segunda-feira, maio 07, 2012


MAIS UM DISCURSO SOBRE EDUCAÇÃO

As Escolas, a Educação, os professores e os alunos estão a viver um momento talvez decisivo para a forma como se irá delinear o seu futuro. É inegável que qualquer coisa está a acontecer na Europa, é inegável que há mau estar, indefinição, revolta. Urge perguntar: Contra o quê? Porquê? Os meios de comunicação social, os blogues, até o cinema, dão-nos uma catadupa de razões, e ilustram uma escola onde parece que impera o caos e o desgoverno, onde cada um grita para o seu lado, ministra, professores, alunos, jornalistas, presidente, pais, cidadão comum, país enfim! Todos têm uma opinião sobre a Educação e a Escola. 

Os órgãos representativos das classes, os órgãos representativos do governo, os anónimos, esgrimem pontos de vista em igualdade de circunstâncias! Mas se há vinte anos havia confiança nos órgãos representativos, como os sindicatos, hoje não há. Cada um fala por si e parece representar-se apenas a si próprio. 

Cada um é, assim, uma espécie de verdade ambulante que fala sem que ninguém o siga. Fala-se, cada discurso alimenta outros discursos e a sua proliferação caótica e indiferenciada produz a sua própria anulação, produz uma espécie de ineficácia, porque não há na maioria dos discursos um comprometimento real com a acção, e só a acção pode mudar o que está mal. O facto de podermos falar livremente das nossas indignações deu-nos uma ilusão de poder, mas em termos de acção real dividiu-nos, separou-nos, a facilidade do discurso não pode enganar-nos acerca do verdadeiro propósito que o move. 

O propósito não me parece apenas o do direito à indignação, é pouco. Só nos resta ser coerentes e agir, isto é: não cumprir o que está estipulado por decreto.
 
Helena Serrão

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