quinta-feira, maio 28, 2015





A EDUCAÇÃO ENTRE DOIS MUNDOS
BY damião FERNANDES

Platão, partindo de uma construção simbólica e mitológica da Alegoria da Caverna, estabelece a existência de dois mundos ou de duas realidades, a saber, o mundo das coisas sensíveis e o mundo das Ideias. Segundo o texto platônico, a maioria da humanidade vive em completa condição de ignorância e entrevamento, ou seja, vivendo segundo a apreensão da realidade do mundo ilusório, as coisas efêmeras e por isso não se constituem como objetos de conhecimento.

O homem se encontra condenado – dentro do mundo das coisas sensíveis, o mundo das sombras- a entender a realidade a partir das sombras que ele ver passar por trás da parede, onde a partir disso, julga ser a verdade das coisas. É o que nos atesta o filósofo alemão Werner Jaeger:

[...] por trás desta parede passa gente carregada de vários objetos e figuras de madeira e de pedra, alguma vezes em silêncio e outras falando. Estes objetos são mais altos que o muro e o fogo projeta-lhes a sombra na parede interior da gruta. Os prisioneiros, que não podem voltar a cabeça para a saída da gruta e que, portanto, nunca viram senão as sombras durante a vida inteira, é natural que as considerem como a realidade, e quando, ao vê-las passar, ouvem o eco das vozes dos portadores, julgam ouvir a linguagem das sombras.[1]


[1]JAEGER, Werner. Paidéia: a formação do homem grego. p. 883.

Nenhum comentário: