MAIS UM DISCURSO SOBRE EDUCAÇÃO
As Escolas, a Educação, os professores e os alunos
estão a viver um momento talvez decisivo para a forma como se irá
delinear o seu futuro. É inegável que qualquer coisa está a acontecer na
Europa, é inegável que há mau estar, indefinição, revolta. Urge
perguntar: Contra o quê? Porquê? Os meios de comunicação social, os blogues,
até o cinema, dão-nos uma catadupa de razões, e ilustram uma escola
onde parece que impera o caos e o desgoverno, onde cada um grita para o
seu lado, ministra, professores, alunos, jornalistas, presidente, pais,
cidadão comum, país enfim! Todos têm uma opinião sobre a Educação e a
Escola.
Os órgãos representativos das classes, os órgãos representativos
do governo, os anónimos, esgrimem pontos de vista em igualdade de
circunstâncias! Mas se há vinte anos havia confiança nos órgãos
representativos, como os sindicatos, hoje não há. Cada um fala por si e
parece representar-se apenas a si próprio.
Cada um é, assim, uma espécie
de verdade ambulante que fala sem que ninguém o siga. Fala-se,
cada discurso alimenta outros discursos e a sua proliferação caótica e
indiferenciada produz a sua própria anulação, produz uma espécie de
ineficácia, porque não há na maioria dos discursos um comprometimento
real com a acção, e só a acção pode mudar o que está mal. O facto de
podermos falar livremente das nossas indignações deu-nos uma ilusão de
poder, mas em termos de acção real dividiu-nos, separou-nos, a
facilidade do discurso não pode enganar-nos acerca do verdadeiro
propósito que o move.
O propósito não me parece apenas o do direito à
indignação, é pouco. Só nos resta ser coerentes e agir, isto é: não
cumprir o que está estipulado por decreto.
Helena Serrão

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