A EDUCAÇÃO ENTRE DOIS MUNDOS
BY damião FERNANDES
Platão,
partindo de uma construção simbólica e mitológica da Alegoria da Caverna, estabelece
a existência de dois mundos ou de duas realidades, a saber, o mundo das coisas
sensíveis e o mundo das Ideias. Segundo o texto platônico, a maioria da
humanidade vive em completa condição de ignorância e entrevamento, ou seja,
vivendo segundo a apreensão da realidade do mundo ilusório, as coisas efêmeras
e por isso não se constituem como objetos de conhecimento.
O
homem se encontra condenado – dentro do mundo das coisas sensíveis, o mundo das
sombras- a entender a realidade a partir das sombras que ele ver passar por
trás da parede, onde a partir disso, julga ser a verdade das coisas. É o que
nos atesta o filósofo alemão Werner Jaeger:
[...] por
trás desta parede passa gente carregada de vários objetos e figuras de madeira
e de pedra, alguma vezes em silêncio e outras falando. Estes objetos são mais
altos que o muro e o fogo projeta-lhes a sombra na parede interior da gruta. Os
prisioneiros, que não podem voltar a cabeça para a saída da gruta e que,
portanto, nunca viram senão as sombras durante a vida inteira, é natural que as
considerem como a realidade, e quando, ao vê-las passar, ouvem o eco das vozes
dos portadores, julgam ouvir a linguagem das sombras.[1]

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