. Segundo o
embaixador brasileiro na Santa Sé, Almir de Sá Barbuda, no trajeto para o
hotel, a presidente comentou sobre a importância da eleição do Papa
argentino para a região. Ao chegar, Dilma disse apenas uma frase para os
jornalistas:
— Vocês sempre conseguem chegar antes de mim.
A
presidente vai ficar quase quatro dias em Roma com uma comitiva de
quatro ministros e vários assessores, e sem uma agenda definida. Ela
viajou acompanhada dos ministros das Relações Exteriores, Antônio
Patriota; da Educação, Aloísio Mercadante; da Secretaria-Geral da
Presidência, Gilberto Carvalho, e da Secretaria de Comunicação Social,
Helena Chagas, que dividem o hotel com as delegações de EUA, Canadá e
Taiwan. Dilma poderá se encontrar hoje com o presidente da Itália,
Giorgio Napolitano. E, na quarta-feira, deverá se reunir com o
brasileiro José Graziano, diretor-geral da FAO, organização da ONU para
agricultura e alimentação.
No fim da tarde, Dilma saiu para um
passeio por Roma. Ela fez questão de visitar duas das quatro igrejas
mais importantes da cidade: Santa Maria Maggiore e São Paulo Extramuros.
A
relação de Dilma com a Igreja Católica nunca foi fácil. Já na campanha
eleitoral, ela irritou o Vaticano com uma declaração sobre o aborto. No
manifesto Carta ao Povo de Deus, ela pediu oração e votos para continuar
o projeto de Lula, mas o documento dizia que cabe ao Congresso
encontrar um ponto de equilíbrio nas posições que envolvem valores
éticos, como aborto e uniões entre pessoas do mesmo sexo. A polêmica foi
tal que Dilma, preocupada com a perda de votos dos cristãos, garantiu
que não enviaria ao Congresso projetos com objetivo de ampliar a
cobertura do Estado para casos de aborto.
Fonte: Jornal O GLOBO
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