REFLEXÕES SOBRE A MORTE E SOBRE A VIDA
Prof. Dr. Manoel Dionizio Neto [Doutor em Filosofia]
Quando Jean-Paul Sartre nos fala da morte em O ser e o nada, parece nos
dizer que não é possível se obter resposta para o tempo que ainda temos
para viver. Noutras palavras, não seria possível encontrar resposta
para o tempo que falta para nossa morte. Assim, de nada vale perguntar
quando morreremos. A resposta para esta questão é tão difícil para o
adulto, ou mesmo para o ancião, como
para a criança que acaba de nascer: esta poderia perguntar pelo tempo
que tem para viver, da mesma forma que qualquer de nós poderia
perguntar.
Por assim ser, certificamo-nos de que não é possível uma
reposta para o dia da nossa morte. Por isso, ao invés de fazermos esta
pergunta, é melhor partirmos do entendimento de que não devemos esperar a
morte. Por outro lado, estamos em vida. A partir do momento que se
nasce, espera-se a continuidade da vida. Para esta temos então que nos
voltar, por mais que se pense como Martin Heidegger, para o qual o ser
humano é um ser para a morte. Ou seja, mesmo sabendo que andamos para a
morte, cada momento de vida é um passo a mais em direção a ela, é
preciso considerar o que pode significar esta vida.
Pois não podemos
também esquecer o que diz Jean-Jacques Rousseau, no Emílio: “O homem que
mais vive não é aquele que conta maior número de anos e sim o que mais
sente a vida. Há quem seja enterrado a cem anos e que já morrera ao
nascer. Teria ganho em ir para o túmulo na mocidade, se ao menos tivesse
vivido até então”. E o que significa cem anos? Parece muito para os que
longe estão deles: os que acabaram de nascer, os que ainda são crianças
ou os que estão em sua plena juventude. Mas é muito pouco para os que
já viveram anos após anos, em direção ao fim dos seus dias. É quando
lembramos disto que pensamos na significação do que diz Rousseau: é bom
quando não se morre ao nascer, mesmo quando tem o seu enterro aos cem
anos. Ao invés de contar o número dos dias, deve o ser humano sentir a
vida com mais intensidade.
O que vai fazer para senti-la? Olhar em seu
entorno e verificar os que optam por uma vida compartilhada, aquela que
vai se construindo junto a outras vidas que se enriquecem com beleza de
todas as outras. Prender-se aos reducionismos, agarrar-se aos
proselitismos mais diversos, ignorar os que pensam contribuir para o
melhor para a sua vida, mesmo quando pensam diferente, ou quando parece
terem opções contrárias, pode ser um passo em falso em caminhar por esta
vida, porque é preciso saber o quanto eles podem estar olhando para
esta vida que quer bem trilhada, para que possa ser melhor sentida. A
repulsa, o ódio, ou as diferentes formas de rejeição podem ser também
modos de encurtamento de uma vida que, por mais que a pensemos ou que a
queiramos prolongada, é tão curta.
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