Quo vadis, Domine?
Uma lenda sobre são Pedro não se aplica ao caso do papa Bento XVI!
Segundo a referida lenda, o primeiro papa, desiludido, estava para
abandonar Roma, quando, na Via Apia, encontra-se com Jesus e lhe
pergunta: “quo vadis, Domine”?, isto é, “aonde vais, Senhor?” Jesus
teria respondido que retornaria a Roma, para ser novamente crucificado,
já que são Pedro estava indo embora. Diante desta resposta, conta a
lenda, são Pedro arrepiou caminho e regressou à Cidade Eterna.
Imaginemos, agora, uma história um pouco diferente: quem questiona é
Jesus. O senhor (“dominum”) Bento XVI, rumo a Gastel Gandolfo, avista
Jesus e este lhe pergunta: “quo vadis, domine?”. Acho que o papa emérito
lhe responderia: “Deixo o ofício que o Senhor me confiou para o bem da
Igreja”. Na verdade, essa resposta, em oração, foi realmente dada ao
divino fundador da Igreja católica.
Daqui a algumas horas, a sé (forma apocopada da palavra “sede”, que
quer dizer “cadeira”) de são Pedro estará vazia ou vacante. Ratzinger
renunciou, asseverando que “(...) para governar a barca de são Pedro e
anunciar o evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do
espírito; vigor este que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo
em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem
o ministério que me foi confiado.”
Os dias de sé vacante são decerto um tempo de apreensão. Coragem!
Desta vez, coincidem com a quaresma, época de oração e recolhimento que
nos leva à festa maior do cristianismo, a Páscoa, nossa alegria imensa,
pois Jesus ressuscitou.
Dentro em breve, seguindo as normas da constituição apostólica Universi Dominci Gregis,
os cardeais reunir-se-ão para a escolha de um novo bispo de Roma. Que
gáudio inaudito cada um de nós fruirá no seu coração no instante em que
se anunciar: “Habemus papam!”, isto é, “Temos um papa!”.
O papa emérito, Bento XVI, em orações contínuas, do mosteiro em que
estiver enclausurado, permanecerá em constante sintonia com o sucessor
de são Pedro e com todos os cristãos do universo.
A Igreja católica, única pessoa jurídica de direito público com 2 mil
anos de idade, jamais desaparecerá da face da terra. Rezemos pelo papa
emérito e pelos cardeais que elegerão o próximo vigário de Cristo. Que
santa Maria, a mãe da Igreja, rogue ao Espírito Santo para que o sumo
pontífice eleito seja alguém que possa confirmar a fé de todos os
católicos do planeta.
Edson Luiz Sampel é Doutor em Direito Canônico pela
Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e professor da Escola
Dominicana de Teologia (EDT).

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