Toda Universidade CATÓLICA, DEVE SER CATÓLICA, ÓBVIO!
É
líquido e cristalino o direito do grão-chanceler da PUC-SP, arcebispo
de São Paulo, de nomear reitor um entre os três professores eleitos pela
comunidade universitária.
O
procedimento da lista tríplice, igualmente adotado em várias instâncias
do Estado -como na escolha de juízes de tribunais superiores ou do
chefe do Ministério Público-, revela-se altamente democrático.
Ele
produz um equilíbrio saudável entre o sufrágio dos eleitores e a
participação crítica do moderador que, entre três pessoas, dará posse
àquela que mais se aproxima do perfil ideal para ocupar o cargo.
No
caso da PUC-SP, os corpos docente e discente, bem como os funcionários,
em votação universal, endossam os três candidatos com potencial para
assumir a reitoria.
O
grão-chanceler, autoridade máxima da universidade, nomeia um deles.
Fá-lo com cabal discricionariedade, tendo em vista o bem maior da
instituição.
A
PUC-SP é uma escola confessional, católica e pontifícia, conforme
indica seu próprio nome, estando sob a égide tanto do direito estatal
quanto do direito canônico.
Com
efeito, reza a constituição apostólica Ex Corde Ecclesiae, a lei
canônica que disciplina as universidades católicas, que uma das
características essenciais desse jaez de instituição de ensino consiste
na “fidelidade à mensagem cristã tal como é apresentada pela Igreja”
(13, 3).
Dom
Odilo tem dado o melhor de si para recrudescer a confessionalidade da
PUC-SP, resgatando-lhe a “alma católica”. Infelizmente, essa postura do
grão-chanceler, assaz benemérita e imprescindível do ponto de vista
pastoral e jurídico-canônico, arrosta opositores vorazes.
Debaixo
do inconsistente vexilo da independência acadêmica, alguns desejam
mesmo que o catolicismo seja banido do campus e cambiado por um
relativismo cristão ou cristianismo light ou, então, por outras
ideologias.
É
possível imaginar não protestantes assumindo a direção da Universidade
Presbiteriana Mackenzie? É claro que não, haja vista a natureza
confessional dessa escola. Quer-se preservar a integridade da doutrina
de Calvino. Eles têm todo o direito de proceder desse modo. Vivemos num
país livre.
E
as escolas hebraicas de São Paulo? Acolheriam elas em seus quadros
executivos católicos ou protestantes? É óbvio que não fazem isso. São
judeus, quando não rabinos, que dirigem essas entidades.
Tal
raciocínio é válido inclusive para empresas privadas. Quanto tempo
duraria na fábrica da Volkswagen um diretor que fosse grande defensor e
entusiasta dos automóveis montados pela Ford? Cuido que não teria
sobrevida de uma semana.
No
entanto, querem que a PUC-SP seja complacente com professores que
defendem, por exemplo, o aborto na mídia -e que só tem acesso aos
jornais em virtude de exibirem o título de professor ou professora da
PUC-SP.
Quanto
mais congruente com os valores autenticamente católicos, tanto mais a
PUC-SP acenderá ao cume da excelência científica, pois a Igreja é perita
em humanidades (Populorum Progressio, 13).
EDSON
LUIZ SAMPEL, 47, doutor em direito canônico pela Pontifícia
Universidade Lateranense, do Vaticano. É professor do Instituto
Teológico Pio XI (Unisal) e da Escola Dominicana de Teologia (EDT)

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