segunda-feira, fevereiro 24, 2014


A Utopia do Possível

Nesse instante minhas ideias correm. Minhas lembranças de uma sociedade construída sob o alicerce de axiomas cristãos torna-se evidente, mesmo que eu não saiba de onde elas veem. Talvez nasçam do desejo de ver um homem renascido. Mesmo que das cinzas.

Neste instante penso no que escrever. Penso, o que uma sociedade destes tempos, o homem destes tempos gostaria mesmo de ler, de ouvir, de saber? Quem sabe gostaríamos de abrir um jornal ou um confiável site e lá estivesse estampado que a maldade humana houvera chegado ao fim ou que definitivamente o homem aprendeu, á custas de sangue vertido numa Cruz, a perdoar e não mais guardar ressentimentos. Quem sabe, gostaríamos de ler no diário Oficial da União que foi por força de medida provisória extinta permanentemente as “segundas-feiras” e que os finais de semana começarão nas quintas? Quem sabe, ainda sejamos movidos por estímulos externos para nos tornarmos pessoas coerentes.

Nesse instante minhas ideias correm. Minhas memórias de uma sociedade construída sob o alicerce de sonhos possíveis me tomam e também me inquietam quando percebo que “a impossibilidade do Bem” é uma realidade que se torna cada vez mais próxima e cruel ao mesmo tempo.

A cada incoerência verbal, religiosa, política e social percebemos o quanto a demagogia e a mentira institucional se avolumam assustadoramente. Pois o verdadeiro Bem não se alimenta de demagogia, mesmo que ocasionais. Neste instante penso no que realmente escrever.

Penso o que realmente cada homem e mulher destes tempos gostariam de ouvir, de ler, de saber? Talvez, quem sabe, se abríssemos uma revista semanal e víssemos ali estampa: Por força de lei é crime usar a mentira para enganar o cidadão ou quem sabe que a seguinte manchete: Foi extinta a descriminação racial, religiosa e sexual no Brasil. Quem sabe, trazemos dentro de nós sonhos que de tão intensos se tornam utópicos, de tão simples, se tornam impossíveis. Pois onde não há amor suficiente para causar o Bem, aquilo que era tão simples ganhou proporções de “milagre”.

Nesse instante minhas ideias correm. Minhas esperanças de uma sociedade construída sob o alicerce do Outro enquanto Outro e não extensão de mim mesmo me persegue desde quando eu era menino, quando meus pais me ensinaram que a minha dignidade e sacralidade não estavam no que possuía, mas no que eu era. O outro tem sacralidade e dignidade por sí mesmo. Desde cedo aprendi, mesmo que intuitivamente, que a essência ultrapassa a existência.

(...) 

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