sábado, março 16, 2013

 REFLEXÕES SOBRE A MORTE E SOBRE A VIDA
Prof. Dr. Manoel Dionizio Neto [Doutor em Filosofia]
Quando Jean-Paul Sartre nos fala da morte em O ser e o nada, parece nos dizer que não é possível se obter resposta para o tempo que ainda temos para viver. Noutras palavras, não seria possível encontrar resposta para o tempo que falta para nossa morte. Assim, de nada vale perguntar quando morreremos. A resposta para esta questão é tão difícil para o adulto, ou mesmo para o ancião, como para a criança que acaba de nascer: esta poderia perguntar pelo tempo que tem para viver, da mesma forma que qualquer de nós poderia perguntar. 
Por assim ser, certificamo-nos de que não é possível uma reposta para o dia da nossa morte. Por isso, ao invés de fazermos esta pergunta, é melhor partirmos do entendimento de que não devemos esperar a morte. Por outro lado, estamos em vida. A partir do momento que se nasce, espera-se a continuidade da vida. Para esta temos então que nos voltar, por mais que se pense como Martin Heidegger, para o qual o ser humano é um ser para a morte. Ou seja, mesmo sabendo que andamos para a morte, cada momento de vida é um passo a mais em direção a ela, é preciso considerar o que pode significar esta vida. 
Pois não podemos também esquecer o que diz Jean-Jacques Rousseau, no Emílio: “O homem que mais vive não é aquele que conta maior número de anos e sim o que mais sente a vida. Há quem seja enterrado a cem anos e que já morrera ao nascer. Teria ganho em ir para o túmulo na mocidade, se ao menos tivesse vivido até então”. E o que significa cem anos? Parece muito para os que longe estão deles: os que acabaram de nascer, os que ainda são crianças ou os que estão em sua plena juventude. Mas é muito pouco para os que já viveram anos após anos, em direção ao fim dos seus dias. É quando lembramos disto que pensamos na significação do que diz Rousseau: é bom quando não se morre ao nascer, mesmo quando tem o seu enterro aos cem anos. Ao invés de contar o número dos dias, deve o ser humano sentir a vida com mais intensidade. 
O que vai fazer para senti-la? Olhar em seu entorno e verificar os que optam por uma vida compartilhada, aquela que vai se construindo junto a outras vidas que se enriquecem com beleza de todas as outras. Prender-se aos reducionismos, agarrar-se aos proselitismos mais diversos, ignorar os que pensam contribuir para o melhor para a sua vida, mesmo quando pensam diferente, ou quando parece terem opções contrárias, pode ser um passo em falso em caminhar por esta vida, porque é preciso saber o quanto eles podem estar olhando para esta vida que quer bem trilhada, para que possa ser melhor sentida. A repulsa, o ódio, ou as diferentes formas de rejeição podem ser também modos de encurtamento de uma vida que, por mais que a pensemos ou que a queiramos prolongada, é tão curta.

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