A Utopia do Possível
Nesse instante minhas ideias correm.
Minhas lembranças de uma sociedade construída sob o alicerce de axiomas
cristãos torna-se evidente, mesmo que eu não saiba de onde elas veem.
Talvez nasçam do desejo de ver um homem renascido. Mesmo que das cinzas.
Neste instante penso no que escrever.
Penso, o que uma sociedade destes tempos, o homem destes tempos gostaria
mesmo de ler, de ouvir, de saber? Quem sabe gostaríamos de abrir um
jornal ou um confiável site e lá estivesse estampado que a maldade
humana houvera chegado ao fim ou que definitivamente o homem aprendeu, á
custas de sangue vertido numa Cruz, a perdoar e não mais guardar
ressentimentos. Quem sabe, gostaríamos de ler no diário Oficial da União
que foi por força de medida provisória extinta permanentemente as
“segundas-feiras” e que os finais de semana começarão nas quintas? Quem
sabe, ainda sejamos movidos por estímulos externos para nos tornarmos
pessoas coerentes.
Nesse instante minhas ideias correm.
Minhas memórias de uma sociedade construída sob o alicerce de sonhos
possíveis me tomam e também me inquietam quando percebo que “a impossibilidade do Bem” é uma realidade que se torna cada vez mais próxima e cruel ao mesmo tempo.
A cada incoerência verbal, religiosa,
política e social percebemos o quanto a demagogia e a mentira
institucional se avolumam assustadoramente. Pois o verdadeiro Bem não se
alimenta de demagogia, mesmo que ocasionais. Neste instante penso no
que realmente escrever.
Penso o que realmente cada homem e mulher
destes tempos gostariam de ouvir, de ler, de saber? Talvez, quem sabe,
se abríssemos uma revista semanal e víssemos ali estampa: Por força de
lei é crime usar a mentira para enganar o cidadão ou quem sabe
que a seguinte manchete: Foi extinta a descriminação racial, religiosa e
sexual no Brasil. Quem sabe, trazemos dentro de nós sonhos que de tão
intensos se tornam utópicos, de tão simples, se tornam impossíveis. Pois
onde não há amor suficiente para causar o Bem, aquilo que era tão
simples ganhou proporções de “milagre”.
Nesse instante minhas ideias correm.
Minhas esperanças de uma sociedade construída sob o alicerce do Outro
enquanto Outro e não extensão de mim mesmo me persegue desde quando eu
era menino, quando meus pais me ensinaram que a minha dignidade e
sacralidade não estavam no que possuía, mas no que eu era. O outro tem
sacralidade e dignidade por sí mesmo. Desde cedo aprendi, mesmo que
intuitivamente, que a essência ultrapassa a existência.
(...)

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