O médico tem o dever de promover o bem e evitar o mal
Nota do Dr. Ubatan Loureiro Júnior, membro da comissão arquidiocesana de bioética e defesa da vida de Brasília
Publicamos a seguir uma nota de esclarecimento ao público enviada a
ZENIT pelo setor de comunicação da arquidiocese de Brasília e elaborada
pelo Dr. Ubatan Loureiro Júnior, Gineco-Obstetra e Membro da Comissão
Arquidiocesana de Bioética e Defesa da Vida de Brasília.
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Nós, médicos, devemos para com os pacientes a Beneficência que se
constitui em um fim primário de promover o bem em relação ao paciente e à
sociedade, evitando o mal. Implica, sobretudo, no imperativo de fazer o
bem ativamente e prevenir o mal. Historicamente ao fazermos o nosso
juramento hipocrático na nossa colação de grau afirmamos que: “Aplicaremos
os regimes para o bem do doente segundo o nosso poder e entendimento,
nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém daremos por comprazer,
nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo
não daremos a nenhuma mulher uma substância abortiva”.
Médicos Gineco-Obstetras, generalistas e de família, jamais podem
esquecer que ao chegar ao consultório uma mãe com uma Ameaça de
Abortamento (sangramento transvaginal no primeiro trimestre de gestação,
cólicas, descolamento de placenta, etc.) pedindo que salvem seu filho;
nós não devemos esquecer que esse ser humano no seu início de vida,
vulnerável, não seja nosso paciente. Como então entender que todos os
que têm na sua formação médica essa disciplina obrigatória que é a
Gineco-Obstetricia, pode então sacrificar um ser humano vulnerável e
saudável em detrimento da autonomia de uma mulher? Como então dizer que
existe a autonomia dos vulneráveis se esquecemos estes pequeninos seres
humanos?
Acredito que essa tarefa não é difícil de ocorrer, pois parece que também esquecemos que os livros consagrados do ensino médico:
- Embriologia do K. Moore ( 7ª Ed, 2004, Elsevier, São Paulo. O início do Desenvolvimento Humano: Primeira Semana, p.17-47);
- Embriologia Funcional do Roehn( 2ª Ed, 2005, Guanabara Koogan, Rio
de Janeiro, Introdução, p. 1-5); Biologia Celular e Molecular do
Junqueira (2005, 8ª Ed, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro);
-Fundamentos de Embriologia Médica do Langman ( 2ª Ed, 2005, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, Introdução, p. 1-5);
- Obstetrícia do Jorge Resende 10ª Ed, 2005, Guanabara Koogan, Rio de
Janeiro Barcellos JM, Nahoum JC, Freire NS. Placenta. Cordão Umbilical.
Sistema Amniótico, p.28 -60;
Esses livros nos ensinaram que a vida humana começa com a
fertilização, verdades científicas que jamais poderão ser mudadas a não
ser pelo nosso STF.
Como disse o afamado geneticista descobridor da Síndrome de Down, Dr. Jérôme Lejeune: “Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, ele não poderia tornar-se um, pois nada é acrescentado a ele”.
“Um feto é um paciente, e a medicina é feita para curar... Toda a
discussão técnica, moral ou jurídica é supérflua: é preciso
simplesmente escolher entre a medicina que cura e a medicina que mata".
"Logo que os 23 cromossomos paternos trazidos pelos
espermatozóides e os 23 cromossomos maternos trazidos pelo óvulo se
unem, toda informação necessária e suficiente para a constituição
genética do novo ser humano se encontra reunida".
"No princípio do ser há uma mensagem, essa mensagem contém a vida e essa mensagem é uma vida humana".
Prof. Lejeune - doutor Honoris Causa das universidades de Dusseldorf
(Alemanha), Pamplona (Espanha), Buenos Aires (Argentina) e da
Universidade Pontifícia do Chile. Ele era membro da Academia de Medicina
da França, da Academia Real da Suécia, da Academia Pontifícia do
Vaticano, da American Academy of Arts and Sciences, da Academia de
Lincei (Roma) entre outras. Participou e presidiu várias comissões
internacionais da ONU e OMS. Foi o primeiro presidente da Academia
Pontifícia para a Vida.
Acredito que até podemos esquecer teorias como as descritas acima,
mas como podemos esquecer imagens ultrassonográficas de um ser humano de
12 semanas de idade gestacional que apresenta sua organogênese toda
definida (coração com batimentos, ondas cerebrais eletroencefalográficos
–movimentos fetais ativos inclusive chupando o dedinho, etc)? Se não
tivermos olhar para essa realidade, também não teremos olhar para os
nossos filhos, para o futuro dessa nação e muito menos para o futuro da
humanidade.
Espero que todos nós nos sintamos responsáveis pelas gerações futuras
com a beneficência e não maleficência que nos é devida nos nossos atos
médicos e que nos sintamos partícipes da Paz no mundo.
* Comentários de Dr. Ubatan Loureiro Júnior, Gineco-Obstetra (Comissão Arquidiocesana de Bioética e Defesa da Vida de Brasília).

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